TREZE

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Cheguei em casa, com tudo ainda, rondando minha mente. Eu estava cheia de fome e cansada. Então, subi para tomar um banho, para tentar tirar todo aquele estresse de mim, e relaxar meu corpo, um pouco.

Depois do banho, me senti mais leve, mas, a minha barriga ainda, estava roncando de fome, por isso, me vesti, rapidamente, com qualquer peça de roupa, e desci as escadas, para ir comer.

Senti o cheiro de carne, entrar nas minhas narinas, que me deu água na boca. Minha mãe, estava na cozinha, terminando de colocar a mesa e a Lacey estava, lhe ajudando.

-Precisam de ajuda?—perguntei, ao aproximar-me delas.

-Não, já terminamos, pode sentar, vou tirar a carne do forno—minha mãe disse e Lacey sentou, do meu lado.

-Vocês não fazem ideia do que aconteceu hoje...—exprimi me esparramando, na cadeira, com o rosto cansado.

-Algo ruim?—minha mãe perguntou, chegando com a travessa de carne, e colocando-a na mesa.

-Péssimo...—comentei começando a me servir.

-Conta logo—Lacey disse curiosa.

-Sabem o Lan, do acampamento, que eu fui quando, tinha 16 anos?—perguntei e elas assentiram—Pois é, esse Lan, é o Allan, meu chefe—falei e vi seus olhos arregalarem de surpresa.

-Que mundinho pequeno, meu Deus—Lacey pronunciou boquiaberta.

-E como você descobriu?—minha mãe perguntou curiosa, atenta em mim.

-Hoje, quando eu estava saindo da livraria, ele quase me atropelou e me chamou de Rubí, só ele e aqueles amigos dele ,me chamavam assim—contei e minha mãe colocou uma expressão preocupada no rosto.

-Ele quase te atropelou? Filha você está bem?—minha mãe perguntou, analisando todo o meu corpo.

-Eu estou bem mãe, foi só um susto—falei a tranquilizando.

-Você nunca me contou ao certo o que aconteceu...—Lacey pronunciou interessada em saber,  me incentivando, a contar.

-Eu fui para o acampamento, só que, a galera da nossa escola achava que, seria somente nós, que tínhamos vencido, o campeonato de natação. Mas, quando chegamos lá, tinha os vencedores, da outra escola, também, então, tivemos que conviver com eles. No inicio, eu estava até que, me dando bem com todos, e até fiz algumas amizades com a outra escola, porém, tinha aquele grupinho de rapazes, com o ego lá em cima, Allan, Luke, Jerry e Henry, e eles começaram a trolar, eu a Mel e outra menina. Com nós as duas, eu e a Mel, era muito mais pesado...—falei e bebi um pouco de suco, pois, a história estava me dando sede.

-Toda a escola tem esses idiotas, impressionante—Lacey comentou, revirando os olhos.

-Primeiro, eles nos trolaram com a comida, colocando sal nas nossas coisas doces, e açúcar, nas salgadas, só que, depois começou a ficar mais pesado. Teve um dia que, eu e a Mel resolvemos ir numa praia, perto do acampamento e decidimos nadar nuas, e assim fomos, só que quando saímos da água, nossas roupas não estavam mais lá, tivemos que ir peladas para o acampamento. Já era de madrugada, então, era suposto ninguém estar acordado, então, ninguém iria nos ver, mas, eles fizeram questão de, manter todos acordados, e quando chegamos, todos ficaram rindo e tirando fotos, foi horrível.—contei e Lacey arregalou os olhos, já a minha mãe, já sabia, mas, não a impedia de ficar indignada.

-Eu não sabia dessa parte, Ruby, que babacas...—ela disse indignada.

-E o pior de tudo foi a aposta...eles apostaram qual deles, levariam uma de nós duas, para cama primeiro. Eu descobri a tempo, mas a Mel, coitada, caiu no charme do Luke, e digamos, que ele não era nada feio, muito pelo contrário, porém era um idiota, e infelizmente, Mel caiu na lábia dele, e dormiu com ele. No outro dia, todos ficaram sabendo, foi horrível, Mel deu na cara do Luke, e ainda, ela é que foi expulsa, do acampamento.—contei, lembrando da cena.

-OQUÊ? Porquê não expulsaram, os quatro otários?—Lacey questionou, irritada.

-Eles eram filhos de pais ricos que, provavelmente, bancavam a escola, óbvio que, não iriam os expulsar... o pior é que mesmo quando o papai morreu, eu recebia aquelas fotos, de mim e da Mel nuas, e várias zoações. Eu tive minha adolescência destruída e aqueles idiotas contribuíram para isso. Mesmo Allan me dizendo hoje que, ele nunca fez parte da aposta, eu simplesmente não consigo acreditar. O que mais me afeta é que o colar que meu pai, tinha me dado se perdeu junto com a trolagem das roupas, no dia que fomos nadar, provavelmente, eles devem ter deixado cair quando pegaram as roupas, e aquele colar era muito especial para mim, vocês sabem...—falei um pouco triste e Lacey veio me abraçar, junto com minha mãe.

-Eu sei, era o colar xodó do seu pai, e ele deu-o para que, você estivesse sempre protegida quando ele não estivesse por perto—minha mãe comentou melancólica, lembrando do meu pai.

-O pior, vai ser trabalhar com ele, mas, sou madura o suficiente para separar as coisas, mesmo querendo voar no pescoço dele e esganar, eu vou ter que me controlar, para não perder meu emprego dos sonhos.—falei e elas assentiram orgulhosas.

-Você já engoliu muito sapo nessa vida, não será um fantasma do passado, que vai te abalar agora—minha mãe falou segurando meu rosto, com as duas mãos, me encorajando.

-Agora vamos comer, que essa conversa toda, me deixou faminta—minha tia pronunciou, nos fazendo rir.

Começamos a jantar falando de outras coisas. Conversa descontraída, e muitas gargalhadas, me deixando mais leve e relaxada.

...

-Preparada, para o primeiro dia?—Jean perguntou, entrando no meu quarto.

-Bom dia, Jean, eu dormi muito bem e você?—perguntei irónica e ela revirou os olhos.

-Bom dia. Então, preparada?—ela perguntou de novo, sorrindo, de orelha a orelha.

-Preparada e ansiosa para, conhecer os alunos—respondi entusiasmada.

Terminei de calçar meu ténis, peguei minha mochila e descemos conversando. Não tinha ninguém em casa, pois, minha mãe estava no trabalho e Lacey tinha dormido fora.

-Você lembra do Lan do acampamento que eu fui?—perguntei á Jean, quando entramos no seu carro.

-Lembro, o que tem ele?—ela perguntou virando o rosto para mim, curiosa.

-Esse Lan, é o Allan, nosso chefe—falei e ela abriu a boca num perfeito "o".

-Caralho, como você descobriu, isso?—ela perguntou surpresa e curiosa, ao mesmo tempo.

-Vai dirigindo que eu te conto, no caminho—falei apontando para a estrada e assim ela o fez.

Fizemos o caminho, bem rápido, porque, eu fui contando á ela tudo o que tinha acontecido no dia que estava chovendo, e do meu quase atropelamento, com o Allan.

-Só não vai afogar ele, naquela piscina—Jean comentou rindo ao sairmos do carro.

-Eu sou uma pessoa bastante equilibrada, Jean—disse sorrindo e mostrando meu crachá, ao segurança.

Mas, não seria uma má ideia.

-Muito, tanto é que, quase voou na cara dele, no dia que ele quase te atropelou—ela falou rindo e eu bufei.

-Mas não voei, então, sou sim equilibrada, e para constar, vontade de o é que não me faltou. —disse e ela riu, enquanto andávamos, em direção á nossa área de trabalho.

-Nos vemos na saída, bom trabalho, e vê se controla—ela desejou e eu assenti, indo para o outro lado, onde ficava a área de natação.

Os únicos dias em que eu e a Jean tínhamos os mesmos horários, era na segunda, no caso hoje, e na quarta. O que significa que nos outros dias, eu teria que vir de trem.

Entrei na minha área de trabalho, e todos os professores de natação estavam lá, o que eu estranhei.

Votem, comentem, e me sigam, por favor.

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