Capítulo 34

769 59 124
                                        

Capítulo 34

"De las tres mil noches de amor que nos juramos, sólo quedaron milllones de insomnios."


Alfonso sentia que estava fazendo a coisa certa, uma sensação que até então era bastante desconhecida para ele. Naqueles dias que sucederam, ele tentou ao máximo lembrar de sua mãe, de sua bondade e nobreza, também de sua infância e das coisas boas que tinha vivido antes de tudo vir abaixo. Em cada reunião, em cada atitude, em cada palavra que ele dizia, ele tentava pensar antes de dizer, tentava medir suas ações, ser alguém melhor.

Da mesma maneira que ele tentava cumprir sua promessa e parar de uma vez com as drogas e ele ia percebendo que não tinha todo o controle que julgava ter, que nada disso era tão simples quanto se comprometer a cumprir uma meta ou deixar de comer e beber determinada coisa. As drogas eram algo que controlava totalmente seu corpo, a abstinência de longos períodos sem a droga deixava Alfonso fisicamente e emocionalmente alterados. Os sintomas não demoraram a aparecer, ele estava mais irritado, cansado, suando sem parar e sem conseguir dormir. Ignorar tudo isso era mentir para si próprio que tinha controle de algo que ele não tinha. No fundo, Alfonso sabia de tudo isso, já tinha vivo essa história, para conseguir se manter firme, ele voltava a apelar para as drogas. Ele até poderia dizer que estava fazendo isso por Anahi e logo a decepcionando, mas a verdade era que ele queria fazer aquilo por si próprio, talvez aquela fosse a única solução para transformar sua vida em algo menos frustrante, ele assumir a responsabilidade e fazer mudanças e não deixar que conduzissem suas escolhas como um trem desgovernado.

Daniela entrou em sua sala feito um furacão, ele não estava tendo sua melhor manhã e ela parecia disposta a torná-la pior. Alfonso nem precisava esperar ela abrir a boca para saber o tema daquela discussão. Um cliente tinha pedido para que ele super faturasse um escavamento para os investidores e Alfonso se recusou, deixando de fechar o negócio e mantendo sua decisão alheia de Daniela. Não demorou muito até ela descobrir.

— Alfonso, que diabo eu faço com você?! — Daniela chegou dizendo irritada, ele suspirou longamente e se levantou — Trate de fechar esse negócio.

— Eu não vou. — Alfonso respondeu tranquilo.

— Como é que é? — Daniela retrucou com os olhos arregalados.

— Você ouviu bem. — ele mantém a tranquilidade, respondendo-a.

— Se você não consegue fazer o seu trabalho, o que tem para fazer, me chamasse na hora que eu fechava essa merda. — Daniela responde irritada e Alfonso encosta na mesa, cruzando os braços e encarando ela.

— Eu faço bem trabalho perfeitamente bem, Dani, justamente por isso eu não quero mais me envolver nessas transações ilegais. Isso é errado e pode nos prejudicar futuramente. — Alfonso tentou.

— Alfonso, olha para minha cara de que liga para o errado? Que tem medo do futuro? — Daniela insiste e Alfonso suspira.

— Nós dois entramos nessa de uma maneira errada, eu sei, você sabe.. — Daniela faz menção de interrompê-lo mas Alfonso não deixa — Eu quero dizer que não chegamos aqui do melhor jeito, mas nós chegamos e não precisamos mais agir assim, não precisamos mais ser errados. Nós podemos fazer as coisas certas, eu to tentando e gostaria muito que você fizesse o mesmo. — Alfonso completa com a voz branda.

— Pelo amor de Deus! — Dani o corta — De qual conto de fadas você tirou essa ideia? Não tem espaço para decência para nós dois, Alfonso. Esse é o jeito que a gente age, é assim que a gente sobrevive. Você sabe tudo que fizemos, não é agora que vamos pagar de heróis da moral. — ela se aproxima dele, dando-lhe um olhar dura e impaciente — Conserte isso.

— Já disse que não vou. — Alfonso rebate duro.

— Eu aturei você faltando reuniões, estendendo viagens, desaparecendo do nada, doando nossos empreendimentos e fazendo obras para caridade, defendendo mais os interesses dos clientes que os nossos e agora você deixa de fechar um negócio milionário por se negar a fazer algo que já fez outras incontáveis vezes, para mim é demais. — Daniela desabafa furiosa.

— Você sabe que pode confiar em mim, sabe que eu sou a única pessoa que você pode confiar. E você precisa confiar no meu trabalho mais uma vez porque eu não vou mais seguir nessa linha. — Dani riu nervosa.

— Como você espera que eu confie em você se eu não te reconheço mais? — Dani rebate — Essa linha que você quer seguir simplesmente não existe, Alfonso, não tem espaço para ela aqui. — ela respira fundo, colocando a mão no quadril e encarando ele — Eu não sei mais por quanto tempo eu vou aguentar suas mudanças. Me avise quando o Alfonso voltar para o seu corpo e eu espero que ele volte logo.

Amor sem OndeOnde histórias criam vida. Descubra agora