Ciclos II

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POV: Nina

Após passar por diversas cenas de pais e filhos se abraçando e finalmente chegar a um lugar mais vazio. Ouço alguém gritar o meu nome, ao reconhecer a voz, meu coração acelera. Viro-me e confirmo meu pior pesadelo. Meu pai. Que merda ele está fazendo aqui? Paralisada, observo-o vir em minha direção.

— Parabéns minha filha. - Ele diz com um sorriso cínico.

— O que você está fazendo aqui? - pergunto irritada.

—Jamais perderia a sua formatura. - ele fala, ainda  com um sorriso.

— Você perdeu todo o resto, que diferença faz? - pergunto, mesmo sabendo a resposta.

— Sei que não convivemos tanto, mas estou muito orgulhoso de você. Mesmo.

Isso me irrita, porque ele age como se fosse um acaso da vida, e não uma escolha? — Você poderia estar orgulhoso, se naquela noite, não nos abandonasse feito um covarde. - digo, e sinto meu coração acelerar. — Você perdeu o direito de estar feliz por mim, a partir do momento que me deixou para trás.

Quando o olho, só consigo imaginar o tamanho de sua covardia, ao fazer suas malas, e sair no meio da noite, nos deixando apenas um bilhete escrito, "foi preciso, amo vocês". Amava o caramba.

— Filha, acho que precisamos conversar. Você precisa entender que...

— O quê? - Interrompo - Por que está agindo como se estivesse acabado de voltar de uma viagem, e que estou assim sem motivos? - paro e respiro fundo - eu sempre estive no mesmo lugar, naquela mesma casa. Sempre estive lá. - aponto para algum lugar, como se fosse minha antiga casa.

— Eu sei, mas...

—Mas? Quando me deixou, eu tinha 8 anos - aponto para mim mesmo - sabia que as primeiras semanas após você ir, eu dormia na sala? Porque estava "esperando o papei chegar para contar sobre meu dia na escola". - meus olhos se enchem mais e mais, e pisco para não deixar as lágrimas escaparem. - E quando eu vim morar aqui, você me mandou o endereço por telefone, e quando cheguei, um corretor que me entregou as chaves. Nem o mínimo você fez. - termino enojada.

— Nina. - ele diz tentando encostar em meu braço.

— Não se aproxime de mim, por favor. - afasto-me.

— Catarina, eu não sabia de nada disso. Me desculpe por fazê-la sentir essas coisas, mas meu casamento com sua mãe não existia mais, muito antes de eu sair de casa. - ele fala, e sua voz falha.

— Mas eu existia. - digo, e sinto as lágrimas escorrerem pelo meu rosto. - Ótimo, agora você estragou o dia que deveria ser perfeito para mim. - concluo com ironia, e reviro os olhos.

— Tudo bem por aqui? - ouço a voz que conforta meu coração. E sinto seus braços em minha cintura.— Está tudo bem, linda? Está chorando? O que houve? - Diego diz preocupado, segurando meu rosto, e com os olhos fixos aos meus, limpa as lágrimas que percorrem meu rosto.

— Posso saber o porquê está assim com minha filha? - meu pai questiona irritado.

— Como eu disse, você perdeu tudo, não tem direito de questionar algo. - aponto para o Diego, e continuo- Esse é Diego, meu namorado. E não banque o pai protetor, sempre me virei muito bem sem você.

Namorada de mentirinhaHistórias para pegar e não largar. Descubra agora