Um começo

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POV: Diego

Ao entrar no nosso quarto, ainda com um breve sorriso no rosto, vejo que a Nina já está de pijama e larga o celular logo que me vê.

—Ele ainda está vivo? Não ouvi gritos. - ela diz sorrindo.

Sorrio para ela, e sento na cama para tirar meu tênis: —Sim, ainda vivo.

—Você resolveu tudo? -ela me pergunta.

Aceno positivamente como resposta. Olho fixamente para ela e toco em sua mão -Obrigado por confiar em mim. -murmuro.

— Obrigada por me passar confiança. - ela dá um breve sorriso.

....

POV: Nina

Enquanto o Diego estava fora, acabei pensando bastante em tudo que estava acontecendo, porquê sinceramente não sei como vai ser daqui para frente. Não sei como tocar no assunto sem parecer uma emocionada que depois de uma transa quer casar, mas realmente acho que estou sentindo algo por ele, e isso está sendo bem confuso para mim, porquê não esperava sentir algo por alguém tão cedo, e sinceramente jamais esperaria sentir algo por ele.

Pedi para conversarmos e ele me guiou até a varanda superior da casa. Está ventando um pouco, mas não está frio, consigo ouvir o barulho do mar bem baixinho, e vejo as estrelas brilhando com intensidade, esse lugar é realmente incrível.

— Por que aqui? - Pergunto curiosa com sua escolha.

— Sei lá, acho que sempre gostei dessa vista. Quer uma cadeira? - ele diz dando de ombros.

— Não, aqui está bom... - digo me sentando no chão e escorando minhas costas na parede.

— Sobre o que você quer falar? - O Diego questiona sem rodeios, enquanto se senta ao meu lado.

Neste momento, esqueci tudo o que pensei em falar, tudo que eu estava na cabeça e que estava ensaiando enquanto ele não estava. Mas mesmo assim, começo: —Amanhã tudo acaba... a viagem, a gente, o acordo, eu só quero meio que saber como vai ser. - pauso - não que eu ache que só por que transamos, temos algo, é só que... - minha voz vacila - Desculpa, estou meio perdida.

Cadê o discurso que eu tinha criado??

— Você quer que a gente acabe? - pergunta o Diego olhando para o céu a nossa frente.

— Não é querer ou não. Estamos vivendo uma realidade alternativa, nada vai ser assim depois. Você sabe, né? - Digo dobrando minhas pernas e as pressionando contra meus peitos.

— Nada tem que mudar, Nina. - ele diz com serenidade.

— Diego, eu sei que você vive a vida perfeita, mas a minha realidade não é assim. Vamos voltar para a escola onde nossas vidas são completamente diferentes, e eu não sei como é estar com você em outro lugar. Em um lugar onde podemos ser... reais.

— Você não quer levar adiante? Nada disso? - ele aponta para nós dois.

— Não é isso, para falar a verdade não nos conhecemos bem, e você sabe.

— Então vamos conhecer. - ele se vira para mim.

— Como assim? - questiono.

— Meu nome é Diego, minha família desestruturada você já conhece, jogo futebol, jogo video game, e odeio estudar, mas você já deve imaginar.  - ele diz me olhando seriamente e termina com um sorriso.

Observo a situação rindo. Ele definitivamente vive em outro mundo — Você já esteve em algum relacionamento? - pergunto.

— Alguns... - ele murmura.

— Relacionamentos de verdade, em que há respeito mútuo, confi...

— Não. - ele me interrompe.

— O que nós somos? - tento ser direta.

— Não sei...

— Tem muita incerteza aqui -aponto para nós dois- não é assim que a vida funciona, pelo menos não para mim.

— Nina, eu não sei o que nós somos, ou como fomos parar aonde estamos, mas eu gosto disso. - ele dá de ombros e sussurra - realmente gosto.

— Olha, saí de um longo relacionamento a pouco tempo e não quero entrar de cara em outro. Algo com tantas incertezas, não estou preparada para isso, me desculpe.

De repente, o Diego se levanta e me estende a mão.

— Catarina Torres, você me daria a honra de ir a um encontro comigo?

— O quê? - pergunto rindo.

— Eu quero te dar um começo... Vai aceitar? - ele diz com a mão ainda estendida para mim.

— Um começo? - o olho confusa.

— Sim, quero acabar com tanto talvez entre a gente. Por favor, vai a um encontro comigo.  - ele implora.

Ele é louco, mas não vejo motivos para não tentar. Estendo a mão e respondo:  — Diego Braga, aceito sair com você.

Ele me levantou e me beijou, seu beijo quente, que me traz paz e me tira de órbita. Ele parou nosso beijo e falou: — Sabia que não iria resistir aos meus encantos. - dou um leve tapa em seu braço e volto a me sentar.

— Podemos deixar esse encontro para quando formos para a "outra" realidade? - ele questiona levantando uma das sobrancelhas.

— Pode ser - Estendo minha mão para alcançar a dele, e puxo-o de volta para o chão no qual ele se senta — Já que estamos meio que começando isso aqui, me responde uma coisa. Por que aceitou vir? -ele pergunta olhando para o horizonte novamente.

Olho-o fixamente e não vejo mais motivos de esconder: — Meu padrasto estava internado, então a conta do hospital ficou mais alta do que minha mãe e ele poderiam pagar, eu não poderia não tentar ajudar, sabe?

—Só com o valor que te dei? - ele me olha confuso.

— Não, meu pai me dá uma pensão bem boa, mas mesmo assim, não era suficiente para pagar tudo, então mandei uma parte do que eu tinha, e o que você já me deu...

—Ainda assim, não pagaram a conta toda?

— Não...

Ele olhou nos meus olhos e disse: — Vai dar tudo certo. Não se preocupe.

Aceno positivamente — Já que me perguntou algo, vou te perguntar também. - me viro para poder olha-lo melhor - Por que eu?

— Porque sempre vi em você tudo o que eu procurava em alguém. - ele diz colocando a mão em meu rosto e acariciando minha bochecha. - ele retira a mão e continua: - é estranho isso.

— Do que você está falando? - questiono confusa pela mudança rápida de atitude dele.

— Ter alguma chance de ter você para mim...

Após sua resposta, me encontrei sem palavras e um pouco apreensiva.

— Desculpa, é que sempre que via você e o Luan, você vendo ele jogar, apoiando ele, vocês juntos nas aulas, nas festas. Acho que tinha um pouco de inveja.

— Da gente? - pergunto apreensiva.

— Não especificamente de vocês, mas do que vocês tinham.

— Você fala bastante de sentimentos para um homem. - observo.

— Acredite, é a primeira vez...

Ele se abriu para mim, ele confia em mim, e de certo modo sei que também confio nele. Me ajeito sentada e apoio minha cabeça em seu ombro.

— Por que você e a Carla terminaram? - pergunto.

Sua resposta demorou mas veio — Ela me traiu. Nunca contei isso a ninguém, mas foi o que realmente aconteceu.

Ainda com a cabeça apoiada nele, pego em sua mão - Ela não sabia o que estava perdendo.- é tudo que digo, e nesse momento ficamos em um silêncio confortável, de mãos dadas, somente observando o horizonte a nossa frente.

Namorada de mentirinhaHistórias para pegar e não largar. Descubra agora