Capítulo I

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Emily Jones

O sol que adentrava pelas janelas naquela manhã tinha raios suaves. Era um belo começo de dia na cidade.

Os passos de Marta podiam ser ouvidos no assoalho da escada enquanto subia degrau por degrau, mas seus filhos não a ouviram, tirando dela um sorriso ao ver os dois juntos na cama.

- Queridos, acordem - falou com doçura ao se aproximar.

- Mamãe...? - Isaac balbuciou esfregando os olhos, ainda sonolento.

Emily, junto dele, começou a despertar tentando averiguar o latejo em sua cabeça causado pela cegueira da luz do sol em seus olhos. A camisola fina e comprida, abaixo de seus joelhos, estava amassada, seus cabelos escuros tinham fios bagunçados, iguais aos do irmão.

- Bom dia aos dois - Marta sorriu mais uma vez. - Tenho boas notícias, sim? Recebi o empréstimo do tio James que eu tanto prometi a vocês - o tom da mulher era orgulhoso e feliz. - Então, Emily, precisamos comprar um vestido novo para você, meu bem. E Isaac... precisamos de novos suspensórios, não é?

Os dois pularam da cama, ansiosos, enquanto ouviam a mãe dar risada. Adoravam ir até as lojas da cidade - felicidade da qual o que nem sempre vinha pelas compras e sim pela possibilidade de observar as pessoas "chiques", como eles gostavam de chamar, que entravam e saim delas.

Os vestidos das moças eram tão bem trabalhados que davam inveja. Os homens sempre de ternos bem passados, sapatos lustrosos e cabelos penteados.

Emily gostava de observar estas, especialmente, com mais atenção. Será que algum dia estaria com um vestido bonito como aqueles e com um homem engravatado ao lado?

- Como as princesas dos contos de fadas... - ela costumava murmurar só de imaginar.

A menina se dispersou dos pensamentos quando sua mãe a chamou novamente e trocou de roupa o mais rápido que pôde. A animação apenas crescia em seu peito enquanto ela descia as escadas.

Emy segurou na mão de sua mãe, assim como Isaac, e se pôs a caminhar junto deles Distraidamente, a morena tinha os olhos perdidos para as lojas com os títulos chamativos.

As ruas estavam movimentadas naquele dia. O céu ainda estava nublado devido o frio da noite anterior, mas desta vez, entre o cinza e o laranja do sol nascido, junto às nuvens, brilhavam suaves raios de sol.

A menina respirava o ar da manhã em Birmingham, e mantinha os ouvidos abertos. Os trotes dos cavalos na terra, as conversas animadas dos casais, o som de passos na rua. Emily estava tão encantada e focada em tudo aquilo que mal reparou quando esbarrou em alguém.

- Olhe por onde anda! - Um garoto mais alto resmungou. Devia ter uns doze anos, era mais velho com certeza. Seus olhos azuis passaram por Emily em julgamento.

- Desculpe - ela murmurou baixo.

Viu que eram três meninos andando juntos, em perfeita ordem de altura. O maior e aparentemente mais velho, que havia falado com ela, andava na ponta. O do meio, que tinha uma feição séria e taciturna, era mais baixo, talvez tivesse oito ou nove anos. E por último, do outro lado, o menino mais novo e mais baixo de todos, sorria alegremente, nem mesmo parecendo entender a situação.

Era incrível como andavam bem vestidos. Os cabelos castanhos estavam cortados e bem aparados uniformemente. As roupas eram parecidas, quase que em combinação, sem um amasso se quer. Meias brancas e longas, sapatos escuros e lustrosos. Iguais os homens adultos..., pensou Emily.

- Venha, Arthur - chamou o garoto do meio que fez o mais alto acompanhar seus passos. - Pare de dar em cima das garotas na rua - comentou em claro tom de ironia.

- Ora, cale a boca, Tommy - riram os três, seguindo juntos pela calçada até virarem a esquina. Jones, quando se virou e finalmente voltando a respirar, sentiu um puxão de sua mãe.

- Emily, venha aqui.

Não... Aquilo não era um pedido, era uma ordem para se aproximar. A filha obedeceu por mais que estivesse receosa de receber uma bronca. Indo para um canto, sua mãe lhe penetrou os olhos escuros.

- Sabe quem são aqueles garotos?

Emy balançou a cabeça em negação, nervosa. Não conhecia, nunca havia visto nenhum deles e desejava desesperadamente que sua mãe acreditasse nela.

Marta respirou fundo, antes de começar:

- Aqueles são os irmãos Shelby, filha - ela pronunciou aquele nome com cuidado. - São apenas garotos ainda, mas o pai deles é perigoso mexe com coisas erradas. Ouvi dizer sobre eles assim que chegamos na cidade. Não se meta com eles, está bem? Nunca, Emily. Entendeu?

Sua mãe a olhava necessitando de um assentimento em resposta. A voz coberta de preocupação fez a menina balançar a cabeça, enquanto ainda pensava no que havia ouvido.

Shelby... Ela já havia ouvido aquele nome antes. Talvez em conversas que acabava escutando das pessoas na rua.

A família Shelby.

Marta suspirou e depois sorriu para a filha, que ainda tinha o rosto gravado dos garotos em sua cabeça. Os olhos azuis... Os cabelos castanho...

- Está certo - sua mãe suspirou. - Agora vamos, venha - ela voltou a lhe segurar sua mão.

Dentro da loja, enquanto olhavam alguns vestidos, por mais bonitos e encantadores fossem, a mente de Emily ainda se debruçava sobre aquele nome. Shelby...

- Este é ótimo - a mulher pegou do cabide um vestido, junto a muitos outros que estavam na ala vazia de promoções da loja. Emy mal havia visto a roupa antes de chegar em casa. Estava distraída mais uma vez enquanto pensava naqueles irmãos.

Seriam eles maus de fato, ou apenas... garotos?

Quando chegou em casa, prestou melhor atenção em sua roupa nova. A cor vermelha, em vinho, combinava de maneira adorável com o bordado branco e cuidadoso em suas extremidades. Emily sorriu ao se ver no espelho com ele. Em seus pés, as clássicas sapatilhas pretas estilo boneca, das quais sonhava dia e noite, e que havia ganho de aniversário naquele ano. Estava mais feliz que nunca.

Marta, ao seu lado, fazia uma trança em cada lateral de seu cabelo, por fim, as amarrando no final, transformando-as em uma espécie de coroa. Emy agradeceu sua mãe, que sorriu de volta.

- Você está linda, querida. Agora, - falou ela se levantando da cadeira e alisando o vestido - vou ajudar seu irmão. - Marta lhe deu um beijo doce na testa e saiu do quarto, um dos únicos dois existentes na casa.

Quando Emily ouviu a maçaneta se fechar, se deitou na cama. Novamente, com a cabeça vazia dessa vez, o nome daqueles garotos e seus pares de olhos azuis voltaram à sua mente.

Os Shelby...

𝙊𝙨 𝙄𝙧𝙢𝙖̃𝙤𝙨 𝙎𝙝𝙚𝙡𝙗𝙮Onde histórias criam vida. Descubra agora