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Caminhando na escuridão

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O primeiro capítulo de "Pecado Oculto" sai agora meia-noite e o segundo mais tarde, entre 12h e 14h. Ou seja, preparem-se!

Este capítulo (que funciona como um prólogo) se passa nos anos 70, e vocês devem prestar bastante atenção na história, porque algumas informações lhes parecerão muito familiares.

Não direi mais nada.

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Os acordes psicodélicos e progressivos de "Ando Meio Desligado", dos Mutantes, se confundiam com a comemoração do povo no entorno da praça do Campo Grande pelo tricampeonato do Brasil na Copa do Mundo no México.

A música que vinha dos bares onde os doidões pareciam ignorar o carnaval em junho não era ouvida, contudo, no Corredor da Vitória, onde o som da música-tema da conquista se misturava com outros barulhos – buzinas, pessoas gritando das janelas, os ricos e influentes do caro metro quadrado deixando a discrição de lado para comemorar, bombinhas que indicavam a proximidade do São João, cassetetes em estudantes e gritos de ordem vindos das forças da repressão.

Garotos de 15, 16 anos, caminhando pelas ruas ostentando cabelos longos, camisas soltas, calças floridas, livres, leves e soltos, mas que, para o sistema que comandava o país com mão de ferro naquela época, representavam "vadiagem", "vagabundagem".

Os estudantes, desesperados, pediam socorro enquanto corriam na direção do Teatro do ICBA, considerado um local de segurança contra a repressão; mas não conseguiram – as agressões continuaram, inclementes, até que um dos militares foi arrancado repentinamente do rapazinho e puxado até um lugar escuro.

- Vou acabar com você, comunis-

- Vermelho é minha cor favorita, человек (chelovek)...

O misterioso homem enterrou seus caninos na jugular do soldado, que não resistiu à força centenária da ameaça, e aos poucos, perdeu o viço, a cor e a vida, secando, murcho feito uma fruta apodrecida.

O desconhecido sorriu, lambendo os dentes, digerindo o sangue. Adorava fazer aquilo, em especial com gente que detestava. Não era o melhor gosto, mas era sangue.

Os estudantes, vendo que seus algozes mudaram o alvo, fugiram desesperados, enquanto os outros militares se aproximaram do novo rival, apontando e atirando na direção dele.

Os tiros atingiram várias partes do corpo, mas para o horror dos soldados, Dimitri Voronin apenas riu, frio.

- Vocês acham que vão me matar com tiros? Дураки (duraki)!

Mais tiros foram desferidos, porém, nenhum deles atingiu de forma mortal o desconhecido, que pulou em cima dos outros militares, e com velocidade absurda para os olhos humanos, mordeu seguidamente, sugando a força e energia vital de todos eles.

"Sangue horrível. Hora de ir embora dessa merda e encontrar o grupo."

Porém, Dimitri foi surpreendido pela chegada de mais soldados, que pareciam ter testemunhado seu ataque, mas não tinham medo dele. Era como se tivessem brotado do nada, e ele nem poderia se livrar de todos. Um motivo era o tipo de sangue dos militares ali, "Гавно (Gav-no), pior que o sangue deles é nojento, tem gosto de whisky barato, charuto ruim e bosta de cavalo" – e o outro motivo era o horário.

Coube a Dimitri correr mais rápido que seus "amigos", considerando que já eram quatro da manhã, as pessoas ainda continuavam bêbadas, comemorando a vitória do Brasil na Copa, e ele aproveitaria a chance para se desviar dos homens de verde. Olhava para o céu, temendo o retorno do sol e seu fim. Não queria morrer de uma vez fugindo de um bando de covardes que agredia e matava crianças, jovens, de maneira cruel.

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