[Nota da autora: Este capítulo estará substituindo o "Amor Incondicional" (se eu não me engano era o número 64). Decidi refazer, pois achei que ficou melhor desta forma, meio que ele faz mais sentido nesta parte da história.]
***
O longo vestido azul que eu estava usando me chamou a atenção de repente, eu não me lembrava de ter colocado ele, na verdade, eu não me lembrava de ter um daquele no meu guarda-roupas.
Ao ouvir o som de passos, olhei para trás imediatamente, foi quando vi a sombra de alguém passando de um quarto para o outro.
- Olá? Quem está aí? - perguntei, mas sem obter respostas.
Sendo atraída pela curiosidade, acabei decidindo ir até o quarto que estava logo a frente, entretanto, para a minha surpresa, após adentrar ao local, notei que ele estava vazio.
Eu jurava ter visto alguém entrando ali, ou teria sido apenas uma ilusão?
Aproveitei que estava ali para observar o interior do quarto, espaçoso e todo aconchegante. As paredes, num tom de lilás, davam um ar bem suave ao ambiente. A cama era enorme e na parede acima dela haviam três quadros de variados tipos de flores, posicionados um do lado do outro. Ao lado direito da cama haviam duas poltronas e a frente dela havia uma penteadeira branca com inúmeros acessórios sobre a mesma.
Quando me aproximei para ver mais de perto, levei o maior susto ao ver o reflexo de uma mulher sentada em uma das poltronas que antes estava vazia.
Foi quando me virei, sentindo minhas pernas trêmulas de repente.
- Como você cresceu... - comentou a mulher misteriosa, sem olhar para trás.
- Quem é você?
- Eu estava morrendo de saudades.
Franzi o cenho ao ouvir aquilo. Eu não fazia ideia de quem ela era ou que lugar era aquele.
- Saudades? Aonde eu estou?
A mulher manteve-se em silêncio enquanto ficava de pé. Usava um vestido, rosa claro e florido, que ia até a altura dos tornozelos. O cabelo longo, num tom de castanho escuro, me era familiar por algum motivo, assim como a voz tão doce e suave.
- Aqui é o seu lar, filha - revelou ela, virando-se de frente para mim.
Dei um passo para trás, batendo com o corpo na penteadeira enquanto levava as minhas mãos em frente aos lábios, extremamente chocada com o que os meus olhos estavam vendo naquele exato momento.
- M-mãe...?!
Olhei para ela, dos pés a cabeça, sem conseguir acreditar no que os meus olhos me mostravam. E não demorou muito para meus olhos se encherem de lágrimas.
- O que foi meu amor? - perguntou ela, vindo em minha direção. - Oh, não chore, por favor...
Minha mãe parou ao meu lado, levando sua destra até o meu rosto para afastar as lágrimas e em seguida deu um belo sorriso cheio de ternura. A voz dela passou a me acalmar como sempre acontecia quando eu era criança.
- Isso não é real, não é mesmo?
Ela se manteve em silêncio enquanto olhava em meus olhos, demonstrando uma leve tristeza no olhar.
- Vem - disse ela, pegando em minha mão, me levando até a cama. - Sente-se aqui, você parece cansada.
Fiz o que ela pediu, mas sem tirar os olhos dela por medo de que ela fosse desaparecer a qualquer momento. Minha mãe estava tão radiante e feliz, totalmente diferente de como eu ainda me lembrava dela antes dela ir embora de casa. O brilho dos olhos e do sorriso dela acabou fazendo com que eu me lembrasse do que Takeshi havia dito.
- Takeshi - sussurrei, como se estivesse pensando alto - Onde ele está?
Minha mãe se sentou na poltrona ao lado da cama, ajeitou a barra do longo vestido e depois olhou ao redor, como se estivesse admirando a decoração do quarto.
- Ele está bem, e está esperando por você.
- Foi você que me guiou até aqui, não foi? Esteve o tempo todo ao meu lado.
- Sim, fui eu - confessou ela, voltando a olhar em meus olhos. - Aguardei ansiosamente por esse momento.
Dei um sorriso ao ouvir aquilo, porém durou pouco até eu me lembrar do quanto ela havia sofrido nas mãos de Hideo.
- O que foi Hikari?
- Takeshi me contou toda a história - expliquei, demonstrando frustração. - Me disse que você sofreu demais ao lado daquele homem.
- Não fique pensando nisso, infelizmente nem tudo na vida são flores, há sempre os seus altos e baixos - comentou ela, estendendo a mão para tocar na minha. - O importante é aproveitar a vida ao máximo ao lado de quem amamos, mesmo com os desafios e obstáculos pelo caminho. Pude aproveitar bem o tempo em que estive com Takeshi e desse amor verdadeiro você nasceu, nos presenteando.
Precisei respirar fundo, numa tentativa de não desmoronar na frente dela após ouvir aquilo.
- Você também passou por muitas coisas ruins, não consigo me perdoar por não ter sido capaz de te proteger.
Envolvi a mão dela entre as minhas, em seguida levei ela até o meu rosto, lembrando da minha infância ao lado dela. Mesmo em meio as dificuldades, ela sempre havia me dado muito amor e carinho.
- Não se preocupe mãe, na verdade, você sempre esteve comigo em meus pensamentos e em meu coração.
- Oh, Hikari... - sussurrou ela, se levantando e vindo até mim, me abraçando com força. - Você se tornou uma mulher admirável.
Retribui o abraço, me sentindo segura e protegida entre os braços dela, me deixando levar pelo perfume do qual ainda me lembrava.
- Assim como a minha mãe sempre foi.
Naquele momento as lágrimas foram inevitáveis para ambos, mas a felicidade prevalecia.
- Me arrependo por não ter sido totalmente sincera com você...
- Você só estava tentando me proteger.
O abraço se tornou mais firme do que antes.
- Deixe-me ficar com você.
- Ainda não chegou a sua hora Hikari - explicou ela, se afastando um pouco para me olhar nos olhos. - Há muitas pessoas esperando por você, pessoas que te amam incondicionalmente.
Embora o medo de deixá-la ali sozinha fosse enorme, o olhar calmo e sereno dela passou a me tranquilizar, era tão bom vê-la feliz daquela maneira finalmente.
- Não queria dizer isso - comentou ela, com tristeza em sua voz enquanto olhava para a própria mão. - Mas acho que preciso ir agora.
Olhei para a mão dela, notando que parte dela estava desaparecendo.
- Não... Ainda não...
- Hikari, está tudo bem, eu estarei sempre em seu coração.
- Eu te amo, muito mais do que pode imaginar.
- Eu sinto isso, eu também te amo muito meu amor.
Dei um sorriso e em seguida voltei a abraçá-la, o mais forte que consegui naquele momento, sentindo as lágrimas transbordando por meus olhos.
- Não tenha medo de aproveitar a vida Hikari, você já sofreu demais para ficar se privando da felicidade.
Levantei meu rosto após ouvir aquilo, me sentindo meio confusa, foi quando vi a imagem dela desaparecendo aos poucos por entre as minhas mãos.
- Aliás, antes de ir, preciso que diga umas coisas para Takeshi...
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O Ninja Que Copiava - Parte 2
FanficParte 2 da história "O Ninja Que Copiava" (Por causa do limite de 200 capítulos ter sido atingido na parte anterior, irei continuar postando a continuação da história por aqui.) Momoe Hikari, uma shinobi renomada do País do Vento, chega em Konoha...
