Tsunade sabia que não estava lá para superar perdas ou ser perdoada, ela só sabia que não tinha aonde pertencer, passava noites se sentindo vazia, frustrada, cansada, apenas para se render a igreja e a ideais considerados corretos que a sociedade ju...
- Tsunade, Tsunade. É o seu destino, deixe - me velar teu sono eterno, adoraria observar o último suspiro que você deixará de seus delicados pulmões. - A voz espectral entonava as palavras aéreas que se tornavam cada vez mais altas, gutural. As escrituras negras que aos poucos iam surgindo e se espalhando por seus pulsos denunciavam a sua prepotência facultativa.
- Eu terminarei o que comecei, é melhor que as divindades celestes não se envolvam mais uma vez, vocês já perderam o jogo estúpido que vocês criaram. - Tsunade cuspiu as palavras com asco enquanto recitava palavras antigas de língua pagã sentindo vincos em sua tez pálida emergir, cortando sua carne.
Logo, o sangue pingou transformando em uma matéria diferente, volvendo em redemoinhos os quais eram adornados de chamas azuladas. Segurou os punhos bufando, deveria ser forte o suficiente para aguentar mais tempo sob efeito torturante, o corpo lhe incapacitava, mas berrou, cerrando os palmos enquanto mordia a língua, fazendo - a sangrar.
Os redemoinhos aumentaram de magnitude, levantando - se sobre si e a guardando como proteção, e logo sentiu uma divindade se aproximar. Asqueirosamente, sentiu uma língua longa tocar o sangue que pingava, sofregadamente, a loira cambaleou oscilante mantendo o semblante franzido e o byakugou pulsando enérgicamente, perpassando a magia por um canal estreito.
- Não se aproxime sua cobra nojenta. Natsuhiboshi te mandou aqui, eu entendo suas intenções. - A loira franziu o cenho curvando os lábios em um falso sorriso. - Pena que chegou tarde.
- Muito pelo contrário. Vim ajudar. - Orochimaru sorriu em desdém, enquanto seus dedos gelatinosos tocaram a testa de Tsunade. - O que não faria por vocês? - A loira tomou a mão de sua face em um instante grunhindo furiosa.
- Porque eu deveria acreditar em você? - Ela falou ofegante.
- Olha em que estado está. - Ele riu em escárnio. - Está óbvio que precisa da minha ajuda. - Ele disse volvendo suas mãos para a testa da loira impulsionando o canal mágico, que trabalhou com fluidez.
- Mas se eu e Jiraiya tomarmos o controle, todos deixarão de existir. - Tsunade respondeu entrecortada, segurando uma fisgada de dor que sentiu pela abertura da carne.
- Isso é uma maneira de garantir a minha existência, eu serei o único obstáculo. - Orochimaru disse pacificamente, focado em aumentar a vazão da magia que atingia os céus em contraste, se mostrando uma mudança de nuance poderosa que parecia engolir a existência celeste.
- Como imaginei, apenas quer garantir a própria existência. - Tsunade cuspiu, revirando os olhos.
- Certo, certo, se concentre. - O homem respondeu franzindo as feições.
E então surgiu Jiraiya do vapor e do pó, constituindo seu corpo carnal com camadas de células, e tecido, para finalmente constituir a derme e sua aparência já conhecida. Tsunade suspirou aliviada, correndo para abraçar seu amado, os olhos tomados por roliças lágrimas que desciam descrentes pelo único fenecimento que sua deplorável existência sempre requisitou.
- Fico feliz que tenha conseguido. - Agora Jiraiya a abraçava, segurando o corpo trêmulo de Tsunade, os olhos também lacrimejantes.
- Eu também. - Tsunade resmungou com suas forças restantes, dando um belo sorriso de dentes esbranquiçados. As mãos foram até as bochechas alheias e selaram os lábios em um beijo apaixonado, contendo a paixão de toda uma existência.
E então de rompante um clarão surgiu, fazendo tudo ao seu redor se desmaterializar dando origem a uma luz amarelada e acolhedora.
E então só estava lá, o vazio.
.....
- Eu sou fragmentado. - Ele sibilou suspirando contente, o sorriso ergueu - se potente enquanto dedilhou as madeixas loiras da fronte de Tsunade. - Assim como você, e por isso nos completamos, nos preenchemos. - Colou a testa na da loira dividindo da conexão simplória e recíproca entre ambos. Haviam esperado por isso há existências, vidas, momentos perdidos, vagaram pelos ambientes mais remotos e trilharam todo tipo de vitalidade apenas por aquele momento. A loira ergueu a sobrancelha, movendo o indicador sobre o polegar enquanto fazia o gesto de peteleco na testa de Jiraiya.
- Quem disse que somos fragmentados? - Ela sorriu desafiadora movendo os braços de Jiraiya para sua cintura, sem pudor algum. - Somos inteiros, mas você é o que me transborda, o que me faz ver além do que é ser inteira.
Jiraiya ergueu uma sobrancelha, apertando o corpo da loira contra si, que sorriu perante o ato. - Ver além. - Ele revirou os olhos fazendo um biquinho de contestação. - Eu pensei que eu fosse mais que isso.
- Dá para ser mais que isso? - A loira respondeu risonha, encaixando suas palmas mas laterais da cabeça de Jiraiya.
- Acho que não.- O homem completou olhando para Tsunade com afeto, o carinho era aparente e não apenas pelos gestos. - Somos completamente inteiros.
- Inexorávelmente amantes um do outro. - Tsunade terminou, selando os olhos e erguendo os lábios fartos. - Independente do tempo e da época, nosso amor é um elo, um laço, independente da vida, da traição, da morte, e do reinício, nossa paixão é única.
- Parece que em uma das suas existências você foi uma poeta. - Jiraiya brincou esticando a coluna. - Bem que poderíamos consumar esse amor e.. - Os dedos entrelaçaram com malícia, Tsunade logo capitou suas intenções, cerrou o punho lhe acertando no centro de sua face.
- TSUNA! - Ele reclamou esfregando o nariz como se limpasse um fluxo de sangue. A loira sorriu brincalhona.
- Temos todo o tempo do mundo! - Ela disse animadamente. Logo, um estalar de um cronômetro soou pela cozinha.
- Parece que a torta de maçã está pronta. - Jiraiya anunciou, volvendo para o balcão enquanto mirava o vidro avermelhado do forno.
- Podemos comer agora? - Tsunade se mexeu ansiosa como uma criança enquanto via Jiraiya recolhendo a torta com luvas.
- Teremos todo o tempo do mundo. - Ele disse sereno, com um sorriso brotando por seus lábios, e a loira nunca quis tanto gravar um momento em sua mente por toda a eternidade.
Eles eram eternos afinal, talvez tivessem mesmo todo tempo do mundo, viveriam das memórias antigas e das novas, independente da era, estação ou data.
Fim.
Esse é o fim de "A Enviada", espero que vocês tenham gostado de ler tanto quanto eu gostei de escrever, e por mais que eu ainda não esteja satisfeita com esse fim que dei para o plot eu senti que vocês precisavam muito de um fechamento..
Eu só tenho a agradecer a todos vocês por tudo! Foi incrível esse tempo em que compartilhei dessa história com vocês e me desculpem se esse final foi terrível.. Mas além de tudo eu tenho um carinho muito grande por todos vocês que me acompanharam até o final!
Tchau! Nos vemos no próximo plot
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