Meros desconhecidos

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POV: Diego

Ela não ia aceitar. O que fez ela mudar de ideia primeiramente? Ela deve estar precisando de dinheiro... mas para quê? Ela não vai conseguir pagar a mensalidade da escola com o que estou dando. Em quê essa garota está metida?

Foi isso que passou pela minha cabeça, durante todo o dia.

***

Após a escola, cheguei para almoçar e meus pais já estavam à mesa. Minha mãe me recebe sorridente, enquanto colocava os pratos na mesa. —Boa tarde, querido.

—Boa tarde, mãe.

—Ansioso para amanhã? - ela pergunta.

—Ansioso? Ele sempre odiou ir para a casa da avó. — Diz meu pai sorrindo ironicamente.—Conta outra, Diego.

Minha mãe o olha com seu olhar feroz e ele para de sorrir e por fim ela diz: — Quem deveria estar sorrindo sou eu, eu estou morrendo de ansiedade para conhecer a... Qual o nome dela mesmo?

—Catarina.

—Um nome muito bonito. Espero gostar dela, geralmente quando o filho é complicado, a nora e a sogra se gostam.-Diz ela, radiante?

—Não se empolgue, por favor. - digo acalmando-a.

—Ela é a primeira garota que você traz para conhecermos, não me peça para não me empolgar.

—Leila querida, o relacionamento deles ainda é algo novo, não bote tanta pressão. Nem devem se conhecer tão bem. -Dando muita ênfase no "tão".

—Devem se conhecer o suficiente, namoram a meses. Não é querido?

—Claro...

—Hum hum- meu pai limpa a garganta. — Acho melhor comermos logo.

—Enfim, estou ansiosa para conhecer ela.-Minha mãe da de ombros. — Iai, ela gosta de praia? — ela pergunta animada.

—Sim, gosta bastante...

Ela gosta? Eu não a conheço. Merda. Eu nem sequer a conheço, o que eu estou fazendo?

POV: Catarina

—Puta merda, eu devo ser vidente.-Diz Gabi em pé, andando de um lado para o outro do meu quarto.

—Eu não -faço aspas com o dedo- "conquistei" ele, ele só me fez um pedido e eu aceitei porque quero um dinheiro extra.

—Dois dias atrás eu falei que algo aconteceria. E você -ela aponta para mim- disse que aquilo era uma loucura, e ISSO, é uma loucura, viajar com um menino que você nem tem contato direito e ainda fingir que é namorada dele, isso é insano.

—Não pira. Vão ser alguns dias e tudo vai acabar. - digo passando a mão no ar, como se espantasse algo.

—Ele te falou para aonde vocês vão? -Diz Gabi tirando algumas peças do meu guarda-roupas.

—Uma cidade vizinha, na casa de praia da avó.

Depois que minha ficha realmente caiu, muitas dúvidas surgiram na minha mente, e percebi que não conhecia o Diego, depois que almocei, pensei em ligar para ele, mas parece que ele pensou o mesmo. Pouco tempo depois, ele me ligou e conversamos, acho que sabemos o suficiente um do outro, para um namoro tecnicamente recente.

—Você já aceitou fazer merda- diz ela balançando a cabeça— faz merda com estilo então. -Ela pega a mochila - trouxe algumas roupas para te ajudar a fazer a mala.

Começo olhando as roupas que ela trouxe na mochila e me deparo com um saquinho de cetim branco, abro, e são lingeries. —Para que você trouxe lingeries?- Digo rindo enquanto olho para a peça preta que estou segurando.

—Melhor previnir, amiga. Vai que...

—Ele não vai me ver de roupa íntima, não preciso disso.- Digo, e jogo o saquinho para o canto da cama.

--Tá bom, mas não esquece que eu te avisei.-Diz ela pegando-o do canto e colocando o saquinho para perto dela.

Terminamos tudo e já é quase noite. Estamos deitadas na cama, eu mexendo no celular, enquanto a Gabi cria mil teorias de como deve ser a familia do Diego.

—Eles devem ter bastante dinheiro.

—Talvez... Você acha que vão gostar de mim?

—Todos que te conhecem te amam, claro que vão. -Ela diz piscando.

Isso é loucura, quando conheci a família do Luan, eu estava nervosa, mas não tanto, o que eu vou fazer agora, não consigo descrever em palavras. Meu coração está acelerado, minha mente a mil, parece que só agora que fiquei realmente sozinha, consegui perceber que não dá para fazer isso, que tipo de pessoa eu sou para praticamente me vender. Eu estou me vendendo, acho que vou desmaiar. Talvez eu desligue o telefone e só ligue quando o feriado acabar, eu não sei se vou aguentar fazer isso.

POV: Diego

Quando acordei, olhei pela janela, e vi meu pai levando as malas para o carro. Olho para o celular e vejo que a Nina não respondeu minhas mensagens. É isso mesmo, ela não vem, deve ter percebido o quão insano é isso. Pego a mala e desço para o andar de baixo, vou direto guardar ela no carro. Meu pai está falando no telefone, então fui encontrar minha mãe.

Vejo ela sentada perto da ilha tomando café. Minha mãe aponta com a cabeça para a minha direção e ela se vira. Eu vi luzes naquela cozinha, eu vi raios solares invadindo minha visão, eu vi ela, ela veio.

Ela me olhou, piscou e disse: —Oi meu bem,  desculpa a demora, meu carro teve um problema no caminho.

—Tudo bem, só fiquei um pouco preocupado.-Falei e depois soltei a respiração que nem sabia que estava prendendo.

—Meu filho preocupado com algo a mais que aquele video game idiota dele. Novidade. -Diz meu pai apoiado na porta da cozinha. Não o vi chegando.

Nós três rimos. Me aproximo por trás dela e lhe dou um beijo na cabeça meio sem jeito. Consegui perceber que o sorriso que ela me retribuiu foi um sorriso nervoso, mas foi a única coisa que pensei em fazer.

—Vejo então que vocês já se conheceram... - digo apontando para a mamãe, e para a Nina.

—Sim, sim. A Catarina é adorável, e é bom saber que meu filho está em boas mãos.-Ela pisca e logo dá um gole no café.

Catarina, sorri desajeitadamente e diz: —Já falei que a senhora, pode me chamar de Nina.

—Então Nina, não me chame de senhora, pode me chamar pelo nome.

—Tá bom, Leila. - ela responde sorrindo.

Minha mãe ri e termina o café, olha para o relógio em seu pulso e diz: -Vamos? Sua avó já deve estar muito ansiosa.

Meus pais andaram na frente e estamos Catarina e eu, mais para trás, e andando devagar.

—Cadê suas malas? - pergunto por vê-la sem nada em mãos.

—Seu pai pegou.

—Foi mal pelo beijo no cabelo. - digo sem jeito.

—Não foi nada. Você só me pegou de surpresa.-Ela ri, e pega na minha mão com uma das mãos e com a outra, acenou para o meu pai, que estranhamente estava nos encarando, e com um leve, bem leve, sorriso no rosto.

Namorada de mentirinhaHistórias para pegar e não largar. Descubra agora