Capítulo X

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"Eu sei, mulher, não se vive só de peixe, nem se volta no passado
As minhas palavras valem pouco e as juras não te dizem nada
Mas se existe alguém que pode resgatar sua fé no mundo, existe nós."

(Partilhar, Rubem e Ana Vitória).

Começamos a conversar com frequência, milagres acontecem, como parecia estar triste, decidi chamá-la para ir à praia, o mar já é tão feliz com a lua, mereço ser também.

- Aqui é Charlie , deixe seu recado.- caixa postal.

- Quem fala é o Nando, eu e mais alguns amigos, vamos para a beach, à noite se quiser ir te levo, aproveitar para descansar, vamos?.

Meia hora depois, retornou a ligação.

- Oi, Nando eu não sei.- desanimada.

- Amiga nem tudo é trabalho, só um pouco.- com a voz fina.

- Tá bem, mas se eu ir, não ficarei junto com seus amigos, preciso de paz.

- Compreendo, pode ser, que horas te busco?.- animado.

- 18:30 está Ok?.- distraída , sem muito ânimo.

- Ótimo, às 18:30.

Exagerei no perfume, 18:00 cheguei na casa dela, fazia um calor de 40 graus, porém, estava vestida com camisa de manga longa e calça jeans.

- Se arruma te espero.

- Já estou arrumada.- concluiu.

- Charlie está um calorão lá fora, vai derreter, coloca um biquíni e tá bom.

Olhou para o seu corpo com vergonha.

- Não posso, tenho 20% do corpo queimado.

Isso explica , por estar sempre com moletom.

- Tu é linda de qualquer maneira, sua pele é perfeita, do jeito que é, dá uma voltinha.- pedi com respeito.

- Uau, coisa mais linda do mundo.- babando e não é pouco.

- Tem certeza?, as pessoas vão ficar olhando.- insegura.

- Pega essa frase para vida, seja um grande dane-se. Você é perfeita.

- Hum... acho que vou colocar então, espera aqui viu.- subindo a escada.

- Por ti, até duas vidas.- pensei alto demais.

- Falou alguma coisa?.- voltando.

- Não, disse nada, impressão sua.- tenho que perder essa mania.

Três minutos , e ela desceu.

- Que tal?- dando uma voltinha .

- Mana, tu arrasou.- hipnotizado por sua beleza.- Afrodite ( deusa do amor e das coisas belas , na mitologia grega) por que choras?- brinquei.

Tinha os cabelos soltos, passou batom vermelho e seu biquini era azul intenso, ainda caso com essa mulher.

- Bobalhão.- dando um beijo no meu rosto.

Pause esta leitura, no momento estou no sétimo céu, numa esquina do universo.

- Vamos, agora!.- esperando pra fechar a porta.

- Aham.

Coloquei na rádio FM , e tocou uma das minhas músicas favoritas, pode ficar mais perfeito que isso.

Chegamos , ficamos na beira do mar, sem falar nada, o silêncio já diz tudo. Encostou sua cabeça no meu ombro e ficou.

- Vou te contar uma história, não contei para ninguém, entretanto, sinto que posso confiar em você. -olhando a lua.

- A minha mãe, chamava-se Ana, ela morreu de amor, mas não o romântico e sim o falso, havia conhecido um cara, este, andava com as mãos sempre para trás e isso de alguma maneira me assustava.

- Por quê?.- justifica porque sente necessidade de se auto proteger.

- Dava impressão de ser autoritário, lembrava o Hitler.- Esperava que mudasse, o jeito, ficasse mais bonita, de fato, ficou no início, e como não quis estragar, sua felicidade, fiquei quieta.- parou de falar, segurando o choro e continuou.

- Passou, então 3 meses, começou a dormir cedo, não se importava com nada, até que apareceu , com o olho roxo, tentou usar óculos para disfarçar, e aí resolveu terminar com ele.- inclinando a cabeça pra cima.

- Mas Dona Ana, fez certo, Ricardo, não aceitou o fim, não é?.- deduzi é aquele famoso caso da vizinha ao lado ou a parente .

- Sim, a perseguiu, liguei pra delegacia da mulher, conseguimos a medida protetiva, estávamos felizes.- sequei uma lágrima do rosto.

- Sinto muito.- vendo uma estrela cadente passando.

- Matou minha irmã com um tiro na cabeça, e minha a facadas na minha frente, foi horrível, ela gritou, implorou: - Não! Deixa a Charlie, volto pra ti.

Um longo minuto de silêncio agora é diferente, este, esconde a dor da alma.

- Enviei uma mensagem rapidamente pedindo socorro, quando a duas quadras viu, a sirene da polícia, pegou uns galões de gasolina e um fósforo.- roendo as unhas.

- É por isso..

- É..., mano tinha 8 anos, não vou vê-la casar, nem namorar e muito menos ir na sua despedida de solteira..

- Posso te dar um abraço?.- perguntei porque não tinha o que dizer, nada que dissesse mudaria.

Fez que sim com a cabeça e nele ficamos uma hora.

Esta história , não contava a ninguém, contudo, contou a mim.

Para sempre, CharlieOnde histórias criam vida. Descubra agora