Atualizamos nossas Diretrizes de Conteúdo.
Consulte as diretrizes mais recentes para continuar compartilhando histórias com segurança.

Original

429 91 26
                                        

Oi, meninas, tudo bem?Esse fim de semana eu caí bem doente, então tentei escrever o quanto podia, mas a febre me impediu. Hoje tô melhor, mas mesmo assim, ainda tô tossindo muito.Essa semana, vou tentar escrever só um capítulo por semana (exceto "(in)Justos" que tá bem adiantado), mas após dia 25/12, vou tirar uma semana relaxando e só volto no domingo dia 02/01/2022.

Já estou adiantando meu Feliz Natal e um Próspero Ano Novo pra vocês!

---

A noite no Rio Vermelho estava completamente repleta das figuras que todos esperavam nas baladas e em outras festas que sempre ocorriam. Grupos distintos de jovens e outros nem tanto assim – boho, hippie, patricinhas e mauricinhos, pessoal mais informal, além dos roqueiros góticos.

Eva Maria Santos fazia parte do último grupo. A camisa regata escondida pela jaqueta de couro, as duas na cor preta, além de um short desfiado jeans de mesmo tom e bota coturno que a deixava mais alta. Os cabelos se encontravam soltos, a única coisa mais leve em seu look – maquiagem carregada em tons pretos, com o batom aveludado deixando os lábios maiores, além da gargantilha de veludo que Eva nunca tirava.

Apesar da festa não ser muito seu estilo, a jovem buscava aproveitar - tudo porque estava terminando a faculdade, e aquela seria a última balada com os amigos antes da formatura do curso de biblioteconomia.

- Eu tava louca pra ir na noite de rock na Barra...

- Você sabe que foi uma decisão em comum, amiga... - Cássia, uma das colegas, tentou fazer ponderações. - Sei que você queria aquela festa dos covers, mas todo mundo quer ficar aqui.

- Estou aqui por vocês, mas assim que fizer sala, tô saindo à francesa...

A animação ali dos presentes era palpável com a música do momento – um pop nacional com produção que mesclava a percussão do axé e synths eletrônicos. O máximo que Eva fez foi se balançar um pouco, os ombros acompanhando o som da música, mas sem a mesma empolgação dos colegas.

O DJ que comandava a setlist trocou a faixa para algo que Eva gostava: "Scream", parceria de Michael e Janet Jackson, e a letra que dizia para parar de pressioná-la a gritar parecia muito menos um pedido dos cantores que eram compositores da faixa e mais um grito interno por sua liberdade. Não que ela não estivesse mais sob o jugo de sua tia Vicentina, que ela não via mais desde que entrou na faculdade; a verdade era que ela jamais teve uma boa relação com a irmã de seu pai. Já morava sozinha, tinha o seu próprio trabalho - estágio em um escritório de advocacia, e o apartamento onde vivia era bem longe do bairro dela. O grito de liberdade não era por isso, mas talvez fosse algo que estivesse dentro dela, algo que queimava dentro do corpo de Eva, e que ela nunca soube explicar.

Aparentemente alguém também ouviu esse mesmo grito: um homem que segurou ligeiramente em sua cintura, e parecia dançar a música junto com ela.

Ele sussurrou, e ela notou que a voz dele era bem baixa e rouca.

- Você é linda...

- Obrigada pelo elogio... - Eva respondeu com o mesmo sussurro, virando o corpo na direção do homem, alguns centímetros mais alto que ela, e falando bem próximo ao seu rosto, a bota coturno de salto ajudando a se aproximar dele. - Digamos que você também não é de se jogar fora.

- Então estou com alguém que não vê problemas em elogios...

- Se soarem reais pra mim... Lamento profundamente se você acha que eu tenho baixa autoestima.

Pecado OcultoHistórias para pegar e não largar. Descubra agora