...
Eu nunca tinha imaginado aquela cena nem nos meus sonhos mais loucos.
1. Era passada da meia noite;
2. O vento gelado não estava colaborando para um simples passeio;
3. Um Spencer Gale estava parado no meu gramado, atirando pedrinhas na minha janela - isso não aconteceria nem em uma peça teatral;
4. Eu não fazia ideia do que ele queria.
Apesar do que tinha acontecido mais cedo, não tinha certeza se ele tinha vindo para falar sobre aquilo ou se simplesmente tinha descoberto sobre meu romance com a Corrine e queria me matar. Tentei não pensar muito negativo, o que não foi tão difícil, meus nervos ainda estavam alterados pelo dia excêntrico.
Puxei um moletom do guarda-roupa, vesti-o e desci até a porta dos fundos. Saí e chamei a atenção do garoto que me esperava de braços cruzados.
- Spencer? É meia noite! - eu tentei sussurrar com um ar dominante.
- Eu sei, mas se não viesse aqui não ia conseguir dormir - ele se aproximou e veio até a varanda.
- O que foi? - estava um tanto curioso.
- Como assim o que foi?! Você é doido ou o que?
- Como? - por alguns instantes eu realmente achei que fosse a descoberta do meu romance.
- Quem em sã consciência se atira na frente de um carro em movimento?
- Mas me atirei em você, não no carro - ao saber do que se tratava, meu coração aliviou.
- Exatamente por isso, por que fez isso? Podia ter se machucado! - QUÊ? O SPENCER GALE DEMONSTRANDO COMPAIXÃO? Impossível.
- Sei que nossa relação é meio complicada, mas eu não podia ficar lá parado sabendo o que ia acontecer!
- Você é maluco! Doido!
- Se veio me pedir pra não tocarmos mais no assunto, tudo bem, eu entendo.
- Quê? Não. Eu vim porque, no fundo eu tenho uma alma - e pela primeira vez em anos, enxerguei um outro Spencer.
- Tudo bem, não precisa falar nada se não quiser.
- Eu preciso, você podia ter se machucado de verdade e eu nem agradeci à altura - ele baixou os olhos e ficou retraído.
- Olha, eu juro pra você que esperava um "obrigado" ou um simples aceno de cabeça, mas não um "eu sei me cuidar sozinho".
- Mas eu sei! - ele frisou - Só queria dizer que ninguém nunca tinha feito algo assim, nem mesmo os imbecis que se dizem meus amigos.
- É porque você tá na panelinha errada - debochei passando a mão nos cabelos.
- Não força Sánchez - um sorriso brotou no canto dos seus lábios - Você é realmente muito errado - ele soltou essas palavras e começou a rir de verdade.
- Shiu! Assim vai acordar a minha irmã - eu disse tentando parar de rir também.
- Sério, foi mal por hoje, talvez você não seja um completo tapado do jeito que eu achava.
- Não, eu sou um pouquinho pior - continuamos a rir.
- É, então estamos bem? - a bandeira branca veio por parte do Gale senhores, isso mesmo!
- Claro! - eu disse enquanto dava um soquinho em seu ombro.
- Nunca tinha te visto nadar, até que não é ruim - ele lembrou da surpresa que eu tive à tarde.
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Mexicano
Ficção AdolescenteThomáz Sánchez, um quase formado estudante de ensino médio. O último ano promete festas, brigas, amores e, quem sabe, uma amizade improvável.