Capítulo 25

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Ficamos algumas horas lá, nos perdemos no tempo, entre treinos de feitiços, molhar os pés no lago, olhar as nuvens e ouvir as histórias mais loucas, horas se passaram sem que percebêssemos. Voltamos ao castelo rindo, estávamos na porta quando Snowy pousou em meu ombro com uma carta, imaginei que seria a resposta dos meus pais, mas ao abri-la percebi que estava errada.

- O que é Am? - perguntou Diana, acho que minha expressão assustada indicava que não era algo bom.

- Ahn? A nada.... Eu acho, Dumbledore quer me ver na sala dele, não deve ser nada importante, eu espero. - respondi sem tirar os olhos da carta em minhas mãos.

- Eu vou com você então. - dissera Luna.

- Eu também. - concordaram todos.

- Muito obrigada pessoal, - agradeci olhando para eles - mas não acho que é uma boa ideia, aposto que é besteira, depois eu falo com vocês. - sorri no final tentado demonstrar uma coragem que eu não possuía, eles apenas assentiram, então segui para dentro.

Não sabia o motivo daquilo, porém, entendia que o diretor não me chamaria para sua sala se não fosse algo importante. Fiquei pensando em tudo que eu podia ter feito de errado, não lembrava de nada grave o suficiente, mesmo assim meu sangue gelara.

Andei por algum tempo, não sabia onde era o local, mas então achei a professora McGonagall, sabia que ela era o braço direito de Dumbledore, então pedi para ela me ajudar a chegar lá. Ela me acompanhou até uma gárgula, disse uma senha esquisita e me acompanhou subindo uma escada circular. Ao entrar percebi que Will também estava lá, a professora saiu e fechou a porta.

- Desculpa diretor, tem algum motivo para o senhor ter me chamado até aqui? - perguntei assim que as portas foram fechadas, estava me tremendo, não sabia o que podia ser.

- Senhorita, chamei você e seu primo aqui, pois tenho uma infeliz notícia para te dar e, devido às suas condições, achei que seria adequado que seu primo estivesse presente, mas se preferir ele pode esperar lá fora. - olhei para o menino ao meu lado que parecia constrangido, e, assim como eu, não aparentava ter ideia do motivo de sermos chamados.

- Não, não tem problema diretor, ele pode ficar...

- Sentem-se por favor. - pediu o diretor indicando as cadeiras na frente da sua mesa.

- Não gostaria de dar essa notícia apenas uma semana antes das férias de Natal, - nossa eu nem havia percebido que o tempo passara tão rápido, em uma semana ou eu continuaria em Hogwarts comemorando com meus amigos, ou estaria em casa com meus pais - porém é necessário que esse assunto seja tratado. Srta. Amy Belgard, é sobre seus pais. - a cor fugiu de meu rosto, o que podia her acontecido a eles?

Olhei para meu primo, que estava da mesma cor que eu, ele definitivamente não sabia de nada, voltei meus olhos para o diretor que falava calmamente, enquanto nos observava pelos oclinhos de meia lua.

- Srta. Belgard, sinto informar que seus pais, eles faleceram senhorita.

- O QUE? - foi tudo que consegui dizer, me levantei da cadeira, minha visão começou a ficar embaçada, devido às lágrimas, aquilo não podia estar acontecendo.

- Eles foram atacados, os aurores já estão atrás de quem cometeu o crime, mas infelizmente eles não sobreviveram. Recebemos o aviso a poucos momentos.

- Amy você... - Will não conseguiu completar a frase, estava ao meu lado, aparentava estar extremamente atordoado.

Comecei a me tremer, meu chão havia desaparecido, as lágrimas desciam torrencialmente, não conseguia emitir palavra alguma, flashbacks dos meus últimos momentos com meus pais passavam por minha cabeça, comecei a ficar extremamente tonta, minha visão ia e vinha, dessa vez não lutei, apenas me segurei em meu primo e desmaiei.

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Minha cabeça doía, ouvi vozes ao longe, mas não sabia de quem eram, minha vontade era permanecer com eles fechados, voltar a dormir. Uma parte de mim me impediu, uma parte me fez abrir os olhos, minha visão começou embaçada e aos poucos foi clareando. Reconheci o diretor, ao seu lado se encontrava Madame Pomfrey, eles conversavam sobre algo, o qual eu não prestei atenção.

Olhando ao redor percebi que não estava mais na sala do diretor, estava na ala médica. Me encontrava deitada em uma cama, ainda com as mesmas roupas, porém com um cobertor branco em cima de mim, do meu lado tinha uma mesinha com um copo de água pela metade, e ao lado dele Will, ele olhava para baixo.

- Will... - chamei seu nome, ainda com a voz fraca, fazendo o menino olhar para mim.

- Amy, que bom que você acordou. - falou o menino se levantando, vi que seus olhos estavam inchados e seu rosto levemente vermelho, devia ter chorado bastante.

- Senhorita,  nem tente se levantar, você ainda está muito fraca. - alertou Madame Pomfrey, antes de Eu poder falar qualquer coisa.

- O... o que aconteceu, não foi real, foi? - perguntei olhando para todos, confusa, os olhares de pena responderam tudo que eu precisava saber.

Uma nova onda de dor se assolou em mim, as lágrimas começaram a descer, aquilo não podia ser real, em 12 dias seria o aniversário de morte do meu irmão e agora meus pais morreram. Eu estava sozinha. Will, tentou segurar minha mão para me acalmar, mas por algum motivo o gesto só me deixou extremamente irritada com ele, imediatamente puxei minha mão e gritei para todos saírem, eles obedeceram e fecharam a cortina ao fazê-lo.

Não sei por quanto tempo fiquei deitada naquela cama chorando, lembrando de cada momento que já passara com meus pais, eles haviam partido... Minha visão estava embaçada devido as lágrimas, porém ainda consegui tirar o anel de meu dedo, ele tinha uma ave pequena na ponta, desabotoei meus shorts, peguei o guardanapo que havia em um dos bolsos, e com a asa da águia adicionei mais uma cicatriz, junto as outras. Ainda entre lágrimas senti o sangue quente escorrer, porém antes que ele chegasse às minhas roupas o limpei e estanquei com o guardanapo, coloquei minha lingerie e o shorts de volta ao lugar, deixando o guardanapo em cima do novo corte, preso pelas roupas. Continuei chorando até dormir novamente, mas dessa vez as lágrimas caíam silenciosamente.

Acordei novamente um tempo depois, olhei para o teto por alguns minutos, tirei o cobertor de cima de mim e me levantei, tirei o guardanapo ensanguentado da ferida que já tinha estancado e o guardei novamente no bolso. Minha cabeça não doía mais, acho que dormi mais do que imaginara, sentei na cama, soltei as tranças de meu cabelo, que agora estavam extremamente desalinhadas, coloquei novamente os tênis, tentei limpar as lágrimas secas do rosto e saí da ala.

- Senhorita, trate-se de se deitar novamente. - brigou a enfermeira vindo em minha direção, acompanhada do meu primo.

- Não, eu... eu só quero ir para o meu quarto, por favor. - implorei sem me mover.

- Madame Pomfrey, pode deixar ela, Sr. Belgard, por favor acompanhe sua prima até a sala comunal da Corvinal, e diga que tem permissão para acompanhá-la aonde ela desejar. - mandou Dumbledore, que havia entrado na enfermaria a pouco tempo.

Will obedeceu, fui na frente e ele veio logo atrás de mim, como se estivesse apenas esperando eu cair, o diretor ficou nos observando e, assim que fechamos a porta, ele e a enfermeira começaram a conversar.

A POTTER PERDIDAOnde histórias criam vida. Descubra agora