Segunda Temporada 02x07

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Eu estava de plantão no hospital. Nos últimos dias, Carlisle havia convencido todos de que eu estava apta a fazer os procedimentos de triagem na ala infantil. Eu queria me especializar na área de pediatria e por isso, Dr. Evan White era meu orientador e superior nessa área. Para o pessoal do hospital, eu havia cursado a faculdade de medicina e agora somente queria me aperfeiçoar, porém, na verdade eu somente havia ficado dois anos em Harverd porque ainda não me sentia pronta para ficar perto de humanos, então, tudo o que eu havia aprendido tinha vindo dos livros e das informações que Carlisle me passava. Jasper, meu querido irmão,também era meu aliado. Ele havia conseguido meu diploma falso no mercado negro. É claro que eu não me orgulhava disso e que pretendia logo voltar para faculdade, mas gostava agora de minha nova vida. Seth era contador em uma loja de artigos e nas horas vagas, quando não estava patrulhando e revivendo os velhos tempos, nos curtíamos, mas aquilo sempre me dava uma sensação estranha, de que podíamos ter mais, de que sempre iria faltar alguma coisa. Não que eu não o amasse. Eu o amava como se fosse minha própria vida, Seth sempre seria especial e importante para mim.

Aquela noite estava uma verdadeira loucura no hospital, mas a ala de pediatria se encontrava calma, exceto por uma ou duas crianças, porém nada grave, somente uma crise alérgica aqui ou um resfriado ali. Eu estava um pouco entediada e decidi dar uma volta pelo hospital no meu horário de almoço. Não fazia sentido eu ter uma hora inteira para almoçar se sequer comia alguma coisa ali, minha alimentação era outra completamente diferente, mas é claro, ninguém ali sabia esse tipo de coisas sobre mim.
Acabei parando nos fundos do hospital, estava pensando em ligar para Seth e perguntar se ele estava ocupado, talvez poderíamos ir a um café juntos para eu vê-lo antes da patrulha. Desisti de fazer isso, quando o barulho de sirenes me chamou atenção, mesmo que há metros de distância. Uma ambulância havia acabado de chegar, e os bombeiros e paramédicos desciam com uma senhora que aparentava ter oitenta anos. Ela não estava consciente, e sua pele morena parecia um pouco esbranquiçada demais.
— Levem-a para o centro cirúrgico! — escutei alguém gritar.
— Mas Dra....
— Agora! — a médica de cabelos negros preso em um coque gritou em desespero, fazendo com que a equipe corresse com a paciente. Dra.Collen era sempre estressada quando se tratava de socorrer alguém em risco, e eu a compreendia completamente, pois ela tinha o mesmo espírito de força de Carlisle em quesito salvar vidas.
— Vovó! — a voz infantil fez com que eu desviasse os olhos da maca,e me esquecesse de perguntar a Dra.Collen o que estava acontecendo ali.
— Tirem ela daqui, levem a garota para a assistente social — um dos bombeiros falou.
Imediatamente me direcionem até eles, amostrando meu crachá.
— Dra. Cullen — me apressei a me apresentar — Vou levar a menina para checar os sinais vitais, ela estará segura comigo — garanti.
Todos olharam para mim com dúvida, enquanto ajustavam os aparelhos da avó da garota, Dra. Collen olhou para mim rapidamente sobre os ombros.
— Ela é filha de Carlisle Cullen, deixem-a fazer o trabalho dela.
Os bombeiros finalmente assentiram, deixando que eu pegasse a pequena garotinha no colo e a levasse para a sala de triagem comigo.
— Vovó! NÃO! NÃO! — a pequena menina gritava sem cessar, se debatendo milhares de vezes. Suas pernas batiam em um ritmo descompassado em minha barriga, enquanto eu a arrastava para a sala de triagem.
Ela chorou mais ainda, e vários "não" foram repetidos enquanto soluçava, então, quando finalmente viu que sua birra não acarretaria em nada, ela somente resmungou, e ficou quieta, fungando algumas vezes enquanto encarava a maca do hospital.
Peguei uma garrafinha de água, cujo as assistentes sempre deixavam a nossa disposição, e despejei o líquido em um copo plástico, dando para a menina.
— Tome, vai ajudar você a se acalmar — ofereci.
Ela simplesmente tocou em minha mão, desviando o copo de perto de si, sem sequer me olhar.
Suspirei, e deixei o recipiente sobre a mesa, passando a mão nos cabelos, pensando no que fazer.
— Ela vai ficar bem... — tentei assegura-la, e então, ela finalmente olhou para mim.
Seus olhos, por alguma estanha razão , me lembravam os olhos escuros de Seth. Seus cabelos dourados, caiam em cascata até a metade de sua cintura. E suas bochechas estavam coradas, depois de tanto chorar.
— Não minta para mim, ela morreu — afirmando com tanta certeza, a garota com olhos tristonhos sequer parecia ser uma criança.
Eu abaixei a cabeça, encarando meus pés.
— Ela tinha que ir me buscar na escola...era a minha família — a menina murmurou baixinho.
Meus olhos rapidamente procuraram os dela, querendo de alguma forma acolher a menina, fazer com que toda sua dor for embora.
— Eu também perdi minha família...— murmurei baixinho, sem pensar.
A menina me olhou com curiosidade, mas logo seus olhos estavam marejados. Batidas ecoaram na porta, mesmo eu sabendo que era Carlisle quem estava atrás dela, ainda sim, fiquei sem ação quando meu pai adotivo entrou na sala de triagem.
— Ashley, podemos conversar ?
Nos dois olhamos para a garota, que parecia perdida em pensamentos.
— Pode sair, vou estar aqui quando voltar — garantiu.
Eu a encarei por mais alguns longos segundos, entrando em conflito comigo mesma para decidir se sairia ou não da sala, até que por fim, segui Carlisle até o corredor e me vi fechando a porta.
Soltei um longo suspiro e passei a mão nervosamente por meia cabelos.
— É tão ruim assim ? — perguntei, analisando os olhos de Carlisle, que agora estavam negros.
Meu pai encarou o chão, sem dúvidas seu coração estava esmagado assim como o meu, e era por esses motivos que eu odiava a profissão que escolhera.
— Foi um AVC — ele informou.
Eu gemi, e mordi os lábios, querendo gritar, mas nada disso resolveria o problema agora.
— Vou levá-la para comer um pouco... — endireitei os ombros, e peguei na maçaneta da porta, mas Carlisle me impediu, colocando sua mão em meu ombro, me fazendo encará-lo.
— Ela me lembra você, quando eu te conheci. A diferença é que Alyssa não sabe se cuidar sozinha — Carlisle riu sem humor.
Encostei na porta derrotada, e olhei pelo vidro da janela. Alyssa, então era esse o nome dela. A garota de faces rosadas e olhos negros olhava em nossa direção buscando respostas.
— Não posso deixar que a levem para um abrigo. — meus olhos se voltaram para meu pai.
— O que sugere, então ? — Carlisle escondia um sorriso presunçoso no rosto. Ele tentava se manter sério, mas algo me dizia que ele já sabia a resposta, e eu não. Dei de ombros, e voltei a encarar a garota de cabelos dourados.
— Vou levá-la até a lanchonete, preciso pensar um pouco.
Carlisle concordou, e então entrei na sala, massageando as têmporas.
—— Vamos, você precisa se alimentar — estendi a mão para a garota, queria ajudá-la a descer da maca, mas ela cruzou os braços e me ignorou.
— Não quero comer, quero a minha vovó — gemeu e então, a sessão de choro foi iniciada.
Eu poderia ser fria, falar que a avó dela havia morrido e que a levariam para algum lugar qualquer onde ela sequer conheceria alguém, mas eu jamais fora fria, e meu coração nunca me permitiria deixar a menina ali sozinha, fragilizada.
Me aproximei hesitante, e mexi em seus cabelos, depois me sentei ao seu lado na maca e a puxei para meu colo.
Ela estremeceu com o contato de sua pele morna com a minha pele fria como gelo, mas não se afastou.
— Sinto muito, sinto tanto, querida — consegui falar, mas minha voz não era mais alta que um sussurro.
Fiquei brincando com seus longos fios ondulados por um longo tempo.
—— Não quero ir pra um abrigo. Na escola dizem que elas são sujos e frios, que é uma espécie de cadeia infantil... — seus olhos se arregalaram com o pavor conforme ela assimilava as coisas.
— Não, você não vai para um abrigo — alisei seu rosto angelical e sorri um pouco
— Não tenho pra onde ir. Minha mãe também morreu, e não sei por onde anda o meu pai — ela me abraçou mais forte, escondendo o rosto em meus joelhos.
Talvez Esme pudesse ficar com Alyssa, até ela completar 16 anos. Não seria má ideia, ela cuidou de mim tão bem...Minha mãe sem dúvidas saberia o que fazer. Mas primeiro, eu tinha que tirá-la do hospital, ajeitar as papeladas e provar que não havia sequestrado a garota...
Olhei para a menina inconformada em meu colo. O esforço valeria a pena, sem dúvidas.
— Você pode vir morar com a Dra.Cullen, o que acha ? — sugeri
Alyssa abriu a boca duas vezes antes de apontar para mim.
— Com você ?! — exclamou incrédula.
Desfiz meu sorriso na mesma hora.
— Não gosta da ideia ?
Ela não respondeu, somente enlaçou minha cintura e tornou a deitar em meu colo, me apertando com toda força que conseguia.
Entendendo aquilo como um sim, eu liguei para a recepção e avisei que tinha um imprevisto, que voltaria para o plantão no dia seguinte, então, puxei as chaves do meu Porshe do bolso da calça jeans e peguei Alyssa no colo.
—Vem, a assistente social não pode nem desconfiar disso... Cubra o rosto com o capuz — sugeri
Obediente, a menina seguiu minhas ordens, e então eu corro o máximo que pude até o estacionamento.
Coloquei Alyssa no banco de trás do carro e sai em disparada rumo ao chalé. Eu queria pedir ajuda a Esme, mas também não queria as opiniões negativas de Rosalie cercando-nos, não agora. A garota já havia passado por coisas demais por um dia só, não gostaria que ela sofresse uma rejeição agora, principalmente vindo de minha família, mesmo sabendo que talvez Rosalie não fizesse o mesmo que fazia comigo e com Bella alguns anos atrás...
Parei no chalé, e abri a porta do carro, Alyssa desceu assustada, olhando ao redor.
— Você mora no meio do mato! - ela exclamou, incrédula.
Eu soltei risinhos.
— É melhor para mim, me manter afastada de todos... — eu queria explicar a ela que talvez não fosse a melhor companhia do mundo, que ela correria riscos ficando comigo. Mas era como se agora eu estivesse na pele de Edward e acreditasse que era um monstro, enquanto a doce e velha garotinha confiava em você e fazia seu coração amolecer cada segundo a mais.
— Vem, vamos entrar.
Eu abri a porta e deixei que ela entrasse primeiro, depois digitei uma mensagem para Seth e cliquei em enviar.
" Preciso de você,
Beijos, A.Clearwater"

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