#1. Espero ansiosamente pela próxima página!

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 Julho.

Encarei o teto.

Não fazia a mínima ideia de quanto tempo já tinha passado.

15 minutos? 20?

Talvez 30.

Descansei minhas costas na parede e estiquei preguiçosamente minhas pernas no chão. Olho ao redor do meu quarto pela milésima vez.

Correção: meu antigo quarto.

Aperto meus braços ao redor da caixa de papelão velha e desgastada entre minhas pernas. A caixa guardava alguns dos meus bichinhos de pelúcia que tenho desde criança. Mamãe esqueceu de levar ela na correria da mudança e, como eu não queria ter que me desfazer dos meus bichinhos, eu a convenci a me deixar buscá-la antes que devolvesse a chave da nossa antiga casa para a proprietária.

Evitei vir até o último dia.

Dei uma olhada na caixa para me assegurar de que estava tudo ali: Sr. Sapo – meu sapo de pelúcia que roubei de Alex, meu irmão mais novo, quando eu tinha 12 anos de idade –, meu ursinho marrom chamado Bear e um coelho rosa com uma cenoura que ganhei na Páscoa.

São só três bichos de pelúcia? Sim, mas não quis abandoná-los mesmo assim.

Apoio minha cabeça na parede e respiro fundo. Sabia que já deveria estar em casa. Alex me esperava.

Eu quis dar uma última olhada em meu antigo quarto antes de ir embora. Aparentemente, a parte de ''última olhada'' não deu muito certo. Quando vi, já estava sentada no chão, olhando para nenhum ponto específico e perdendo a noção do tempo.

Pego meu celular e olho a hora. Eu me espanto.

Estou há quase uma hora sentada aqui.

Não, não pode ser. Eu não posso ter me distraído tanto assim.

Alex estava sozinho em casa, provavelmente assistindo televisão ou jogando vídeo-game. Meu irmãozinho não tem nenhuma habilidade culinária além de fritar ovo – as vezes até fatias de bacon, quando não se esquecia delas no fogo e as deixava queimando – e cozinhar macarrão instantâneo, então eu sou a responsável pelo almoço de hoje. O que significa que ou ele estaria neste exato momento morrendo de fome, ou colocando fogo na nossa cozinha.

Como não recebi nenhuma ligação da ambulância, polícia ou dos bombeiros, apostei na primeira opção.

Guardo meu celular de volta, pego a caixa e me levanto, pronta para ir embora. Paro antes de atravessar a porta. Olho para trás.

As memórias invadem minha mente, uma atrás da outra. Memórias de quando criança, correndo entre essas quatro paredes. Aperto os lábios quando algumas lembranças indesejadas se juntam a elas.

São só memórias – Eu me forço a lembrar.

Memórias, boas ou ruins, ainda eram memórias. Ainda me marcavam. E dizer adeus nunca era fácil.

Eu me preparo pra nunca mais ver aquele quarto, meu único refúgio por tantos anos.

– Adeus – murmuro.

E fecho a porta.

Nosso apartamento era pequeno, confortável e aconchegante. Perfeito para uma família de três pessoas.

Entro com minha chave, esperando encontrar Alex deitado no sofá da sala de estar. Ao invés disso, encontro a sala vazia e a TV desligada, sem nenhum sinal dele.

– Cheguei – digo em voz alta. – Alex? – chamo. Espero sua voz resmungona surgir de um dos cômodos, reclamando da minha demora. Vou até a porta do seu quarto e dou umas batidinhas. – Aaaleex, estou em caaasa.

Sob Céu e EstrelasOnde histórias criam vida. Descubra agora