Eu admirava o colar pendurado entre os meus dedos quando ouvi os passos vindos do corredor. Na hora pensei que fosse ser Takeshi retornando para me dizer mais alguma coisa, ou até mesmo Naomi para fazer mais algum tipo de exame, mas após a batidas, outra pessoa apareceu assim que a porta foi aberta.
- Kakashi?
- Posso entrar?
- Claro, fique a vontade.
Kakashi então entrou e fechou a porta do quarto, e enquanto se aproximava de onde eu estava, senti que ele estava mais tranquilo ao me ver.
- Como você está? - indagou ele, sentando ao meu lado na cama.
- Sinceramente, eu não sei como responder a sua pergunta - confessei. - Mas no fundo, sinto que vou ficar bem.
- Isso mostra o quão forte você é.
Olhei para ele por um breve momento, e em seguida dei um sorriso.
- É o que tento transparecer, mas não significa que é verdade.
- Porque diz isso?
- A cada dia que passa, eu ando perdendo a capacidade de sentir as coisas...
Kakashi pareceu confuso por um breve instante.
- Isso não é verdade - ele estendeu a mão em minha direção. - E eu posso te provar isso.
A voz de Kakashi acabou me causado um leve arrepio inesperado, soando tão enigmática daquela maneira. Embora eu quisesse aquilo, sabia que precisava me manter sob o controle, até mesmo dos meus próprios pensamentos.
Ao me ver hesitando, Kakashi levou sua mão até a minha, acariciando-a bem devagar.
- Desculpe por ter falado com você daquele jeito, por ter te contrariado.
- Kakashi…
- Eu estava bem estressado e acabei descontando em vocês.
Fiquei sem saber como reagir a aquele pedido de desculpas, ele estava sendo bem sincero ao assumir aquilo.
- Todos estávamos. Nunca pensei que diria isso, mas Genma estava certo, acabei me precipitando.
- Dez vez em quando ele acerta em algo, tipo uma vez a cada 99 erros seguidos.
Comecei a rir após ouvir aquilo, o que acabou contagiando Kakashi. Era tão bom ver que agora estava tudo bem entre nós novamente. Eu conseguia me sentir segura ao lado dele, ele me fazia rir até em momentos como aquele.
- Não consigo esquecer sobre o que houve com aquele clã, e pensar que tudo aquilo foi causado por aquele homem… E pior, por pouco não tentei matar o meu verdadeiro pai.
- Ei - murmurou ele, aumentando a firmeza de seus dedos ao redor da minha mão. - O importante é que não fez isso. Descobrimos a verdade e, embora não dê para recuperar as vidas perdidas, conseguiremos reverter a situação para que não haja mais mal entendidos daqui pra frente.
Era impossível manter um pensamento ruim quando Kakashi estava comigo, era como se ele tivesse um manual de instruções onde revelava como lidar comigo em todas as situações.
- Ainda está de pé a prova que havia citado?
Kakashi assentiu.
- Quero te levar a um lugar.
***
- Este templo é maior do que eu pensei - comentei enquanto andávamos pelo corredor. - Chega a ser meio assustador.
- Pensei que só eu achava isso, é mesmo assustador.
Kakashi parou em frente a uma das porta, pegou um par de chaves e a destrancou. Depois deu um passo para o lado, abrindo o caminho para mim.
Fiquei impressionada com o interior daquela sala, e enquanto caminhava por ela, fiquei admirando os móveis e as decorações. Do lado direito havia um pequeno bar, com diversas bebidas disponíveis e ao lado dele, um balcão com dois bancos. No lado esquerdo havia um belo e enorme sofá da cor vinho ao lado de uma estante lotada de livros. E já no centro havia um magnífico piano de cauda branco, o que dava um ar tão diferente ao ambiente.
- Nossa… - sussurrei, indo me sentar no banco que ficava de frente para o piano. - Como descobriu esse lugar Kakashi?
- Bom…
- Foi Takeshi que deu a ideia, não foi? Creio que ele está querendo prolongar a nossa estadia aqui.
Kakashi se manteve em silêncio enquanto fechava a porta, se aproximando devagar em seguida.
- Kakashi…
- Ele me pediu para irmos amanhã - confessou ele, levando o dedo indicador até as teclas do piano, tocando-as uma após a outra, deixando uma doce e breve melodia se propagar pelo ambiente.
Assim que ele parou, eu dei um suspiro, fingindo estar brava enquanto desviava o olhar. Em seguida me levantei do banco e fui até a lateral esquerda do piano.
Kakashi então veio até mim, parando há um passo de distância de onde eu estava.
- Mas, se você quiser - murmurou ele, levando uma mecha do meu cabelo para trás da orelha. - Podemos ir agora mesmo.
Precisei piscar os olhos algumas vezes, tentando não manter aquele contato visual, numa tentativa falha de não começar a perder o juízo.
- Pensando bem, acho melhor irmos amanhã bem cedo, logo irá começar a anoitecer e…
Parei de falar assim que notei que ele deu um passo para frente, e em reação a isso acabei dando um passo para trás, batendo meu corpo de leve no piano. Porém devido a isso as duas tampas caíram, gerando um som desagradável no ar. Kakashi ao invés de recuar, continuou se aproximando até deixar o rosto bem próximo do meu.
- Eu estou te assustando? - sussurrou ele, bem próximo do meu ouvido.
- Não, longe disso…
Quando Kakashi deslizou o rosto sobre o meu devagar, senti que seria perigoso se não me afastasse dele o quanto antes. Entretanto, quando tentei executar o plano, Kakashi parecia já estar preparado, pois levou uma das mãos em minha nuca, me segurando de forma firme, enquanto a outra começava a puxar sua máscara para baixo. Foi quando desviei o olhar rapidamente.
- O que está fazendo Kakashi?
- Pode olhar para mim Hikari, ao contrário do que imagina, eu não me importo que você faça isso.
Quando voltei a olhar no rosto dele, senti meu coração parar de bater por alguns segundos e quando ele voltou a funcionar, passou a bater mais rápido. Era impossível que um homem com aquela beleza pudesse realmente existir no mundo. Tão bonito por fora e por dentro. Até mesmo a cicatriz que ele possuía sobre o olho do Sharingan não interferia nisso.
- Você é tão bonito Kakashi…
O sorriso encantador dele acabou me deixando num estado ainda mais hipnótico.
- Eu penso o mesmo sobre você. Porém, muito mais.
Naquele momento senti o meu rosto queimando, meu coração estava ainda mais agitado e era difícil respirar direito com ele tão perto daquele jeito.
O brilho intenso nos olhos dele ardiam, e enquanto uma de suas mãos estava ocupada, me mantendo perto dele, a outra foi diretamente para as minhas costas e foi nesse momento que senti que era tarde demais pra fugir.
Após se abaixar um pouco, ele me deu um breve beijo bem no canto de meus lábios, o que acabou comigo, causando um conflito interno dentro de mim, entre a razão e o coração.
- Kakashi…
- Shh… - sussurrou ele, acariciando minha nuca devagar - Está tudo bem Hikari, não precisa ficar nervosa.
Mal sabia ele que estava conseguindo me provocar, me deixando tentada a me aproveitar da situação.
Kakashi então levou os lábios até os meus, me beijando de forma lenta e gentil, me fazendo derreter entre os braços dele. Os meus pensamentos desapareceram naquele momento, junto com os meus receios. Os lábios macios dele me conduziam enquanto as mãos firmes me incentivavam a continuar.
Não demorou muito para a intensidade daquele beijo aumentar e quando dei por mim, eu estava puxando-o pelo kimono, fazendo-o abrir ainda mais.
Kakashi então me ergueu pela cintura, me colocando sentada sobre o corpo do piano antes de voltar a me beijar, foi quando aproveitei para pressionar minhas pernas ao lado da cintura dele, levando meus braços ao redor do seu pescoço.
Uma das mãos de Kakashi deslizou por minhas costas indo em direção a cintura enquanto a outra desceu da minha nuca, sendo apoiada sobre a minha perna, e eu podia sentir ela deslizando aos poucos em direção a área interna do meu kimono.
A situação acabou fugindo do controle e só parou quando Kakashi apertou minha cintura, justamente em meu ponto fraco, ato que me fez dar um gemido involuntário por entre os beijos.
Aquilo fez ele enlouquecer, foi quando ele decidiu parar o que estávamos fazendo.
- Hikari, me desculpe mas não podemos… Quero dizer, não aqui.
Recuei os meus braços, libertando-o, depois ajeitei meu kimono enquanto tentava recuperar o meu fôlego.
- Eu também tive a minha parcela de culpa nisso - comentei após sair de cima do piano, indo em direção a porta - Além disso, você está certo, não podemos.
- Hikari, espere por favor, você sabe bem o que eu quis dizer…
- É melhor eu voltar para o quarto agora Kakashi, neste exato não estamos em condições de ficar sozinhos.
"No final ele estava certo, eu não havia perdido mesmo a capacidade de sentir..."
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O Ninja Que Copiava - Parte 2
FanfictionParte 2 da história "O Ninja Que Copiava" (Por causa do limite de 200 capítulos ter sido atingido na parte anterior, irei continuar postando a continuação da história por aqui.) Momoe Hikari, uma shinobi renomada do País do Vento, chega em Konoha...
