Capítulo Dois

480 71 145
                                        

No dia seguinte ao "boato-do-banheiro-e-da-falta-de-calcinha", eu chego atrasada na escola porque perdi a hora. Entro na segunda aula e a sala está lotada e silenciosa. Percebo que Victor faltou e não teve ninguém para guardar meu lugar, que é na frente, perto da mesa do professor. Só me restou uma carteira nos fundos, ao lado da fileira da parede.

E da garota nova.

Caminho de cabeça baixa para a carteira vaga, corando e tentando não chamar mais atenção para mim mesma. Tiro a mochila das costas e a coloco no chão, deslizando para a cadeira de plástico fria. Ajeito minha saia para que cubra minha bunda e cruzo os tornozelos, como a garota certinha que sou.

Estamos na aula de história, e como sempre, o professor passou três capítulos do livro didático para lermos em silêncio e depois responder as perguntas na parte de trás do livro. Pego o meu exemplar da mochila. Na hora que me abaixo para pegá-lo, meus olhos sem querer batem nas pernas longas e magras da garota nova. Desvio o olhar rapidamente e me ponho a ler os capítulos enormes que o professor passou.

Quem dera eu conseguisse me concentrar!

Agora que notei a presença de Chloe logo ali do meu lado, não consigo deixar de reparar nela. E tudo o que Victor me contou ontem, fica rodando na minha cabeça, enquanto tento inutilmente me concentrar na matéria.

"Será que ela faz mesmo isso?" minha mente fica me induzindo, quando eu tento me voltar para a matéria. "Será que ela é tão puta quanto dizem? Não pode ser! Como uma garota poderia transar com um monte de caras no banheiro da escola. É tão nojento! Mesmo uma puta não teria esse atrevimento... Ou teria?".

Meus pensamentos são tão ágeis e intensos que parecem gritar no meio da sala silenciosa, como se todos ali pudessem me ouvir divagar sobre a índole da garota nova. O que me deixa morrendo de vergonha.

Ao mesmo tempo, não consigo parar de olhá-la de canto de olho. Vendo nada mais que sua silhueta e acompanhando seus sutis movimentos. Quando ela cruza e descruza as pernas, ajeita a postura e então, por fim, apoia um cotovelo na mesa.

Estou tão tensa com meus pensamentos e meu corpo rígido, tentando não parecer que eu sou uma esquisita voyeur fissurada pela colega de classe, que demoro para reparar que ela não está virando as páginas do seu livro de tempos em tempos, como a maioria dos alunos eventualmente acabam fazendo. E só reparo nisso porque eu tive que me lembrar de virar a página para fingir que estava lendo.

Me empertigo na minha cadeira, intrigada. Será que ela está me observando também? Será que ela sabe que estou olhando ela de relance? Ai minha nossa! Vou morrer de vergonha se ela me pegar olhando para ela! Vai me achar a maior esquisitona.

Com o coração palpitando de pânico, temo que ela esteja me encarando neste exato momento, e que em breve venha tirar satisfações comigo. Não a ouvi falando muito em sala desde que chegou - exceto para rir com os garotos que a rodeiam - mas e se ela for do tipo brigona? E se quiser me bater por ficar olhando pra ela? Vai ser tão humilhante.

Abaixo ainda mais a cabeça, praticamente enfiando o nariz no livro para me esconder. Mesmo assim, a sensação de estar sendo observada não me deixa.

Vencida pela curiosidade, preciso saber se ela está me olhando de volta. Acabo virando a cabeça de lado casualmente, para tirar a prova. No entanto, ela não está mesmo olhando para mim. Seu rosto está virado para frente e os lábios estão comprimidos, o olhar meio perdido. O braço esquerdo está apoiado na mesa, como eu já tinha notado antes, tampando sua visão de mim. E a outra mão, está debaixo da mesa, enfiada entre as pernas dela, como se ela estivesse coçando a pele em um lugar meio constrangedor.

Só que não é isso que ela está fazendo.

Só preciso de dois segundos, antes de desviar meu olhar para ter certeza que sua mão não está só enfiada em baixo da saia, como está enfiada dentro da calcinha. O boato de que ela anda sem calcinha é falso, afinal. O que ela faz na realidade, é bem pior.

Ali, no meio da aula de história, com quarenta alunos em volta, a garota nova estava se masturbando.

Agora sim, definitivamente, eu enfio o nariz nos livros, para esconder minha cara queimando de constrangimento por ver aquela cena horrível, que ficou marcada na minha mente - tenho certeza - para o resto da vida.

Se antes eu tinha dúvida se Chloe era uma puta, agora eu tenho certeza.

Vote, pois seu voto é muito importante para dar engajamento ao livro ❤️

✨ Comente, pois sua opinião é muito importante para eu saber o que está achando da história ❤️


Almost Love - Volume 1 | ✓Histórias para pegar e não largar. Descubra agora