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Na praia

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Eram oito horas da manhã na praia da Pituba.

Ciclistas aproveitavam as primeiras horas do dia na ciclovia, fosse para treino ou para fazer os primeiros exercícios da manhã. Outras pessoas corriam ou caminhavam na pista exclusiva para pedestres enquanto desviavam se dos transeuntes que se aproximavam dos pontos de ônibus.

Alguns pescadores retornavam do mar, onde buscaram os peixes para a venda. Um grupo já levava o barco até as proximidades, jogando a âncora na água ao mesmo tempo que outros amarravam o barco a um pedaço de pau que se encontrava na areia.

Um dos homens, segurando a caixa com os peixes até a colônia de pescadores, localizada no Jardim dos Namorados, caminhou assoviando uma velha canção, até que a música que saía de seus lábios ressecados pelo sol parou. Foi surpreendido por algo que ele não sabia ser um peixe imenso ou um corpo de mulher completamente em maciado e destruído.

- Não venha me dizer que é uma sereia...

Tomás Santana sabia não se tratar de uma sereia; e não era a primeira vez que mulheres eram encontradas na beira da praia de manhã cedo por populares, todas com as mesmas características: o corpo amolecido, sugado, todas emaciadas e com a pele amarelada, seca, sem um vestígio de sangue. Além do toque final – os dois pontos no pescoço, similares a mordidas na jugular.

Ele teorizava que as mortes tinham alguma relação com seitas, mas os colegas não pareciam acreditar naquela perspectiva. Contudo, só aquilo poderia explicar tantas mulheres sendo mortas e encontradas da mesma forma em praias de Salvador, especificamente em bairros boêmios, de vida noturna agitada.

A teoria de Tomás era de que essas seitas de assassinos seriais estavam em busca de mulheres jovens durante festas e outros entretenimentos, e depois elas eram mortas. Como, ele não sabia, mas as preliminares eram bem parecidas: de acordo com os peritos, havia registros de conjunção carnal, mas sem lacerações que indicavam estupro. O mais estranho, de acordo com a perita, era um fato de que em nenhuma das conjunções carnais ela obtinha sêmen que pudesse ajudar na identificação do criminoso.

- Ele usou camisinha, oras. Um assassino que se preocupa em não passar ISTs às suas vítimas. – ironizou. – O que pode nos ajudar em alguma coisa.

- No que, exatamente? É a confirmação de que essas mulheres saíam com o assassino sem serem ameaçadas? E como ele arrancaria todo o sangue assim?

- Esse pra mim é o maior mistério. O cara se acha o que, um vampiro?

Tomás olhava para uma espécie de quadro com todas as informações necessárias a fim de compreender o que estava acontecendo. Mesmo com as teorias visíveis na sua frente, tudo parecia confuso. Na sua cabeça, a ideia da seita fazia o total sentido, mas para onde ir a partir dali? Eles sequer tinham testemunhas!

- Tenho duas sugestões. Uma delas é "câmera".

A voz vinha da porta de seu escritório, oriunda de uma pessoa que ele não conhecia. Um homem, alto e com aparência estrangeira.

- Quem é você? O que está fazendo em minha sala, quem te deixou entrar?

- Eu disse que tinha informações sobre os crimes envolvendo as moças mortas e sem sangue. A imprensa está chamando de "o vampiro de Salvador".

- Como se vampiros conseguissem ficar nessa cidade infernal.

- Então, detetive Santana, você precisa abrir um pouco mais os olhos. Há mais coisas entre o céu e a terra do que sonha a nossa vã filosofia.

- Quem... É... Você?

 Você?

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