- Entre! - Rasa ordenou.
- Me disseram que o senhor estava me procurando.
- Ora, é você Baki.
- Quer que eu espere aqui fora? - Ele perguntou ao notar que havia nos interrompido.
- Não, pode entrar, Hikari e eu já terminamos a nossa conversa.
Baki fechou a porta atrás de si e enquanto se aproximava de nós, pude notar aquele olhar desconfiado em minha direção.
- Eu lhe chamei porque preciso que me faça um favor.
- Como posso ajudá-lo senhor?
- Acompanhe Momoe Hikari até a sala de treinamento no subsolo, apartir de hoje ela terá aulas com a equipe Anbu.
- Mas senhor, a agenda de Hikari ficou bem apertada depois que me pediu para incluir mais missões e as horas extras no hospital.
- Então diminua as horas de descanso dela. - Ele disse num tom de voz bem sério. - Eu quero que ela aproveite bem cada minuto dos treinamentos.
- Como quiser senhor.
Baki manteve-se inexpressivo durante toda a conversa que teve com Rasa, era uma característica dele que eu já estava bem acostumada. Ele sempre conseguia deixar de lado suas emoções e vontades pessoais, priorizando sempre o seu trabalho. Um ninja extremamente devoto em tudo o que fazia e nunca contrariava um pedido do Kazekage ou dos membros do conselho.
- Sou muito orgulhoso por ter uma ninja como você em minha equipe Hikari, portanto eu espero que não me decepcione novamente. - Rasa disse enquanto se dirigia até a porta. - Apartir de hoje você irá mudar, mas será uma mudança para o seu próprio bem.
O ambiente foi tomado por um clima bem tenso após o quarto Kazekage ter saído da sala, e alguma coisa no olhar de Baki estava me deixando bem incomodada.
- Vamos indo Hikari.
- Sensei eu não quero fazer isso.
- Isso já está decidido, portanto você precisa obedecer as ordens do Kazekage.
- Nós dois sabemos que eu não vou conseguir conciliar todas essas tarefas.
- Não se preocupe. - Ele disse enquanto abria a porta novamente. - Vamos dar um jeito para que você consiga.
- Mas sensei…
- Não torne as coisas ainda mais dificíeis do que já estão Momoe Hikari!
Parei de tentar debater com ele ao ver aquele olhar que ele sempre usava quando perdia a paciência comigo, e em seguida passei por ele para sair da sala.
Enquanto seguíamos em silêncio pelo corredor, em direção às escadas que davam acesso ao subsolo, fui tomada por pensamentos negativos.
Eu estava sentindo um misto de sentimentos naquele momento, as palavras cruéis do Kazekage martelavam a minha mente, e era doloroso saber que ele nunca havia se importado de verdade com sua própria família, colocando os dois em risco por causa da obscessão pelo poder.
- Preciso te dizer uma coisa antes de prosseguirmos Hikari. - Baki disse após parar na metade da escada que dava acesso ao subsolo.
- Pode me dizer sensei.
- Eu te aconselho a apagar por completo esse rancor que criou do Kazekage dentro de você, é o seu dever seguir as ordens dele sem fazer questionamentos.
- Porque está me dizendo isso agora?
- Apenas faça o que eu estou te falando, ou acabará enfrentando sérias consequências.
- Será que você pode tentar entender o meu lado pelo menos uma vez sensei? Ele me pediu para simplesmente esquecer o que aconteceu naquele dia.
- Eu te entendo, mas infelizmente as coisas nem sempre funcionam do jeito como gostaríamos. O que houve no passado é um assunto dele e de ninguém mais, por isso aproveite que ele te deu uma nova chance e mostre que você será capaz de se tornar alguém de quem ele possa se orgulhar ainda mais no futuro.
Dei um longo suspiro de indignação ao ouvir aquilo, afinal era impossível debater com ele, Baki sempre seria fiel ao Kazekage.
- Agora é a sua vez de entender que tudo isso é para o seu próprio bem.
Em seguida Baki voltou a descer as escadas novamente e eu me mantive em silêncio atrás dele até chegarmos em um corredor mal iluminado.
- Eu não sabia que haviam tantas salas aqui em baixo.
- Poucas pessoas sabem sobre este lugar, boa parte dessas salas são utilizadas pela Anbu, para situações diversas.
Pouco tempo depois, Baki parou ao lado de uma das portas e deu algumas batidas nela para anunciar a nossa chegada.
- Podem entrar.
Senti um frio no estômago ao ver aqueles dois integrantes da Anbu nos aguardando no centro da sala, ao lado deles haviam apenas uma mesa e uma cadeira.
Por um momento pensei em recuar rapidamente e ir embora daquele lugar, mas antes que eu pudesse pensar em colocar esse plano em ação, senti a mão de Baki em meu braço, me puxando para dentro da sala.
- Finalmente! - Um deles gritou enquanto cruzava os braços.
- Verdade, estávamos ficando cansados de tanto esperar.
- Vocês dois estão sendo bem exagerados.
- Não me diga que você irá participar também Baki?
- Não, o senhor Kazekage apenas me pediu para trazê-la. - Baki respondeu enquanto me levava para perto deles. - Está é Momoe Hikari.
- Prazer em conhecê-la, me chamo Hideki e este daqui ao meu lado é Junpei.
- Então essa é a garota que iremos…
- Junpei não seja tão precipitado. - Hideki disse enquanto levantava seu braço na direção de Junpei para interrompe-lo. - Pode se sentar nesta cadeira Hikari.
Me sentei na cadeira e em seguida olhei para Baki que permaneceu impassível ao meu lado.
- Que tipo de aulas eu terei com vocês?
- Aulas? Devo admitir que o senhor Kazekage foi bem criativo dessa vez Hideki. - Junpei disse e em seguida começou a rir.
Hideki olhou para Baki por um momento e em seguida os dois se afastaram de mim, indo até a porta para conversarem a sós.
Enquanto eu aguardava, notei pelo canto de meus olhos que Junpei continuava me encarando, o que me deixou bem assustada.
Quando enfim os dois haviam terminado de conversar, Baki abriu a porta e antes que ele pudesse sair, eu me levantei rapidamente.
- Sensei!
Baki virou-se em minha direção e ficou me olhando por um momento, aquela pausa me indicava que ele estava pensando bem no que ia me dizer.
- Eu virei para te buscar mais tarde Hikari, por isso comporte-se e não se esqueça do que lhe pedi.
Minha vida nunca mais foi a mesma apartir daquele momento em que Baki me deixou naquela sala com aqueles dois.
Eu havia sido tão inocente em pensar que aquelas seriam apenas aulas normais, como todas as outras que eu já tive.
Tudo aquilo não passava de um disfarce do próprio Kazekage para iniciar uma fase de inúmeras sessões de torturas físicas e psicológicas contra mim.
Eles usavam diversas técnicas de ninjutsus e genjutsus poderosíssimos, durante horas seguidas, para testar o meu psicológico ao extremo.
O primeiro dia foi o pior de todos, porque graças aos dois, eu pude reviver por diversas vezes, a cena que eu mais tentava apagar da minha mente, o dia da morte da esposa do quarto Kazekage.
Numa repetição infinita, que pareceu ter durado anos em minha mente e mesmo após o término daquela sessão horrível e cruel, eu ainda continuava com a cena inteira repassando várias e várias vezes em minha cabeça.
Havia sido tão real que eu acabei entrando em um estado de choque muito grave e a recuperação foi extremamente lenta e difícil.
Por pouco não perdi minha sanidade mental durante aqueles longos anos que se seguiram.
A intenção inicial deles eram de me treinar para ser capaz de suportar diversos tipos de situações que envolviam pressões psicológicas.
Passei longos anos da minha vida aperfeiçoando minhas técnicas de combate, ampliando os meus conhecimentos em medicina ninja e o mais difícil de todos, sobreviver a toda aquela pressão que eram os testes psicológicos nas mãos da equipe Anbu.
Tudo isso para buscar o nível da perfeição que tanto me era cobrado pelo líder da minha vila.
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O Ninja Que Copiava - Parte 2
FanfictionParte 2 da história "O Ninja Que Copiava" (Por causa do limite de 200 capítulos ter sido atingido na parte anterior, irei continuar postando a continuação da história por aqui.) Momoe Hikari, uma shinobi renomada do País do Vento, chega em Konoha...
