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I'll carry you home
Till I'm old and gray

MATT —

— Eu não sou uma barata, Matt. — ela diz, puxando-me para perto e esticando meus braços como se eu fosse uma criancinha. — Você vai colocar essa mão aqui na minha cintura. — ela leva minha mão até a própria cintura, dando um tapinha para indicar o local certo. — E esta aqui vai segurar a minha, bem desse jeito aqui. — ela cerra um pouco a mão, ligeiramente o formato de uma concha. — Tem muitos jeitos de fazer isso, mas acho que devemos ir pelo caminho mais fácil. — Lizzie olha para mim, esperando alguma resposta.

Estou imóvel. Estático. Não consigo sequer abrir a boca. Ainda não estamos dançando e já é muito para mim. Estamos perto demais, tão perto que eu posso sentir o cheiro do perfume Dolce & Gabbana que ela usa desde que o ganhou de presente da minha mãe, dois natais antes.

Ficar tão perto assim de alguém é um pouco estranho. Muito estranho. Mesmo que seja Lizzie. Ela ainda é uma garota.

— Matt? — ela pergunta, me encarando com curiosidade. — Vamos tentar desse jeito mesmo?
Eu assinto. Não sei nem do que ela está falando, mas, se ela está falando, eu confio.

— Você vai imaginar que tem um quadrado ao nosso redor. É assim que vamos nos mover, contornando esse quadrado. Certo? — Lizzie pergunta, esperando minha resposta. Percebo que ela está usando sombra nos olhos. Ela é uma grande entusiasta do uso de delineador, mas sombra eu nunca a vi usar. Deve estar evoluindo no incompreensível mundo da maquiagem. — Matt. Vamos lá. Um passo para a sua direita. — eu a obedeço. — Isso. Agora para a esquerda. — faço o mesmo. — Agora volte para a direita. Isso. E vire. — ela me empurra, para que eu me mova. — Estamos em outra aresta do quadrado. Certo? — eu assinto. — É assim que vamos nos mover. Direita, esquerda, direita, vira. Acha que consegue? — parece fácil. É claro que eu consigo. — Então vamos lá. Vamos tentar fazer isso no ritmo da música.

Eu assinto outra vez, e me concentro em fechar o quadrado no ritmo da música que toca. Está tudo indo bem, dentro do esperado, até que sinto uma elevação se movendo logo abaixo do meu pé.

— Puta que pariu! — Lizzie exclama, puxando o pé e pulando com o outro sozinho no chão até o banquinho ao nosso lado. — Cacete, Matt, isso não é um pé, é um tanque de guerra.

— Desculpa. Desculpa, desculpa! O que eu faço? — já estou desesperado. Eu sabia que isso ia acontecer. — Eu disse que não ia dar certo... eu disse que ia ser uma tragédia. Eu sabia. — digo, começando a roer a unha do dedão.

— Calma, cacete! — ela quase berra. — Vai lá dentro e me traz a bolsinha de gelo.

Eu assinto e saio correndo em direção à casa.

Bernice está na cozinha, cozinhando alguma coisa que não tenho tempo para identificar.

Abro o freezer com tudo, pego a bolsinha de gelo e saio correndo. Sinto o olhar de Bernice em minhas costas, mas preciso correr. Vitimei uma pessoa com meus incríveis dotes de dança e preciso contornar meu erro.



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Till I'm Old and GrayHistórias para pegar e não largar. Descubra agora