Behind the shots

2.4K 178 158
                                        

Scott

Memórias de anos atrás vem à minha mente.
Quando eu, Natalie e minha mãe tínhamos que ficar migrando de casa em casa por não conseguirmos pagar aluguel. Foi assim desde os meus nove anos quando meu pai nos largou sem nada.

Minha mãe chorou por dias, Natalie ficou brava e foi difícil explicar para uma garotinha de sete anos porquê nosso pai tinha ido embora se nem eu mesmo conseguia entender.

Quando cresci saquei que ele sempre foi um idiota que nunca se importou com ninguém, que foi embora sem motivo porque não queria dividir a miséria com a gente, não queria ajudar e foi muito mais fácil deixar minha mãe cuidando de dois filhos sozinha enquanto ele não tinha mais que se preocupar com a família dele.

Me lembro de diversas vezes em que Mike dividia o lanche da escola comigo porque eu não tinha dinheiro para pagar o meu e tudo que havia em casa era pão e leite, que muitas vezes não era suficiente nem para nos alimentar.
Eu sempre quis ajudar em casa, mas nunca soube como.
Quando completei doze anos comecei a cobrar para dar beijo nas garotas da escola, deu certo por um tempo, dois dólares cada um e no final do mês eu conseguia colocar dinheiro em casa. Para mim estava ótimo, fazer uma coisa que eu adorava (beijar) em troca de dinheiro, que era algo que sempre precisávamos.
Mas não durou tanto, porque quando completei treze, cobrar pelos beijos já não era mais uma opção.

Minha mãe foi garçonete, caixa de mercado, recepcionista e secretária mas infelizmente nenhum dos trabalhos durava muito e ela passava meses desempregada.
Sempre foi difícil, mas conseguíamos nos virar com o pouco.

Me desperto e volto para a realidade com uma garota linda me olhando esperando eu dizer alguma coisa sobre o que prometi lhe contar. Respiro fundo e começo do início.

Eu: Meu pai foi embora quando eu tinha nove e nunca pensei em procurá-lo, eu e a Natalie sempre tivemos muita raiva dele depois que nos deixou - digo sem olhar na direção dela - Mas quando eu tinha quatorze anos comecei a procurar por ele, não para pedir dinheiro! Porque eu não queria nada que viesse dele, mas foi por curiosidade, queria falar com ele, ver como ele estava, porque tinha feito o que fez... E só finalmente o achei quando fiz quinze anos, e desejo até hoje que nunca tivesse o encontrado

Isabella: O que aconteceu? - pergunta calmamente e se aproxima 

Eu: Ele continuava morando aqui na cidade mas não estava sozinho

Isabella: Ele teve outra mulher depois da sua mãe? - esboço uma risada debochando da situação

Eu: Queria muito que tivesse sido só isso - faço uma pausa e penso em como terminar o que comecei - Quando o encontrei ele estava muito bem de vida, muito mesmo, parecia outra pessoa.

Isabella: Não acredito...

Eu: Nem eu acreditei, depois que nos deixou a vida dele virou de ponta cabeça porém ele estava cagado de dinheiro, mas calma que eu não cheguei na melhor parte - dou risada sem ter a intenção de rir de verdade - Meu pai que criou The Shades.

O queixo dela caiu e eu fiquei sério analisando sua reação, na época isso não foi um choque tão grande para mim porque eu nem sabia o que era essa gangue, até fazer parte dela...

Isabella: Mas... Como? Ele... E você?

Eu: Não sei o que te fez acreditar que um moleque estúpido de um buraco da Flórida poderia fundar uma gangue internacional sozinho

Isabella: Te conheço suficiente para saber que você teria capacidade disso

Eu: De qualquer forma, não fui eu e me arrependo amargamente por ter entrado nessa merda

Nerd Popular Onde histórias criam vida. Descubra agora