Família

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POV: Nina

É sexta-feira, voltei do colégio e rapidamente me arrumei para almoçar na casa do Diego, a convite da Leila. Apesar de já conhecer seus pais, eu estou um pouco nervosa, porquê parece que está tudo caminhando para algo mais sério, a cada momento.

Além disso, estou ansiosa para saber o resultado da recuperação da Gabi. Espero que ela tenha ido bem, me sinto egoísta de termos ido em uma festa, em que acabou tão bem para mim, mas que pode ter prejudicado ela.

Logo que aproximo meu carro da casa do Diego, o portão se abre, fico até surpresa. Enquanto estaciono meu carro em sua garagem, vejo o Diego aparecer na porta. Saio do carro, e percebo que ele está com o cabelo molhado, e usando um short preto, com uma blusa azul marinho.

Como até tão simples, consegue ser tão lindo??

— Senti saudades. - ele diz me dando um beijo rápido, no momento em que me aproximo.

— Nos vemos faz umas duas horas. - respondo rindo, e o beijo novamente.

— Sem você, o tempo demora a passar, linda. - ele diz sorrindo, e pega na minha mão para me guiar para dentro da casa. Logo, percebo que estou sorrindo como uma boba.

— Estamos esperando meu pai, acho que minha mãe foi ligar para ele, ou algo assim. Podemos ir para o meu quarto esperar. - ele diz ao chegarmos na sala de estar, e percebo a malícia em sua voz.

— Posso esperar aqui mesmo, não se preocupe. - digo rindo.

— Ok. - ele diz revirando os olhos - Então, vou procurar minha mãe, volto em um minuto. - ele diz indo em direção as escadas que levam para o segundo andar da casa.

Espero um pouco, e em silêncio, vou olhando para os detalhes da enorme casa, detalhes que ainda não tinha tido tempo para observar. Vejo fotos em algumas paredes, e até algumas no aparador próximo a parede. A maioria, estava o Diego, que reconheço pelos traços inconfundíveis, e olhos extremamente azuis, e sempre ao seu lado, sua mãe. Mas em quase nenhuma, estava seu pai.

— Sempre fui lindo, né? - ele diz, e me assusto, pois não tinha percebido sua presença.

— Sempre foi metido, também? - respondo, e ele se aproxima mais.

— Reparou algo? - ele diz se posicionando ao meu lado.

— Que seu pai não está na maioria das fotos? - digo, mas no mesmo momento me arrependo, isso era para ter sido somente um pensamento. Que droga!
— Desculpe, eu só... - começo, mas não sei como me redimir.

— Não se preocupe, todos percebem - ele dá de ombros - mas foi a primeira a falar.

Fico em silêncio, ainda me sentindo péssima pelo que deixei escapar.

— Ele nunca foi presente. Não é um problema para mim. Não mais... - Ele fala, e fico mais aliviada.        

— Temos isso em comum. Desde que meu pai foi embora, o dinheiro é a única forma que tenho de saber que está vivo. E antes de ele ir, ele já tinha partido há muito tempo- digo, e acabo rindo, por talvez isso, só fazer sentido para mim.

— É, o meu pai está aqui, mas nunca está. - ele fala em voz baixa. Passo meu braço ao redor de sua cintura, e me aconchego nele. — Sei como é isso. -murmuro.

Ouço um barulho, e logo me desperto dos pensamentos. — Queridos, o Joseph falou já está chegando, mas que já podemos começar a nos preparar. - diz a Leila, enquanto desce as escadas, elegantemente vestida com um macacão branco.

— Oi, Nina. - ela se aproxima, e nos cumprimentamos com beijos na bochecha. — Está linda. Essa cor blusa realça seu olhos.

— Muito obrigada. - respondo sem jeito, nunca sei o que fazer quando me elogiam.

— Venham comigo, estou faminta. - ela diz sorridente, caminhando em direção a cozinha.

POV: Diego

—Então Nina, pretende se formar? - meu pai, que por sinal chegou até que rápido, direciona a pergunta a ela.

— Tenho muita vontade de fazer direito. - ela responde, e fico muito surpreso, acho que nunca falamos sobre isso.

— Nossa, aonde nosso filho te achou? - Minha mãe comenta rindo. Reviro os olhos, mas no fundo, também me pergunto isso. E ela continua — Pretende fazer particular?

—Federal, já faz algum tempo que estou me preparando para os vestibulares, e tudo mais. Esse ano vou fazer as provas, e pretendo que seja a última vez. - ela diz rindo.

— Queria que meu filho fosse assim. - exclama o meu pai, me tirando da posição de somente observar a conversa. Decido tomar um gole do meu suco, para poder simplesmente ignora-lo.

— Ainda não sabe o que quer? - A Nina me pergunta, segurando em minha mão. Aceno negativamente.  

Antes que a Nina possa falar algo, meu pai fala:         — Acho que deveria tentar trabalhar comigo.

— O quê? - Fico surpreso, e quase engasgo. Ele nunca me ofereceu isso, mas já negou quando pedi.

— Consigo ver um certo amadurecimento em você, está com uma menina boa, e que também terá um futuro. - ele dá uma risada apontando para a Nina
—Acho que está na hora de te dar essa oportunidade. - ele diz piscando.

Fico surpreso, e quase não consigo acreditar. Sempre me interessei nos negócios do meu pai, apesar de ele nunca ter me deixado participar de nada.

— Vou pensar sobre... - digo fazendo descaso, mesmo sabendo que realmente quero aceitar.

— Como quiser, só não vou esperar a vida toda com essa proposta. - ele diz, e volta a comer.

....

— Finalmente aquele almoço acabou. - digo fechando a porta após entrarmos em meu quarto.

— Não foi tão ruim, lindo- a Nina diz indo em direção a minha cama. Quando reparo que ela me chamou de lindo, sinto meu coração dar uma pulsada, e... algo na barriga, não sei. Mas acho que deixei um sorriso escapar, porquê ela logo me perguntou: — Aconteceu alguma coisa?

Me aproximo dela, e ela, que estava sentada, se ergue ficando de joelhos na cama. Ajeito seus cabelos para trás, para poder admirar seu rosto por completo.   — Você me chamou de lindo.

— Chamei... tudo bem? - ela pergunta timidamente.

— Linda, você pode me chamar do que quiser, o fato de estar se referindo a mim, já é uma honra. - digo dando um beijo em sua testa.

— Você é um bobo. - ela responde rindo.

— Continuo honrado. - digo, e ao ver ela me olhando nos olhos e rindo, percebo que se pudesse, daria o mundo para ela. Pego suas mãos e beijo.

— Tá tudo bem, lindo?

Respiro fundo e digo: — Linda, aceita ser minha namorada? - Até eu me surpreendo, não esperava pedir, mas sinto que necessitava.

— Uau! Hã... Assim, de repente?

— Sei que foi do nada... nem eu imaginei que seria hoje. Eu só, senti que precisava e... - falo gaguejando.

— Lindo - ela diz olhando em meus olhos - está tudo bem, eu só fui surpreendida, é claro que aceito. - ela diz e me beija.

Sinto aquele negócio na barriga novamente, e solto a respiração que nem sabia que estava segurando.

— Eu te amo muito. - digo a puxando para mais perto de mim.

— Te amo, muito. - ela diz correspondendo.

Rio com o momento. Quem diria? A dona mercenária, agora se tornou, minha mercenária.

Namorada de mentirinhaOnde histórias criam vida. Descubra agora