Flashback 01
Segunda, 24 de dezembro de 1991 23:37 hrs.
Eu me perguntava porque estava ali de novo. Algo em minha consciência me dizia que eu estava voltando a ter pesadelos. Mas como, se agora eu nem dormia mais? Vampiros não tinham pesadelos, ou tinham?
A casa em Creek Street sempre foi pequena, mas agora que eu mantinha escondida em um depósito no qual minha mãe guardava materiais de construção e limpeza, fazendo a casa parecer ainda menor.
Era um dia frio. Lá fora nevava, e eu desejei poder ser uma adolescente comum, com amigos para fazer guerra de neve, mas ao invés disso, ali estava eu: encolhida em um armário de vassouras, e escutando os constantes gritos ecoarem pela casa.
Ele estava bêbado, o que não era novidade, e dessa vez a coisa estava realmente ruim. Eles não brigavam por uma louça que não tinha sido lavada ou pelo dinheiro que faltava porque ele havia gastado em bebidas e jogos. Dessa vez, Elizabeth queria ir embora e me levar consigo, ela queria recomeçar longe dele, mas ele não aceitava isso.
Ele achava que minha mãe havia conhecido outro homem, o que era impossível porque ela nunca saia de casa. Ele não deixava, a não ser que ela fosse acompanhada dele é claro, ou as vezes para alguma coisa realmente importante, como ir ao médico, mas fora isso....
Me encolhi quando escutei o barulho de algo se quebrando. Abri lentamente a porta e espiei sem realmente conseguir ver algo, até minha mãe cambalear e encostar na parede, tentando se defender, mas como sempre, não adiantava nada. Ele nem levantou a mão como fazia antes, ao invés disso tirou seu cinto de couro legítimo e fechei os olhos.
Ao escutar o primeiro estalo do cinto contra a pele cor de neve de minha mãe, a fúria tomou conta de mim, e sai em disparada para cima do babaca do meu pai. Eu o puxei pela camisa, mas eu não era forte o suficiente. Lhe dei um chute em suas canelas, que mais doeu em mim do que nele, até ele se virar. Seus olhos demonstravam raiva.
Sem dizer uma só palavra, ele me puxou de um jeito nada delicado pelos cabelos e me jogou no sofá.
— David! Não ! Não faça isso! — eu ouvia minha mãe tentando me proteger.
Ele estalou o cinto em suas próprias mãos, depois sorriu maliciosamente e então me atingiu.
Mordi os lábios esperando que ele acabasse logo.
Um, dois, três, quatro, golpes.
Ele não batia somente em um lugar, variava em minhas coxas, meu quadril e minha bunda, mesmo assim me machucava, e no quinto golpe, o mais forte de todos, eu gritei.
Gritei tão alto que ele me atingiu mais forte mandando eu calar a boca.
" Já chega! Por favor, pare com isso! " eu gritava em minha mente, mas não iria dizer isso a ele. Jamais deixaria que ele sentisse o gosto da vitória. Eu não era orgulhosa, longe disso, mas eu preferia me machucar ao vê-lo machucando minha mãe novamente.
— DAVID, PARE COM ISSO! ELA ESTÁ SANGRANDO! — escutei a voz de minha mãe ao longe, gritando horrorizada.
Olhei para David. A fúria em seus olhos era nítida, mas ele não parou. Continuou me batendo com força, até surgir gotículas de sangue em meu corpo e eu desmaiar com o pavor.
Acordei gemendo de dor.
Minha mãe cuidava de todos os meus curativos, que não eram poucos por sinal.
— Eu deveria levá-la ao hospital, mas seu pai está com medo de entregarem ele a polícia — ela disse carinhosamente enquanto encostava uma gaze no meu machucado próximo as costelas.
— Argh! — gritei —Ele não é meu pai! Aquele monstro não pode ser parte de mim! — revidei louca de raiva.
Vi minha mãe fechar os olhos com força, estava tentando prender o choro, eu tinha certeza disso.
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My imprinting
FanfictionAshley se vê perdida, sem rumo algum após a morte de sua mãe e Carlisle, tendo tamanha compaixão e apego pela garota, lhe faz a proposta para que a própria faça parte de sua família. Mesmo querendo recusar, Ashley se dá por vencida e sente que não p...
