(+ LIVRO EM REVISÃO)
A fase adulta chega para todos. Principalmente quando a saudade da infância bate em momentos aleatórios de um dia qualquer. Fase essa que nossa única preocupação é a hora que os melhores desenhos iriam passar na TV ou quando nos...
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Eram exatos 10:00AM. Foi questão de eu levantar da cama e colocar a mão na cabeça que latejava de dor, com um movimento de vai e volta. Não que isso fosse anormal, estava com uma puta de uma ressaca — bebi demais na noite anterior e o som de quase estourar os tímpanos de alguém também já ajudava pra isso — e a primeira coisa que fui fazer era tomar um analgésico para poder acabar com essa dor que parecia pretender me acompanhar o resto do dia.
Fui direto para a cozinha e preparei um café mais amargo que a minha própria vida — talvez assim eu pelo menos despertasse do sono — e o beberiquei em goles pequenos. Ao terminar, me sentei em uma cadeira da sala de estar e acendi o cigarro que logo levei aos lábios — respirava fundo e soltava a fumaça, sentia aquilo acalmar os meus nervos —, observando as movimentações turbulentas lá por fora. Retirei o cigarro da boca e dei um leve tapa com o indicador para soltar as cinzas ainda presas na ponta do filtro.
Quando ainda pequeno, acostumei a ver meu pai fumar após chegar do trabalho ou então simplesmente voltar para casa depois de ter saído de bares aleatórios. Suas brigas com a minha mãe se tornavam cada vez mais feias e, o que o acalmava, era sentir a nicotina sobre seu corpo e assim fazer o efeito de sumir com os problemas. Quando cresci, acendi um cigarro pela primeira vez ao ter uma discussão feia com o meu pai — foi uma tentativa inútil de proteger a minha mãe — e sentia que aquilo fazia um efeito em mim, passava o tempo. O vício se tornara maior com os anos, nunca consegui ter o interesse de pará-lo. Ou talvez só não tivesse alguém que se importasse em ajudar, minha vida inteira foi assim.
Coloquei as mãos no rosto e joguei o cigarro gasto fora. Meu celular vibrava na mesa e não me dei o trabalho de atender — Âmber me ligava sem parar. Vesti meu tradicional moletom preto e o deixei acompanhado do capuz virado para trás. Coloquei minhas mãos suadas no bolso e assim sai andando aleatoriamente até a casa da Cooper, talvez assim ele me deixasse em paz.
Meus sentimentos por Âmber são imprevisíveis — ela era mais suportável no ensino médio, quando havíamos nos conhecido — e meus interesses são simplesmente na base de seu dinheiro. Eu gosto da garota, mas ela não me chama atenção ou sequer me faz "feliz". Na verdade, felicidade é uma palavra inexistente na minha vida obscura e sem graça. Estava com a Cooper por seu ego. As pessoas nunca se importaram comigo, meus pais muito menos. Aprendi que também não deveria ter a mesma consideração por ninguém.
Meus pensamentos se voltaram para a noite de ontem. Meu choque no rosto ao ver Aurora me fitando, sem reação, ao me ver beijando mais uma na rave. Pensei que passaria ileso mas, por questão de segundos, uma ponta amedrontadora surgiu por minhas veias. De nós quatro, a Hastings era de longe a mais quieta e observadora, eu tinha certeza que já percebera muitas coisas sem eu ao menos ter a oportunidade de falar uma palavra.
Aurora é inteligente, não se importaria com as consequências de dizer a verdade pra Âmber. Foi só por esse quesito que ameacei bater em Josh — era minha forma de defesa caso ela cogitasse abrir a boca — e assim deixar as coisas sobre uma verdadeira balança. Minha vida é cheias de problemas, se a loira de olhos tão verdes descobrisse a traição...talves tudo fosse simplesmente por ladeira a baixo.