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As três mulheres

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Hoje é dia de descobrir o segredo de Eva (que seria um bom título alternativo)...

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- Este é um presente muito especial, Evinha...

Sua avó era uma mulher muito sensível, doce e possuía uma luz muito especial, diferente de todas as pessoas que a pequena Eva conhecia – mesmo que a menina não conhecesse muita gente.

Ela percebia o jeito de sua avó nas pequenas coisas – apesar de perder a única filha, nunca deixou que o sofrimento a transformasse. Ela converteu o luto em cuidado – de sua única neta, e educá-la tanto para ser uma jovem honesta e justa, como também incansável e defensora de suas próprias ideias; sempre contando sobre a beleza da história de amor de sua mãe com o pai, Yuri.

Era melhor que os exemplos positivos de Tamara e Yuri fossem passados por ela, Lurdes, do que entre a família paterna, que jamais aceitou o casamento dos dois jovens. A aposentada era consciente de que um dia suas forças iriam lhe faltar, e a pequena ficaria apenas com os parentes de Yuri. Sobreviveria, se fiaria em Deus para ir apenas quando Evinha estivesse maior e independente.

Tanto ela quanto Evandro, que faleceu antes da morte da única filha, tentaram entender por que os parentes de Yuri nunca aceitaram Tamara. Evandro tinha uma teoria:

- Eles são completamente fanáticos, reacionários... Fico curioso em saber como Yuri se tornou um homem tão tranquilo e sem grilos...

Quando os pais de Eva faleceram em um acidente de ônibus, coube a Lurdes cuidar de sua única neta. No dia em que ela teve que reconhecer o corpo de Tamara, a idosa encontrou guardado nas coisas da jovem, uma gargantilha de veludo com um pequeno saco de pingente. Lurdes entendeu que a filha não tinha feito a viagem com a sua gargantilha, que Tamara sempre dizia ser uma amuleto da sorte. A aposentada não fazia o tipo místico, mas dentro dela, sabia que o conteúdo dentro do saquinho tinha algum tipo de efeito positivo em sua vida.

Era um amuleto da sorte de Lurdes, recebido alguns anos atrás. Como poderia esquecer o dia em que salvou a vida de um misterioso homem, fugindo dos militares durante a ditadura, cujo agradecimento veio na forma de um lindo anel dourado? Aquele anel pareceu atrair coisas muito boas para os dois: a filha, vinda após anos tentando conceber sem sucesso; a cura do câncer que a matava a cada dia; a recuperação das finanças de Evandro, que estava correndo o risco de perder seu emprego em uma fábrica de alimentos.

Ela sempre dizia a Tamara para carregar o pingente e a gargantilha por onde quer que fosse. Agora, entregar essa gargantilha a Eva era mais do que passar uma lembrança de família, significava protegê-la.

- Um colarzinho, vovó... Mamãe colocava no pescoço! Ela não levou pro céu? – a menina olhava a gargantilha de veludo, encantada. A pequena, de cinco anos, soube o que aconteceu com os pais, e entendeu que eles tinham feito uma viagem para o céu, onde os anjos precisavam da ajuda deles...

... E por enquanto, Evinha teria de ficar com sua vovó.

- Não... Porque ela queria que ficasse com você. – sorriu, a aparência triste e cansada de quem teria que continuar dando péssimas notícias a uma criança tão pequena. – Pra você se lembrar dela... Enquanto ela tá lááá no céu ajudando os anjos.

- Mas se mamãe quiser usar?

- Ela deu pra você, Evinha... Pra você usar o tempo todo. Nunca tirar do pescoço. Entendeu, meu amor?

A menina assentiu, balançando a cabeça para cima e para baixo, ainda segurando o acessório.

Eva conhecia a tia Vicentina muito bem - ela odiava que a jovem circulasse por aí com a sua gargantilha de veludo: a senhora sempre dizia que tinha algo de lascivo ou de malicioso usar veludo durante o dia.

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