Eu senti quando Jennie tirou a faca e o garfo que estava em minha mão, e agradeci se não coisas ruins aconteceriam ali.
Eu olhei para Yon, que estava distraída brincando com a sua boneca enquanto bebericava o suco de laranja. Eu me virei para encarar Sungwan sentindo o meu sangue quente, subindo e subindo.
- O que faz aqui?
- O shopping é lugar público, posso ficar aonde bem entender.
- O que você quer?
- Quero falar com a minha filha.
Eu engoli o que parecia pedras. Yon parecia não se importar com a situação, ainda concentrada em sua boneca.
- Se você não sair daqui agora, eu te tiro a força.
- Oi, Yon.- senti meu coração indo parar em minha garganta quando a minha filha olhou para ela com a testa franzida. Ela se agarrou a Jennie com um certo medo de Sungwan.
- Como essa mulher sabe o meu nome, mamãe Jen?
- Você não se lembra de mim?
- É claro que ela não lembra de você! Ela nem te conhece!
- Ela deveria.
- Deveria? Porque ela deveria conhecer alguém tão irrelevante igual a você? Uma pessoa que pensou nela mesmo, e abandonou tudo! A mulher que abandonou a própria filha de oito meses!- eu prendi a respiração após ouvir o que falei, Sungwan tinha um sorriso irônico nos lábios. Eu me odiei.
- Então...- a voz da pequena preencheu os meus ouvidos.- Então você é a minha mãe?
- Oi, filha...
- Não a chame assim... ela não é sua filha.
- A senhora sabia que a minha mãe estava por perto e não me contou? Porque fez isso, mamãe?
- Ela me escondeu de você, filha, ela não quer que eu te conheça.
- E quem disse que eu quero te conhecer?- por algum motivo, eu fiquei feliz em ouvir aquela pequena frase.- Eu quero ir pra casa, mamãe Jen...
Jennie se levantou segurando a mão de Yon enquanto eu deixava algumas notas em cima da mesa. Sungwan se abaixou ao lado de Yon, que na mesma hora se agarrou a perna de Jennie.
- Ainda teremos a chances de nos conhecermos...- aquele aviso me soou ameaçador por algum motivo.
Eu fui em direção a Yon para pegá-la, mas ela me rejeitou também. Aquele dia que era pra ser alegre e cheio de comemorações, virou algo tão pesado, que eu me culpei até chegarmos em casa.
Eu queria ficar feliz, pois teria um pequeno menino para se tornar o meu príncipe, Jennie também queria, sabia que ela estava tão feliz quanto eu, pois sonhava em ter um menino, mas foi com a chegada daquela mulher que o nosso dia mudou completamente, era sempre assim, sempre que Sungwan chegava perto de mim eu mudava.
Era como se fosse uma pessoa completamente tóxica.
E para piorar, Yon não queria que eu chegasse perto dela, ela estava chateada, é claro que estava, eu havia escondido algo importante pra ela. Mas eu achava que com a chegada da Jennie em sua vida, a curiosidade de conhecer a sua mãe biológica sumiria, mas eu estava errada.
Mais uma vez.
Eu respeitei a vontade dela, quis jantar em seu quarto, e pediu ajuda para Jennie no banho, eu protestaria pois ela estava grávida, mas eu não falei nada, formulando cada palavra, cada sílaba com um cuidado imenso, não queria magoar Yon, mais do que já estava.
Antes de dormir eu fui até o seu quarto, ela lia um de seus livros de fantasia. Dei uma olhada em sua estante vendo que a maioria dos livros eram daquele gênero. Acariciei os pelos do Trovão que estava atirado na cama da pequena, olhei alguns desenhos que ela grudou em sua parede lilás, um me arrancou um sorriso ao ver os títulos, Mamãe Liz, Mamãe Jen, Yon, Meu irmão sem nome, Trovão. Família Manoban.
E por fim olhei para ela, percebendo o seu abandono de óculos e da sua bombinha, vi que ela estava crescendo, aos poucos. Eu não queria que ela crescesse, ela só tinha cinco anos, ainda era um bebê.
Me sentei ao seu lado, vendo uma parte do livro grifado com um marca texyo azul:
Amor. O que seria o amor? Ele realmente existe? Pessoas realmente amam? Qual é o sentido, e qual é a necessidade de amar?
E logo pude ler uma resposta que ela mesma formulou, a letra tão linda e tão caprichada que eu me assustava em saber que ela tinha apenas cinco anos:
O amor é algo totalmete psicológico que pode ser passado para o físico como o contato. Ele não só existe, como é transformado em algo duplo e até triplo como uma nova vida. O subconsciente permite sentirmos coisas novas em nós quando vemos alguém bonito não só por fora como por dentro, nos lançando ondas de choque pelo o corpo inteiro, dando a entender que estamos apaixonados. O sentido do amor é colocar a pessoa acima de qualquer coisa, suprir as necessidades dela, entendê-la e apoiá-la não importa a situação, saber animar em momentos tristes e ouvir em momentos de desabafos, comemorar juntos coisas boas e superar juntos as coisas difíceis, pois nem tudo é flores. Pessoas completam as outras, não necessariamente em um relacionamento amoroso, mas também de amizade e materno, a necessidade de amar é a vontade e a certeza de ter uma pessoa ao seu lado sempre que precisar. Como a Tia Chae e a Tia Soo, as minhas mães, Lisa e Jennie, mas também como eu e a minha mãe Lisa. Sei que tenho um porto seguro no seu colo, e que ela sempre vai estar comigo, até quando não estiver fisicamente. E isso é considerado, amor.
Eu sequei as lágrimas silenciosas que desciam, e fechei o livro que estava em sua mão.
- Eu sei que errei... em não te contar que a sua mãe estava por perto, não queria que ficasse chateada, eu fiquei com medo, de você gostar dela, querer ir com ela. É um direito seu gostar dela, mas eu não aguentaria ficar sem você.
- Você não ficou com medo, mamãe, você ficou com ciúmes.- ela sorriu.- Eu nunca iria te deixar para ir com ela, afinal quem é ela? Ela não é a minha mãe, pode até ser ela que me gestou durante seis meses, mas apenas isso. Eu tenho você, tenho a mamãe Jen e o meu irmão, porque eu largaria tudo pra ir com ela? Eu amo você, mamãe. E não precisa ficar com ciúmes... e... eu não quero ver ela de novo...
- Você não precisa vê-la...- eu sussurrei a acolhendo em meu braço respirando aliviada em ter ela como filha.- Eu amo tanto você, minha princesa...
***
Lets kill this Sungwan.
Vocês ainda se lembram do sonho da Yon...?
VOCÊ ESTÁ LENDO
Arraste-me ( Jenlisa G!P)
FanfictionUm simples ato de compaixão ao próximo pode mudar e salvar a vida de Jennie Kim. Uma adolescente vendo sua vida morrer junto a única pessoa que se importava e cuidava dela. Lalisa a vê ali no corredor daquele hospital, sozinha e desesperada, e simp...
