- O que?! - gritei, me levantando da poltrona num movimento que gerou um enorme barulho após a mesma ser arrastada com força para trás. - Como ousa dizer uma coisa dessas?
- Hikari acalme-se - pediu Kakashi, da forma mais calma que conseguiu, o que atraiu minha atenção para ele.
- Mas Kakashi, você escutou o que ele disse? - perguntei, demonstrando indignação. - Ele acabou de acusar o meu pai de matar aquelas pessoas, isso não faz o menor sentido, ele nem sequer deve ter conhecido ele!
- Precisamos deixá-lo terminar a explicação para assim podermos deduzir o que houve, está bem?
Fiquei incrédula com aquele comportamento de Kakashi, ele estava calmo demais e aquilo me deixou bem incomodada. Novamente ele estava agindo de forma paciente na frente daquele homem.
Algo realmente muito estranho estava acontecendo ali...
- Tente ficar calma Hikari, não pode ficar se estressando desse jeito - alertou Naomi.
Bati a mão sobre a mesa com força, sentindo a raiva querendo tomar conta de mim naquele momento.
- Você tem inúmeros motivos para ficar assim - comentou Takeshi, com o tom de voz calmo. - Afinal, Hideo conseguiu esconder de você que não possuía o mesmo sangue que o dele.
Olhei nos olhos de Takeshi ao ouvir o nome verdadeiro do meu pai saindo da boca dele. Meu pai odiava aquele nome, devido a isso usava um codinome denominado Yoshiro dentro e fora da nossa vila, poucos o conheciam pelo nome verdadeiro.
Acabei me lembrando do mal pressentimento que senti quando estávamos prestes a entrar naquele lugar e para a minha surpresa, notei que havia uma energia diferente naquela sala, um chakra de alguém que não estava ali antes, localizado bem atrás de onde estava Takeshi, o que acabou gerando um arrepio em minha espinha de repente.
Decidi sair dali o quanto antes, me sentia sufocada naquele ambiente.
- Hikari aonde vai? - perguntou Kakashi ao me ver dando alguns passos para trás. - Não pode sair assim, não nesse estado.
- Chega, eu não quero ouvir mais uma palavra sequer deste homem.
Quando me virei para ir até a porta, notei que Naomi estava trancando ela, justamente para me impedir de sair, o que me deixou surpresa pela atitude ousada.
- Eu fazia parte do clã Akihiro, nasci e cresci naquele lugar - Takeshi começou a explicar como se eu não tivesse interrompido ele antes. - Um dia após os meus treinamentos diários, encontrei uma bela moça no meio de um campo florido. Ela segurava um pincel em uma das mãos, na outra um pequeno estojo de tintas e estava sentada em frente um cavalete improvisado no meio das flores enquanto retratava a paisagem ao redor dela.
"Não pode ser…" pensei, sentindo um o ar ali dentro ficando pesado de repente.
- Nosso "encontro" acabou sendo meio desajeitado, pois eu acabei assustando ela, e devido a isso, ela acabou danificando a pintura da qual tanto se dedicava - explicou ele, dando um leve sorriso ao lembrar daquilo. - Porém, eu insisti para ficar com a tela, foi quando vi pela primeira vez aquele doce sorriso do qual acabei me apaixonando.
Quando levantei o olhar para os quadros atrás dele, notei que o do canto esquerdo, que ficava na primeira fileira, havia um risco azul bem no meio, talvez fosse aquele que Takeshi estava falando.
- Naquele dia conversamos durante horas, sobre diversas coisas, uma delas era que ela morava em Konoha - disse ele, entrelaçando os dedos das mãos. - A partir daquele dia passei a frequentar a vila dela e com o tempo notei que estava perdidamente apaixonado. Não demorou muito para ela começar a retribuir os meus sentimentos e foi aí que notamos que não conseguíamos mais ficar longe um do outro.
Por algum motivo, comecei a sentir um aperto estranho no peito. A energia daquele chakra desconhecido ainda estava presente na sala, um chakra bem intenso. Por um momento me perguntei se era só eu que estava sentindo ele.
- Foi quando decidi sair da minha vila, comprei uma casa com algumas economias que tinha e após assumirmos o namoro, trouxe ela para morar comigo - continuou explicando ele. - Porém a nossa felicidade durou pouco, alguns anos depois a família dela passou a ter problemas envolvendo uma alta quantia em dinheiro. Isso gerou inúmeras discussões entre eles, e acabou afetando nosso relacionamento.
Takeshi precisou de alguns segundos em silêncio antes de continuar a história, demostrando o quanto estava sendo difícil para ele trazer o passado de volta a tona.
- Mesmo eu tentando impedir que o pior acontecesse, não adiantou, ela optou por sair de casa e voltar a morar com os pais. Eu sofri tanto com aquele término, e sofri ainda mais após saber que ela estava prestes a casar e ir embora com um dos amigos da família, um estrangeiro rico e poderoso. Um homem que conseguiu trazer de volta a paz para eles, a única paz da qual não pude oferecer na época...
Levei minhas mãos até o kimono, abrindo-o na área do pescoço, numa intenção de tentar respirar melhor.
- Eu decidi voltar para minha vila antiga, e alguns anos depois Keiko retornou. Estava tão diferente, triste e abatida - comentou ele, franzindo o cenho ao lembrar. - Uma mulher totalmente diferente da qual eu havia conhecido. Dizendo que havia sido expulsa de casa, que havia sido ameaçada de morte caso tentasse voltar. E enquanto implorava pelo meu perdão, revelou que estava grávida de uma filha minha quando saiu de casa.
Todos dentro daquela sala ficaram surpresos com a tal revelação. Eu podia sentir os olhares se dirigindo a mim, como se estivessem juntando as peças do quebra cabeças ao mesmo tempo.
- Eu a perdoei, pois sabia que não havia feito aquilo de propósito, ela havia se sacrificado pela família ambiciosa que tinha - disse ele, com certa raiva em sua voz. - Pedi para que ela ficasse comigo e ela aceitou, e não só isso, prometi a ela que iria pegar a nossa filha de volta. Que iríamos ser felizes novamente.
Engoli em seco, e em seguida precisei piscar os olhos algumas vezes, lutando contra as lágrimas que começavam a se formar em meus olhos.
- Foi aí que tudo começou a desmoronar, procurei por toda parte daquela vila, mas Hideo já estava ciente das minhas intenções. Pegou a menina e a levou para longe, mandando seus homens para a minha vila. Quando eu retornei, me deparei com a pior cena que já havia visto em toda a minha vida. A única mulher que amei com todas as forças, junto com o resto da minha família e o clã estavam todos… mortos.
Naquele momento eu congelei, sentindo como se estivesse perdendo o chão sob meus pés aos poucos. Aquelas revelações haviam sido como ondas avassaladoras, me atingido em cheio, como se eu fosse um rochedo perdido no meio do oceano, sendo quebrado em pedaços, e tendo os seus restos sendo levados por água abaixo, cada vez mais fundo.
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O Ninja Que Copiava - Parte 2
FanfictionParte 2 da história "O Ninja Que Copiava" (Por causa do limite de 200 capítulos ter sido atingido na parte anterior, irei continuar postando a continuação da história por aqui.) Momoe Hikari, uma shinobi renomada do País do Vento, chega em Konoha...
