Jyuu Ni

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O dia deveria ser de celebração, o filho mais novo da família Masamune acabara de nascer. Entretanto, algumas pessoas se perguntavam se era realmente uma boa sorte já que a criança nasceu durante um dia completamente azarento. Levando isso em conta, não queria dizer que este bebê viveria por pouco tempo ou talvez teria uma vida miserável?

Apesar disso, ele era um menino forte e saudável, contradizendo todos os rumores de que ele poderia nem mesmo sobreviver ao parto. Houveram muitas felicitações e desejos de boa fortuna para a senhora que estava sendo mãe pela segunda vez, o filho mais velho estava ansioso para ensinar o novo integrante da família tudo o que sabia e o pai estava levemente preocupado com o agouro. Enquanto seu filho mais velho atendia pelo nome de Minoru, o mais jovem recebeu o nome de "Hikaru"[1], na esperança de que esse nome viesse a afastar o mau presságio.

Entretanto, os dias felizes e de luz chegaram ao fim quando a criança finalmente abriu seus olhos. Havia se passado quase um mês desde seu nascimento e suas pálpebras permaneciam fechadas, porém quando realmente se abriram, foi uma surpresa para todos. Não havia íris escuras como ônix ou castanho como a madeira de uma árvore, ao invés disso, eram olhos azuis tão claros quanto o céu de inverno. Todos ficaram em choque ao ver tais íris e se perguntaram se o bebê havia nascido cego, mas quão grande foi a surpresa ao perceberem que a criança era totalmente saudável e podia enxergar perfeitamente bem. Esperavam que seus olhos se tornassem escuros com o tempo, visto que outras crianças as vezes nasciam com olhos claros e então ficavam em uma cor normal, mas isso nunca aconteceu realmente com o pequeno, permanecendo no mesmo tom claríssimo mesmo após anos.

As pessoas próximas começaram a murmurar boatos sobre a mãe e seu filho, chegando a conclusão de que ela havia dado à luz um pequeno demônio. Era melhor que esse demônio fosse eliminado antes que se tornasse perigoso ou viesse a causar problemas para todos. Entretanto, a esposa do senhor do clã não aceitava isso, todos estavam enganados a respeito dela e seu filho mais novo. Chegava a ser um pecado achar que um menino tão doce e inocente quanto qualquer outro fosse um monstro.

Quando a criança foi levada pela primeira vez a um santuário, os monges previram que a má sorte caminharia ao seu lado até o dia de sua morte e ele jamais conseguiria se livrar dela, quando menos esperasse, sua vida sempre estaria por um fio. Em resumo, ele não viveria muito tempo segundo as previsões, então era melhor que fosse morto de uma vez para evitar seu martírio. Apesar disso, a senhora da casa não aceitou a previsão de forma alguma. O presságio estava errado, tinha de estar.

Afinal, por que uma criança inocente teve de ser amaldiçoada daquela forma quando nem ao menos havia feito nada?

"O que foi que você fez, Chou?! Dormiu com um demônio para dar a luz a essa criança?!" O pai disse, alterado. O casal estava brigando entre si, o filho mais novo foi deixado junto com o mais velho enquanto discutiam. O senhor da casa estava furioso, os boatos de que sua esposa havia dormido com outro fariam qualquer um perder a cabeça. Somado ao filho diferente do normal, era como madeira alimentando as chamas de sua fúria.

"É claro que não! Eu não dormi com ninguém além de você!"

"Então como você explica esses olhos?! Se isso não é filho de um demônio, então ele próprio é um!"

"Como você ousa?!" A senhora da casa, Madame Chou[2], estava extremamente irritada. "Ele é seu filho! Hikaru só é diferente, apenas isso, mas é um menino saudável e tão comum quanto qualquer outro!"

"Esqueceu que aquilo nasceu durante o butsumetsu[3]?! E a previsão dos monges?! Não vou reconhecer um demônio como filho! Saia da minha frente e me deixe acabar com a vida daquela coisa!"

A mulher puxou sua própria espada e se meteu na frente dele, o impedindo de dar mais um passo. Por ser uma guerreira, principalmente sendo a líder do exército, ela possuía grande maestria com armas, mais até que o senhor com quem era casada. Isso por si só o fez hesitar.

Hasu No HanaHistórias para pegar e não largar. Descubra agora