Charles
Quatro meses depois
"Charles, eu vou te dizer pela última vez, cuidado com o desgate do pneu. Evite, pois só temos direito a algumas trocas e pode ser perigoso correr com eles finos demais até o final", diz Ricardo.
Estamos na segunda corrida do ano. Na primeira corrida da temporada, que foi na Austrália, me saí muito bem. Nas duas últimas voltas consegui me igualar a Hamilton e quase terminamos empatados. Por alguns milésimos eu fiquei com o segundo lugar. Foi uma corrida e tanto.
"Tudo bem. Eu to tentando evitar que isso aconteça, mas se eu me conter muito não conseguirei correr contra Hamilton e Verstappen. Eu prefiro arriscar", digo convicto do que estou fazendo.
"Olha, eu lavo minhas mãos, não aguento mais falar e você não me escutar. Ser teimoso pode ser bom em certas situações, mas em outras pode ser o nosso fim"
"Confia em mim seu Ricardo, você sabe que eu tenho capacidade para mais. Eu realmente vou tentar reduzir o desgaste dos pneus". Seu Ricardo respira fundo e assente com a cabeça.
"Tudo bem, confio na sua intuição. Mas se brigarem comigo, vou dizer que você continuou teimando", diz Ricardo.
"Sim senhor, pode colocar na minha conta", digo.
"Agora vai fazer seu ritual para se preparar para a corrida. Daqui 30 minutos vamos para o ponto de largada". Agradeço seu Ricardo mais uma vez pela confiança e vou me preparar.
Essa temporada vai ser minha, se depender da minha teimosia e vontade!
Marcella
A temporada de Fórmula 1 começou mês passado, mas pela primeira vez na vida eu resolvo não acompanhar as corridas. Estou melhor a cada dia, até dei uns beijos em um carinha na balada, porém não sei se consigo ainda olhar Charles correndo. Principalmente porque aqueles pesadelos nunca vão embora. Nunca.
Minha avó finge que não está empolgada para assistir as corridas com o meu tio só para me agradar. Eu sei que ela gosta de assistir e acompanhar o que meu pai faz com sua carreira.
Domingo é dia de almoço em família por aqui, outra coisa que amei sobre o Brasil. Meu tio e minha avó aproveitam para assistir as corridas antes do almoço, porém, na última corrida ela nem ligou a TV para evitar que eu ficasse triste ou coisa assim. Esses gestos mexem muito comigo, por isso amo muito a minha avó.
Ontem saí com os meus amigos e voltei bem tarde, por isso acordei tarde. Minha família com certeza já está aqui preparando o almoço.
Quando saio do quarto para ir ao banheiro escovar os dentes e fazer xixi, ouço o som do motor de carro. Com certeza eles aproveitaram que eu estava dormindo para assistir a corrida. Óbvio que não vou falar para eles mudarem de canal ou desligarem a TV. Está na hora de eu começar a superar essa fase de não querer ver o Charles.
Escovo os dentes, faço xixi, penteio o cabelo, troco de roupa e vou para sala ficar com todo mundo. Respiro fundo e entro na sala.
Assim que minha avó me vê, ela diz para o meu primo desligar a TV, eu faço um sinal para deixar a TV ligada, pois não tem problema por mim.
"Você tem certeza, querida? Não precisamos assistir se você não quiser", diz a vovó.
"Tudo bem, eu quero assistir também", minto e forço um sorriso para minha avó. Acho que ela sabe que eu estou mentindo, mas mesmo assim não insiste. Deixa a corrida rolando.
Sento ao lado do meu tio e tento me concentrar no que está acontecendo, e não na sensação de ver Charles correndo. Deus que me ajude.
Marcella
Enquanto meus tios e minha avó assistem a corrida, a minha tia me chama para ajudá-la colocar a mesa. O pessoal aqui almoça cedo.
Aproveito a deixa e escapo rapidinho dali, eu estava quase chorando só de ver Charles correndo. Tenho que superar isso, mas não precisa ser de uma vez, vou aos poucos.
Eu e a minha tia estávamos conversando sobre o garoto bonitinho que eu fiquei ontem na balada quando ouço todo mundo na sala gritar. Vou correndo para sala para saber o que houve, estou com o coração na mão pensando que possa ter sido algo com a minha avó. Não é... Fico em choque no momento que percebo o que aconteceu.
Um dos pneus da Ferrari de Charles explodiu e fez ele perder o controle. Só o que vejo agora é o carro dele todo amassado e os paramédicos correndo para atende-lo. Por que ele não se mexe? Se mexe. Por favor.
Percebo que todo mundo alí tenta me chamar e minha avó entra em desespero pedindo para eu escuta-la. Não consigo escuta-los, só ouço e vejo borrões. Eu estou em choque, pois aqueles pesadelos que eu tanto tinha medo se realizaram.
Será que ele morreu?
Na mesma hora começo a chorar e sinto uma vontade enorme de vomitar. Eu não estou bem.
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O meu melhor amigo
FanfictionMarcella Senna da Silva Pellegrini, Jules Bianchi e Charles Leclerc são melhores amigos desde sempre. Jules é um piloto ambicioso, dedicado, leal e vem de uma família influente de Nice, França. Charles Leclerc, assim como Jules, é um piloto dedicado...
