Naquele dia em especial Anahí acordara cedo - pouco preocupada com o que vestiria - afinal era dia de ver o bebê no ultrassom. Marcou com entusiasmo o final de mais uma semana no calendário de parede, e sorriu com as notificações do celular dos vários aplicativos que baixara para conseguir entender os processos de mudança que via em seu corpo no decorrer da gestação.
Desceu as escadas silenciosamente para que Arthur não acordasse, mas de nada adiantou já que Charles buzinava do lado de fora gerando alarde entre o amontoado de cachorros. Entre latidos e lambeijos ela conseguiu escapar dos netos peludos e praticamente pulou dentro do carro do amigo.
Anahí: Você acordou as crianças. – Esbravejou, sentindo o bom humor matinal evaporar.
Charles: São gêmeos? – Perguntou confuso.
Anahí: Não bobo. – Afivelou o cinto. – Me referi aos meus filhos de quatro patas. – Mostrou a língua.
Charles: Vocês precisam de uma casa maior, assim como esse bebê que carrega os cachorros também irão crescer. – Deu partida no carro enquanto Anahí o encarava.
Anahí: Não podemos sair daqui. – Pausou com um suspiro. - Meu pai não vai conseguir se adaptar em um ambiente estranho. Não é justo fazê-lo escolher, não acha? – Ponderou.
Charles: E Alfonso teve escolha? – Questionou, para ver Anahí travar os dentes. – Sei que sua prioridade sempre foi seu pai, mas agora você não está sozinha. – Apontou para a barriga saliente. – E tens que aprender a balancear a sua dedicação entre eles. O amor que nutre por Arthur é lindo, por vezes me peguei emocionado e até com uma pontinha de inveja por nunca ter experimentado tal sentimento. Mas Alfonso também faz parte da sua vida, sei que o ama, mas não é justo privá-lo do crescimento do filho, principalmente porque você tirou o direito dele de escolha quando omitiu a gravidez.
Anahí: Você acha que fui egoísta? Só fiz isso para que ele não desistisse do sonho que batalhou anos para realizar – Defendeu-se.
Charles: Ter uma família também pode ser um sonho dele, talvez você só não saiba disso. – Deu de ombros e Anahí virou o rosto para a janela. – Veja bem, não estou dizendo para largar seu pai e ir atrás do meu querido ex diplomata.
Anahí: Eu nunca faria isso. – Interrompeu.
Charles: Eu sei meu doce, só estou pedindo que pense em uma forma de conciliar os cuidados com Arthur sem abrir mão de viver sua história de amor e principalmente para assegurar a convivência entre Afonso e o bebê. – Piscou.
Anahí: Tudo tem um jeito, não é? – Deu de ombros.
Charles: Sei que tem. – Disse, antes de estacionar o carro em frente a clínica. – Posso ir junto? – Mudou de assunto.
Anahí: Com uma condição, sem perguntas quanto ao sexo do bebê, ok? – Cruzou os braços.
Charles: Jovens e suas escolhas. – Revirou os olhos. – Ok.
Os dois entraram na clínica e logo foram recepcionados pela assistente da obstetra, alguns minutos depois Anahí já estava acomodada enquanto Maite espalhava o gel em sua barriga. Charles gargalhava com todas as reclamações da amiga, entre elas a fome insistente e o sono infindável.
Anahí: É normal não senti-lo mexer? Já estou entrando no sexto mês e nada, nem cócegas. – Perguntou, visivelmente preocupada.
Maite: É relativo, talvez você não conseguiu identificar os movimentos ou o bebê só é preguiçoso mesmo. – Sorriu simpática, atenta ao telão em sua frente. – O importante é que ele está bem, saudável e crescendo. – Apontou. – Olha as perninhas, os bracinhos...- Enumerou.
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Refém do Desejo
Fiksi PenggemarUm gemido rouco ecoou no quarto de hotel, o êxtase puro e sublime do encontro de dois corpos que se deliciavam, enquanto sucumbiam aos próprios instintos. Os lençóis de seda egípcia, aninhavam agora, as pernas enlaçadas, gesto que se transformara no...
