Capítulo Quinze

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- Hoje não vou na sua casa – digo à Chloe, na hora da saída.

- Por que não? – ela me questiona franzindo a festa no rostinho de porcelana.

Porque não quero ver seu irmão, penso e não digo.

Chloe não faz ideia do que aconteceu na última sexta, e eu obviamente não vou contar a ela. Mas que desculpa eu vou dar a ela, pra não ter que ir a sua casa e correr o risco de dar de cara com o seu irmão?

- Minha mãe... disse que eu estou passando muito tempo fora de casa e quer que eu arrume meu quarto – minto, mais ou menos. Ela disse mesmo que eu estava passando muito tempo fora de casa, mas ficou feliz por eu estar saindo mais e fazendo amizades, já que eu sempre fui extremamente caseira.

- Tudo bem, então eu posso ir na sua casa – ela sugere.

- Não! – eu nego imediatamente, e me arrependo por ter sido tão rude.

Chloe franze as sobrancelhas para mim.

- Por que não? Tem algum problema eu ir na sua casa? – ela fala com certa irritação na voz.

Continuamos a andar nosso caminho de sempre para longe da escola. Comprimo os lábios e fico em silêncio, pensando numa boa resposta.

Acho que fico muito tempo quieta, porque Chloe torna a falar:

- Você nunca me convida pra ir a sua casa. Está escondendo alguma coisa de mim?

- Não... – minha voz falha, o que não me ajuda muito.

Brinco com as pontas do meu cabelo, nervosa, querendo pensar rápido numa resposta que não a magoe.

- É que minha mãe não trabalha, então não teríamos privacidade nenhuma na minha casa – me parabenizo por ter achado a resposta perfeita e por não ser uma mentira.

- Nós podemos ficar no seu quarto, não tem problema – ela insiste.

- É, mas... – pense, Perrie, pense! – minha mãe não gosta que eu fique com a porta fechada. E... e... toda hora ela passa no meu quarto pra dar uma olhada – minto outra vez.

- Sério? – Chloe franze o narizinho de botão pra mim – que coisa. Sua mãe deve ser meio neurótica.

- Ela é - me sinto meio mal por ter dito isso sobre a minha mão, mas não dá pra voltar atrás agora – por isso eu prefiro ir na sua casa, onde podemos nos divertir sem ninguém nos enchendo o saco. Só que não hoje. Então, amanhã, se minha mãe deixar, eu vou, tudo bem? Tchau! – e atravesso a rua, tomando um caminho mais longo para a minha casa, antes que Chloe me questione.

Eu menti para Chloe. Bem, em algumas partes. É verdade que minha mãe não trabalha. Ela sempre foi dona de casa, porque o emprego de advogado do meu pai paga o suficiente para nos sustentar e ela gosta de cuidar da casa. Mas essa coisa de que ela não me deixar fechar a porta do quarto e ficar me vigiando a todo o momento é mentira. Minha mãe é uma mulher bem tranquila. Em certos aspectos.

A verdadeira razão para eu não querer trazer Chloe a minha casa, é porque eu tenho medo do que minha mãe vai pensar quando a vir. Contei sim a minha mãe que tinha feito uma nova amiga - afinal, não tinha como esconder, indo todos os dias para a casa dela depois da escola. Mas não disse que essa tal garota tem certa fama na escola e que se veste e age como uma piriguete.

Minha mãe é muito certinha e carola e sempre encrencou com roupas curtas e maquiagem forte. Ela nunca aprovaria minha amizade com Chloe se a visse com aquela saia minúscula e o batom vermelho. E morreria se me visse do mesmo jeito.

Almost Love - Volume 1 | ✓Histórias para pegar e não largar. Descubra agora