#12. Chá?

243 43 39
                                        

(Isabelle, colega de classe de Amélia)

(Isabelle, colega de classe de Amélia)

Ops! Esta imagem não segue nossas diretrizes de conteúdo. Para continuar a publicação, tente removê-la ou carregar outra.




 – Não sei como, porquê ou qual circunstância faz você pensar que estou mentindo – fala Matias, se sentindo ofendido. Ele se vira para Luna em busca de apoio. – Diz para ela!

Luna não se incomoda de tirar os olhos do celular quando diz:

– Não sei do que está falando.

– Ei!

– Eu já disse que não duvido de você – tento explicar. – Só... é engraçado.

Pouco mais de uma semana se passou desde o dia em que conheci ''Cara-de-cavalo'' – apelido de Matias para o nosso professor de matemática –. Depois disso, passei a ficar mais tempo com esses dois.

Com eles, a atmosfera era mais leve e divertida. Eu ria e sorria mais. Sentia que podia falar sobre assuntos com eles que realmente gostava sem me preocupar se me achariam esquisita.

Sem falar que tínhamos coisas em comuns: Luna amava livros de terror e suspense – eu preferia fantasia –, e era uma verdadeira fã das obras de Stephen King. E Matias compartilhava meu gosto por animes e mangás.

Como eles sentavam do outro lado da sala, não tínhamos como nos comunicar com o professor em sala, e por isso eu aproveitava a troca de professores e o recreio para me juntar a eles.

Alan aparecia de vez em quando pra conversar com Matias, tomando o cuidado de manter distância de mim e Luna, que torcia o rosto e ficava de mau-humor toda vez que Alan passava por nós. Um dia, tomei coragem e perguntei o motivo.

– Odeio covardes – respondeu.

Eu sabia que não devia perguntar mais.

Félix agora mantinha um olho em mim em todas as aulas. Quando eu menos esperava, o flagrava me analisando com uma carranca. Eu não me atrevia a sequer afastar os olhos do quadro.

Coloquei a culpa em Alan.

Meu palpite era que, como Cara-de-cavalo viu que eu tinha uma certa aproximação – mesmo que falsa – com ele, presumiu que era certo que eu também fosse acrescentada na sua ''lista negra'' de estudantes potencialmente delinquentes.

Mesmo que Alan fosse o oposto de um delinquente estudantil. O garoto era uma máquina. Sequer piscava o olho nas explicações, escrevendo cada palavra do quadro no caderno e respondendo todas as perguntas que lhe eram feitas.

Em uma aula, presenciei Alan e nosso professor de física debateram sobre os conceitos de espaço-física estudado pela NASA e o que achavam de cada. Uma conversa típica de gênios de cálculo. Eu me segurei para não dormir.

A última sexta do mês chegou.

Ontem tivemos nossas primeiras provas parciais de linguagens. Como uma boa aluna, deixei para estudar de última hora, e resultou em passar a madrugada inteira em claro com a cara enfiada em livros de literatura e gramática.

Sob Céu e EstrelasOnde histórias criam vida. Descubra agora