Vagalumes à meia-noite

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Para Eva, emoções que envolviam seu corpo misturando-se com a mente eram bastante incomuns. Ela sempre se viu como alguém que sabia controlar os próprios desejos, em especial porque conviveu toda a vida ao lado de alguém que sempre parecia levá-la ao limite – caminhar ao lado de tia Vicentina era o mesmo que pisar em ovos.

Mas após aquele estranho sonho, e maneira casual como Dr. Voronin a tratou, sensações foram ativadas, coisas que ela não acreditava existir. Toda vez que as sensações surgiam dentro dela, parecia que sua gargantilha queimava na pele, como se estivesse tão quente que seria capaz de deixar uma marca profunda, em carne viva, no seu pescoço.

"De onde surgiu tudo isso...?". Não que a jovem nunca tivesse reparado que seu chefe era um homem bonito e charmoso, mas ela sempre entendeu que ele era seu chefe, e ele era um vampiro. Vampiros tinham algumas opções: poderiam ter uma "vida" de orgias e sexo devasso, a exemplo do tal Lombardo. Poderiam optar por uma vida pessoal mais discreta: ela era consciente de que Sasha devia ter alguma namorada por aí, mas nunca disse nada a ninguém.

Ou poderiam fazer como Dr. Voronin, namorar uma mulher humana que nada sabia de sua verdadeira identidade.

Mas Eva, como toda pesquisadora dos seres da noite, sabia que os vampiros, mesmo não admitindo, buscavam uma amada imortal. Dizia-se que a amada imortal era a única mulher por quem um vampiro poderia não apenas se apaixonar, mas também gerar um herdeiro. O que para ela, era um pouco estranho, já que eles estavam mortos e não poderiam soltar qualquer tipo de fluido corporal sexo ao que pudesse ajudar na cópula.

Mas, de acordo com um dos livros que ela costumava ler, do tal Lorde Cummings, era possível. Era raro. Mas tudo envolvia o vampiro se envolver com uma virgem, e durante a cópula, o vampiro morder esta virgem como se a quisesse vampira. Com o sangue dela bombeando seu pênis, o sangue da mulher amada, não apenas o excitaria, como seria capaz de gerar uma força elementar capaz de contribuir para gerar uma criança.

"Bem, então não vai ter vampiro no mundo, porque pra ele achar uma virgem no século XXI..."

Contudo, Eva se lembrava de que Lombardo estava mordendo mulheres e homens indiscriminadamente, tornando-os escravos de sangue, sem se preocupar se eram virgens ou não. Ou seja, os vampiros podiam se atualizar e buscar esse amor imortal de outras maneiras. Era entendeu, por fim, que bastava haver algum tipo de sentimento para que houvesse a cópula.

Eva só não entendia por que ela chegou a tantas conclusões após aquela estranha noite dormindo na casa de Dimitri.

A jovem evitou observar muito o chefe, e o próprio Dimitri percebeu que ela estava um pouco diferente.

- Aconteceu alguma coisa, Eva?

- Dormi péssima, dor de cabeça e barulho na vizinhança. Cajazeiras XI nunca para.

Dimitri parecia convencido com a justificativa, e seguiu em frente na sua rotina do dia no escritório. Porém, Eva continuava a se sentir estranha. Era como se todos os seus sentidos estivessem completamente direcionados a ele. Ela sempre se sentiu muito tranquila ao lado de Dimitri, mas não daquela maneira, como se pela primeira vez o corpo dela estivesse reconhecendo a presença dele.

Tocou ligeiramente em sua gargantilha, a sentindo queimar. Aquele estava muito estranho, estranho demais para ela.

Tanto que ao voltar para casa, retirou a gargantilha para tirar de si o sentimento. Tomou um longo banho e foi até o quarto com o corpo todo molhado, sem sequer ter usado a toalha. Aos poucos se secou, e usou uma toalha de papel para secar os cabelos, ligeiramente pressionando o tecido nos fios, aplicando bastante tempo e paciência naquela ação. Não se preocupou depois em passar algum creme ou leave-in; apenas ficou sentada na cama em frente à TV que ocupava uma das paredes do quarto, e ficou olhando o jornal local passar sem prestar muita atenção no que ocorria. A gargantilha continuava a um canto, e ela se viu pensando nos efeitos causados por algo que ela sabia ter sido um sonho.

Pecado OcultoHistórias para pegar e não largar. Descubra agora