Capítulo 28

29 1 0
                                        

Meus tios nos encontraram poucos momentos depois, minhas lágrimas já haviam secado e a foto guardada, eu apenas observava a paisagem. Nos dirigimos a uma sala que eu não conhecia, um local oferecido por Dumbledore para nosso transporte. Já que eu e meu primo não podíamos aparatar, íamos usar pó de flu para irmos até a casa.

A fogueira já estava acesa quando entramos, era um local escuro e com alguns poucos móveis velhos, cheios de poeira e com nenhum enfeite, parecia abandonada a anos, meu tio acendeu a fogueira e entregou um pouco do pó para cada um de nós.

Will foi primeiro, jogou o pó na fogueira, imediatamente o fogo ficou com uma cor esverdeada, entrou nele, recitou as palavras e desapareceu em meio a fumaça. Eu fui a segunda, joguei minha porção de pó, entrei no fogo, a sensação do calor que eu já havia sentido diversas vezes me invadiu, recitei as palavras "Para a Mansão Gard", uma fumaça me circulou, fechei forte meus olhos e quando os abri havia chegado.

Coloquei minhas coisas do lado da lareira, junto com as de Will, estávamos na sala de estar, e ao meu ver ela não havia mudado nada, o espaço era imenso, em frente à lareira haviam duas poltronas de veludo vermelho e uma madeira escura, pouco depois dela havia um imenso tapete vermelho como sangue, no qual se encontrava uma mesinha de centro, com um vaso de vidro dentro, do lado da mesinha havia um sofá de três lugares, marrom escuro, no outro lado da mesinha, encostado a parede, havia uma estante de livros que ocupava quase a parede toda. Passava a mão vendo os títulos das obras, passará diversos dias observando aqueles livros, desejando um dia ler todos eles.

Atrás do sofá haviam alguns quadros da família, alguns de Will, outros que apareciam a minha família também, outros somente com os 3Ms, me afastei da estante e fui observar as fotos, uma em especial chamou minha atenção, eram meus pais sorrindo e acenando ao lado de meus tios, reconhecia o lugar, era o jardim da minha casa, minha mãe e minha tia estavam grávidas, e os maridos a abraçavam por trás, novas lágrimas brotavam em meus olhos.

- Eu também amo essa foto. - falou minha tia vindo por trás de mim, nem havia a visto chegar.

- Eles eram felizes...

- Realmente eram, sabe Amy, você e seu irmão eram a luz da vida de seus pais, nunca esquecerei o dia que sua mãe descobriu que estava grávida pela primeira vez, ela e seu pai haviam casado a poucos anos, - desviei meus olhos para minha tia, que ainda observava a fotografia - ela chegou na minha casa e me disse que tinha uma ótima notícia para me contar, fora no mesmo dia que eu descobrira minha gravidez. Os olhos dela se encheram de lágrimas de alegria quando dei a notícia, e os meus também, quando soube a notícia dela, nos abraçamos e ficamos algum tempo daquele jeito, conversando de maneira silenciosa. - agora os olhos dela também estavam cheios de lágrimas.

- Vocês eram muito próximas certo? - lembrei de todas as tardes em que brinquei no jardim com o meu primo e meu irmão enquanto elas riam na sala, as vezes desejava saber o motivo das risadas.

- Você nem imagina... Sua mãe se tornou minha melhor amiga, ela era uma pessoa boa, que procurava fazer sempre o bem... É uma pena que ele tenha ganhado essa batalha. - acrescentou em um cochicho, pensativa. 

A fala de minha tia me deixou confusa, quem poderia ter ganho a batalha? E que batalha era aquela?

- Quem tia? Quem ganhou a batalha? - ela suspirou e secou as lágrimas.

- Um dia você entenderá minha querida, ainda é muito jovem, há muitos mistérios para serem desvendados... - dito isso ela me beijou na cabeça e saiu, me deixando observando a foto e com milhares de perguntas circulando em minha cabeça.

———————————————————————————

Peguei minhas malas e subi as escadas até o segundo andar, a última porta a direita seria meu novo quarto (Will havia me dito isso ainda na escola), minha coruja já se encontrava lá, piando mais que nunca, ela ficava adormecida o caminho inteiro, fechei as janelas e a porta, coloquei as coisas na cama e abri a gaiola, permitindo a ave voar por todo o quarto.

O espaço era muito amplo, tinha uma cama de casal em um canto, ao seus pés uma grande janela, perto da porta havia uma cômoda e uma escrivaninha na parede oposta a cama, com uma cadeira. Tudo era em tons de branco e dourado, assim como os outros quartos de hóspedes, sentei na ponta da cama e observei o espaço ao redor, ali seria meu novo lar...

Depois de alguns minutos me levantei e comecei a guardar minhas roupas, estava colocando a última blusa da mala na gaveta quando bateram na porta.

- Entra! - gritei.

- Licença. - falou alguém adentrando no quarto.

- Espera, o que? - disse finalmente me virando para a porta.

- SURPRESA! - gritou meu amigo da porta, enquanto corria para seus braços.

- Que saudade. - afirmei pulando em seus braços, ele me segurou pela cintura.

- Também estou, faz o que? 3, 4 anos?

- Por aí... Mas, como você sabia que eu ia estar aqui? - perguntei quando fui colocada no chão.

- Um passarinho amarelo me avisou...

- Entra passarinho amarelo! - gritei, ambos olhando para a porta.

Um primo um pouco constrangido colocou a cabeça para dentro da porta.

- Eai...

- Eu não pedi espaço?...

- Pediu, mas eu achei que - não o dei tempo para terminar.

- Obrigada. - agradeci, abraçando-o, o mesmo retribuiu o abraço.

- Tá ficando legal seu quarto. - comentou o menino quando nós afastamos, indicando o espaço com a. mão.

Foi então que percebi que a porta q continuava aberta e Snowy solta.

- Falando nisso, tenho que guardar uma corujinha na gaiola. - peguei a coruja, que estava em cima da cômoda, a prendi de volta na gaiola, com uma certa dificuldade, guardei a mala que estava em cima da cama embaixo da mesma e me sentei, observando os dois meninos na minha frente.

- A propósito, vamos na sua casa amanhã buscar o resto das suas coisas. - avisou meu primo.

- Certo, obrigada. - olhei para o chão, e de volta para as pessoas na minha frente - Eu, não tenho que decidir o que fazer com... Bom, tudo aquilo, ainda né?

- Não, claro que não, só vamos para pegar algumas coisas suas, pra você se sentir mais à vontade. - balancei a cabeça confirmando, e assim ficamos.

Aquela era minha nova realidade, e amanhã meu quarto teria um pouco mais do meu estilo, eu ia me acostumar, disso eu sabia.

A POTTER PERDIDAOnde histórias criam vida. Descubra agora