Entrei em um estado vegetativo enquanto tentava negar tudo aquilo a mim mesma, tentando me convencer de que Takeshi estava mentindo. Enquanto as lágrimas começavam a transbordar pelo meu rosto, em minha mente passava diversos pensamentos, misturados com lembranças de um passado distante. Na verdade, de um falso passado que carreguei comigo durante anos.
- Então Takeshi é o verdadeiro pai de Hikari… - murmurou Genma, como se estivesse pensado alto.
- Sim - comentou Naomi, indo em direção a mesa - Eu aproveitei para fazer um teste de DNA, uma prova para o caso de surgir alguma dúvida sobre isso.
- Não que precisasse disso - comentou Takeshi, olhando em meus olhos. - Hikari tem os olhos da mãe dela, senti que era a minha filha desde quando olhei para eles.
Minha tentativa desesperada de tentar me convencer do contrário foi completamento em vão, pois aquilo estava se tornando cada vez mais real. Isso explicava quem era o doador do sangue que Naomi havia usado para fazer a transfusão durante a cirurgia. Aquilo também queria dizer que a minha vida havia sido uma farsa. A minha infância, uma das partes que ainda se mantinha viva em meu cérebro, era uma mentira inventada por um homem do qual eu sempre respeitei e senti orgulho de ser chamada de filha por ele. Minha inspiração e motivação principal para eu ter entrado nesse ramo da medicina. Por causa dele acabei criando um grande ressentimento e mágoa pela minha mãe, achando que ela havia nos abandonado por vontade própria.
A raiva começou a tomar conta do meu interior só de lembrar da forma como ele me tratava, como tratava as pessoas da vila, de forma gentil e prestativa.
E pensar que aquilo era apenas uma máscara para esconder o grande monstro disfarçado que ele era. O mesmo homem que eu tanto amava havia mandado matar minha mãe e tantas outras pessoas inocentes de forma tão fria e covarde.
O sangue em minhas veias começava a ferver a cada segundo que passava, e naquele momento eu senti que precisava fugir daquele lugar o quanto antes.
Fui em direção a porta e em seguida puxei a maçaneta, forçando a mesma para baixo com força, disposta a quebra-la se fosse necessário. Não demorou muito para uma mão segurar meu braço de forma gentil, numa clara tentativa de me fazer parar com aquilo.
- Hikari não faz isso - pediu Kakashi. - Eu sei que não está sendo nada fácil para você, mas se continuar assim vai piorar o seu estado.
- Me solta Kakashi - ordenei, com o tom de voz furioso, sem tirar os olhos da porta. - Eu não vou pedir novamente...
- Desculpe, mas não posso deixar você sair agora, você não está em condições de ficar sozinha.
A insistência dele acabou aumentando ainda mais a raiva que a esta altura já havia passado dos limites, foi quando concentrei meu chakra na palma de minha mão, e quando levei minha mão até a dele, Kakashi notou que a minha intenção era a de machucá-lo, foi quando puxou meu outro braço para trás, me imobilizando.
- Hikari, o que está fazendo?
- Me solta, eu quero sair deste lugar agora mesmo! - gritei, quase de forma histérica enquanto me debatia entre os braços dele.
Ao sentir meu chakra aumentando descontroladamente, Kakashi decidiu me soltar rapidamente, quase adquirindo novas queimaduras em suas mãos.
Acabei perdendo o controle para a raiva e foi quando senti o meu chakra explodindo dentro de mim.
- Não pode deixar a raiva te dominar Hikari!
O conselho de Kakashi acabou vindo tarde demais, meu chakra só aumentava e foi aí que as coisas começaram a seguir por um caminho ruim. Por eu ainda não ter conseguido recuperar meu chakra por completo, assim como ele aumentou rápido demais, esvaiu na mesma proporção e devido a isso a marca da maldição foi ativada.
Precisei levar uma das mãos até o pescoço ao sentir uma intensa fisgada que me tirou o fôlego.
- O que está acontecendo com ela? - perguntou Takeshi, entrando em desespero.
Logo depois fui atingida novamente por uma dor dilacerante naquela mesma área, o que indicava que o pior havia acontecido. O grito de dor que saiu por entre os meus lábios preencheu o ambiente deixando todos em alerta.
- Não pode ser… - sussurrou Kakashi.
Na terceira fisgada, que veio com força total, senti minha visão embaçar durante alguns longos segundos, e durante esse meio tempo acabei perdendo a força nas pernas, começando a cair em direção ao chão. Porém, antes que eu pudesse me chocar contra ele, Kakashi me puxou rapidamente, impedindo que eu me machucasse. Em seguida se abaixou devagar, me ajudando a sentar no chão, me deixando entre os braços dele.
- Hikari, fica calma, eu estou aqui com você - pediu ele num sussurro, levando uma das mãos até meu rosto. - Não deixe isso te controlar.
Precisei fechar meus olhos ao sentir a dor ficando cada vez mais forte, os gemidos agora saiam mais frequentes e o pior de tudo era que eu não conseguia fazer aquilo parar.
- Não consigo Kakashi…
Kakashi afastou meus cabelos, e em seguida puxou um pouco meu kimono para ver a situação que se encontrava a marca em meu pescoço.
- Olhe para mim Hikari.
Abri meus olhos, procurando o dele.
- Você consegue, já fez isso antes.
Comecei a respirar fundo, procurando forças em meu interior para lutar contra aquilo, porém estava mais difícil dessa vez, o meu corpo parecia querer se entregar de vez.
Após ouvir alguns passos, Takeshi surgiu ao nosso lado, se abaixando para ver o meu estado.
- Hikari, aguente firme! - dizia ele, pegando em minha mão. - Não posso perder você também…
A voz de Takeshi começou a ficar cada vez mais baixa de repente, minha visão voltou a ficar embaçada aos poucos, meu corpo não respondia mais aos meus comandos e até respirar se tornou algo complicado.
A preocupação no rosto dele enquanto me olhava daquela forma, causava em mim um sentimento novo em meio ao caos atual.
"Então esse foi o homem do qual minha mãe se apaixonou e amou até o último dia de sua vida…" pensei, em meio a dor e as lágrimas.
O quadro que havia me chamado a atenção assim que entramos naquela sala me veio em mente de repente, me fazendo lembrar de uma fotografia que minha mãe possuía dentro de uma das gavetas de roupas dela. Era a mesma imagem, como eu pude esquecer daquilo? Aquela casa que estava retratada na tela era a casa em que os dois viverem em Konoha, por isso me era tão familiar. A energia que eu havia sentindo atrás de Takeshi durante a reunião, assim como as visões indicando o caminho desse templo, só podia ser a minha mãe tentando me ajudar a encontrar meu verdadeiro pai, não tinha outra explicação.
Não durou muito tempo até eu perder a consciência devido a dor que se tornou ainda mais insuportável, fazendo meu corpo ceder de vez entre os braços de Kakashi.
"A situação realmente podia ter sido diferente, e eu não estava só me referindo a missão em si, e sim a minha vida inteira."
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O Ninja Que Copiava - Parte 2
FanficParte 2 da história "O Ninja Que Copiava" (Por causa do limite de 200 capítulos ter sido atingido na parte anterior, irei continuar postando a continuação da história por aqui.) Momoe Hikari, uma shinobi renomada do País do Vento, chega em Konoha...
