#11. Conheço Cara-de-cavalo.

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(Matias, Primo de Alan)

(Matias, Primo de Alan)

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 Eu não tinha dúvidas de que o treinador do time de basquete teria orgulho de quão rápido Alan corria agora.

Ele me obrigou a acompanhar seu ritmo, o que era um desafio. Suas pernas eram mais longas que as minhas, e seus passos, mais largos.

Eu já estava ofegante quando paramos na porta da sala.

Alan tosse. Estava com o rosto vermelho do esforço.

– Félix vai nos matar – declara, ofegante. Ele se curva e apoia as mãos nas coxas, cansado. Não se dá o trabalho de arrumar o cabelo, que virara um desastre bagunçado. – Não. Ele vai me matar.

– O que quer dizer?

Alan joga a cabeça para trás em busca de ar, fazendo com que uma mecha grossa e clara caísse em seus olhos.

– Félix me odeia.

Nem imagino o porquê.

– E o que isso tem a ver com me arrastar até aqui? – pergunto, indicando sua mão, que ainda agarrava meu braço.

Ele percebe e desprende seus dedos de mim.

– Marcos só iria nos atrasar mais. Ele não nos liberaria tão cedo – estreita os olhos para mim. – Fiz um favor a você em tirá-la de lá.

Devolvo o olhar.

– Favor? Você não me fez nenhum favor – rebato. – Lembra que foi por sua causa que ficamos encrencados? – Alan não responde, sabendo que eu estava certa. Respiro fundo, tentando me acalmar, e aperto o centro do nariz com o polegar e o indicador. Eu precisava pensar. – Okay, tudo bem. Precisamos inventar uma desculpa.

Alan olha para mim, ansioso.

– Você tem alguma ideia?

– Talvez.

– Qual?

Uma ideia me surge.

– Vamos no improviso –agito os ombros, me preparando. – Deixa comigo.

Essa devia ser a última coisa que Alan queria fazer, mas não me impediu quando andei até a porta e bati duas vezes antes de abrir.

– Com licença – digo, colocando minha cabeça para dentro. – Podemos entrar?

Um homem moreno, em torno dos 45 anos, estava em pé de frente para a turma com o livro de álgebra na mão. Tinha um semblante severo e sério. Tive que me esforçar para não encarar o chão quando senti o peso do seu olhar em mim.

Mesmo sem sua permissão, entro na sala e faço um sinal para Alan me seguir. Ele entra depois de mim, os ombros tensos, e Félix logo o encara.

– Alan... – sua voz era profunda e rouca. Ele se volta para mim. – ... e um rosto novo.

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