Fiz da escrita e da pintura minhas aliadas nesta batalha contra um amor que já não poderia nem queria sentir. Servi-me das armas que achei indispensáveis para combater a minha própria vontade.
Afastei-me do mundo tanto física como virtualmente. Fazia o indispensável no mundo virtual. Muitas das vezes, apenas o que estava estritamente ligado ao trabalho porque, neste meio tempo, tinha criado uma página onde divulgava o meu trabalho enquanto artista. Admito que esta página foi uma mais-valia para mim. Mantinha-me ocupada e com a cabeça longe de uma história e de sentimentos que queria esquecer.
Nem tudo foi pacífico neste meu caminho de recuperação. A minha ansiedade, embora já não me desse tantos problemas, estava longe de estar controlada. Continuava com os tremores nas mãos e nas sobrancelhas. Por vezes, tinha dores de pescoço e de costas inexplicáveis e os ataques de ansiedade, apesar de em menor número, mantinham-se bastante intensos. Muitas também foram as vezes em que quase cai na tentação de te mandar mensagem, Alma. Mas, depois pensava se teria razões e como a resposta era sempre negativa, acabava por desistir.
E, a muito custo, foi-me esquecendo do que é amar-te, Alma. Contudo, o Destino pôs à prova todos os esforços que estava a fazer para te esquecer, Alma, num momento inesperado das minhas férias de verão. Eu tinha saído com a minha mãe não me recordo com que finalidade. A verdade é que, nesse dia, estive a metros de distância de ti, Alma. A minha mãe tinha ido tratar de algo e eu tinha ficado no carro à espera. Lembro-me de estar a ver um episódio de Thirteen Reasons Why e de ter olhado ao meu redor. Mesmo à minha frente, havia um banco daqueles de jardim. E tu, Alma, lá estavas tranquilo a ouvir música. E, nesse momento, percebi que já não te amava.
"Quando te vi, sentado naquele banco e a ouvir música, senti um misto de sensações, mas nunca o amor que já senti. Acho que o meu coração já esqueceu o que é amar-te."
Continuava a escrever sobre ti, Alma. Era uma forma de refletir sobre o que estava a sentir e sobre todos os pequenos avanços que estava a ter.
Apesar de já não te amar, a minha cabeça continuava a mil. Muitas vezes recordava-me de momentos do passado e sentia-me feliz por os ter vivido ao teu lado. Senti muita saudade e senti muita revolta. Hoje compreendo que conseguir distinguir o nosso passado do nosso presente foi a tarefa mais difícil.
Mantive-me perto dos meus anjos. Um deles distrai-me do mundo, fazia-me rir. Fez-me perceber que o mundo ainda tinha muito para aproveitar e que eu não me devia amarrar aos momentos mais tristes da minha existência. O meu outro anjo, atrevo-me a dizer que o maior deles, esteve comigo em todos os meus momentos de dúvida. Continuava a apoiar-me e a dar-me os melhores conselhos.
E, assim, foi vivendo. Dia após dia. Conquista após conquista.
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Almas
RomanceCom o aparecimento da vida na Terra, surgiu também uma entidade que desde logo causou uma enorme controvérsia. Será que existe? Será que é real? Será que realmente comanda as nossas vidas? O Destino nem sempre é favorável para com as Almas, mas ele...