Capítulo 15

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Sei bem que o André não ficou nada agradado com a viagem a Milão. Para ser honesta, eu também não. Mas senti que estamos de mãos e pés atados. No entanto, este é um dos problemas que me parece com uma solução à vista. Por isso, temos de aproveitar esta oportunidade e livrar-mo-nos, ao menos, desta questão.

Estou na sala de espera para a consulta. Sei que o André sente o meu nervosismo, mas que está a tentar a ser forte por mim... Eu só quero saber como estou.

Chamam por mim. 

Olho para o André, que me dá a mão e que, mesmo com tudo o que está a acontecer e toda a ansiedade, me sorri. Levantamo-nos e vamos até ao consultório.

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Saímos do hospital sem trocar nenhuma palavra.

"Luísa, há aqui algumas dúvidas, vamos ter de fazer outros exames. Por agora, parece-me que o seu corpo está a curar-se bem, mas não tenho a certeza das possíveis consequências que esta perda lhe possa ter trazido."

Estas foram as palavras da minha médica. Estou, portanto, no mesmo ponto de há quinze dias, quando todo este pesadelo começou.

Já marquei os novos exames. Acabámos de entrar no carro. 

Apenas olho pela janela do carro. Penso que iremos para casa, mas, apercebo-me de que o André não está a ir nessa direção.

Será que ele tem de passar em qualquer lado?

Sei que lhe devo as minhas palavras. Depois disto deveria falar com ele, mas nada me sai.

Noto que estamos a chegar a Belém.

- O Tiago está com os meus pais, o que achas de andarmos um pouco?

Coloco a minha mão na sua perna e olho para ele.

- Sim, fizeste bem.

O André estaciona o carro e cobre a minha mão com a sua.

- Luísa, eu vou falar com o Benfica e não vou amanhã. Eles vão entender. Eles têm de entender que a minha famí-

- André, por favor, não faças isso. Essa viagem não vem na melhor altura, mas é o caminho para pelo menos encerrar esse assunto da Susana Gaspar. Pelo menos esse assunto, temos de encerrar.

- Luísa, eu não quero e não posso deixar-te sozinha depois disto...

- Eu sei que estás preocupado comigo, mas no fundo... A consulta foi inconclusiva. É uma desilusão e deixa-me mais ansiosa. Mas, se recusares essa viagem para ficar comigo eu vou ficar ainda mais ansiosa.

O André apenas me olha e suspira. Ele sai do carro e eu faço o mesmo. Estou triste. Hoje estou triste, pensei que aqui poderia saber o que se passava comigo. Poderia saber se teria algum problema. Estar no limbo, na dúvida, sem respostas... Deixa-me ainda pior.

Sinto a mão do André na minha e aperto-a. Iniciamos o nosso breve passeio.

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Está um bonito dia de sol. Por isso, quis sentar-me um pouco no banco, em frente ao rio, do que ir a uma esplanada. Gosto deste sítio, é bonito. E ver o azul deste rio é apaziguador.

O telefone do André toca.

- Trabalho... - Ele apenas diz e atende. Deverá, com toda a certeza, ser o staff do Benfica para confirmar tudo para a viagem de amanhã. 

Assim que ele desliga a chamada, apenas encosto a minha cabeça no seu ombro.

- Já sabes o que tens de lhe dizer?

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