Depois do acontecido

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Narrador, dois meses depois:

O dia ainda não havia amanhecido, era uma madrugada fria e a brisa do lado de fora do quarto deixava todo o clima de sofrimento pior. No quarto da garota ela se encontrava revirando de um lado para o outro na cama, não tinha conseguido dormir. Nesses meses ela não havia conseguido dormir muitas vezes, só o fez quando seu corpo se desligou sozinho.

O quarto estava um caos, roupas jogadas no chão, travesseiros arremessados, o local parecia não ver uma vassoura a muito tempo. Para completar o cenário, a garota se encontrava atravessada diagonalmente na cama, seus pés pra fora e a cara escondida em um dos travesseiros.

O despertador toca, 4:45. A menina desamparada e sem motivação nenhuma levanta lentamente de sua cama. Caminha até o objeto barulhento e o desliga. Depois vai até o banheiro e entra de roupa e tudo embaixo da água fria. Sua mente estava completamente perturbada e cheia de loucos pensamentos. Enquanto a água escorria por seu corpo, ela chorava lágrimas ainda mais frias que aquela água. A garota sentindo seu coração ser aos poucos esmagado, pela milésima vez, se encosta na parede e se deixa escorregar até o chão. Ela se posiciona abraçando os próprios joelhos e escondendo sua cabeça nos braços.

Passado alguns minutos ela se recompõe e realmente toma um banho, ainda gelado. Se enrola na toalha e sai do banheiro, a solidão e o vazio que se encontram em seu peito a acompanham enquanto ela procura em seu armário algo pra vestir.

Pegando algo que a agrade o mínimo e que a dê liberdade de movimentos, a garota se troca e passa uma escova em seu cabelo, o amarra em um rabo de cavalo. Ela calça seu tênis e coloca um sobretudo que pegou recentemente do guarda-roupa de Akutagawa.

Assim que está pronta, ela escuta uma batida em sua porta e já sabendo quem é caminha relutante até lá. Respira pesadamente antes de abrir o objeto pesado de madeira. Do outro lado da porta encostado no batente está ele, Chuuya.

-- Como você está? -- Ele pergunta analisando a garota da cabeça aos pés. Ele nota o sobretudo que ela veste e não espera realmente uma resposta para sua pergunta. -- Você vai lavar isso algum dia?

-- O quê? -- S/n não entendeu sobre o que o ruivo estava falando, ele puxa um pouco a barra do casaco e ela então entende. -- Ah, não, vou não. Ele andava com isso o tempo todo, é importante pra mim. E se eu lavar vai estragar.

-- Você pode até ter razão, mas vai chegar uma hora que não vai conseguir usar se você não lavá-lo. -- A garota fez uma cara feia pro comentário do homem e ele rapidamente trocou de assunto. -- Enfim, tá pronta pra missão?

-- Acho que sim. O que vamos fazer hoje? -- Desde do acontecido os dois começaram a trabalhar juntos. Mori achava melhor que a menina não ficasse muito tempo sozinha. Ele havia percebido que Nakamori estava bem deprimida e achou melhor que alguém a acompanhasse.

-- A missão de hoje é bem fácil e acho que vai fazer bem pra você. Lembra que um mês atrás a ADA foi atacada? -- Ela afirmou balançando a cabeça. Ele continuou. -- Então, os chefes estão bem desde aquela grande missão juntos, por isso nós vamos lá ver se os agentes da ADA precisam de algo.

-- Quer dizer que vamos fazer uma visita? -- Ela não estava muito afim de sair de seu quarto, muito menos de ver pessoas. A única que ela queria conversar não podia no momento.

-- É quase isso. -- O ruivo percebendo o desânimo da, agora, temporária parceira a puxou pra fora do quarto e começou a guiá-la para o lado de fora. -- Vamos, você vai gostar de ver todos, principalmente o Atsushi.

-- Pode até ser, só espero que eles não fiquem fazendo perguntas. -- Ela não queria de maneira nenhuma ter que falar sobre o que estava sentindo naquele momento.

Uma Missão - Akutagawa RyūnosukeOnde histórias criam vida. Descubra agora