Garoto das ideias

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POV: Nina

Vejo o Matheus saindo do quarto e ouço o chuveiro desligando. Me sinto paralisada, meu coração está acelerado e sinto o meu pescoço pulsando, se eu não fizer o que for preciso, amanhã todos sentirão raiva de mim, e desgosto do Diego.

-Está tudo bem? -Diego me olha parado perto da porta do banheiro com a toalha amarrada na cintura e uma expressão de preocupado. — Você parece pálida.

-Eu estou bem- respondo engolindo seco.

-Não, não está. O que está havendo Nina? -Ele diz se aproximando.

Desvio dele, pego minha toalha e vou em direção ao banheiro. -Estou bem- é a única coisa que digo e entro para o banheiro trancando a porta.

Ligo o chuveiro no quente, mas sinto meu corpo arder ainda mais, por fim coloco na água fria. Sinto a forte pressão da água em meu corpo, lavo meus cabelos mas não consigo tirar da minha mente tudo o que o Matheus me disse. Suas palavras ficam se repetindo a todo o momento em minha mente. O que eu vou fazer? Será agora o momento minha ruína? E o Diego? Sua família vai querer mata-lo.

Depois de um tempo desligo a água, me enrolo na toalha, me olho no espelho e respiro fundo. Será que eu conto para o Diego? Ele é impulsivo? Vou causar um escândalo e logo depois ser escorraçada, é isso?

Eu não conheço direito o Diego, não sei como ele vai reagir. Se eu contar é pior?

—Você demorou... -Comenta o Diego no momento em que abro a porta. -mais que o normal.

—Perdi a noção do tempo. -Pego uma roupa mais fresca e volto para o banheiro para me trocar.

Novamente, quando saio do banheiro, minha mente confusa, meu corpo ardendo, lembro que trouxe um óleo corporal, por que esse ardor era previsível. Quando o pego, Diego tira da minha mão -Deixa que eu passo em você. -ele diz sorrindo.

—Ok. -Sento na cama sem nenhuma expressão e abaixo as alças da minha blusa.

—Pode me contar o que houve? -Ele diz logo que coloca um pouco de óleo nos meus ombros.

—Nada, Diego. Que saco.- respondo revirando os olhos.

—Porra Nina, fala algo, você sempre fala e dá tiradas o tempo todo, é irônica, brinca. Essa múmia não é você.

Acabo abaixando minha cabeça. -Seus ombros estão tensos- diz ele massageando-os um pouco.

Eu não sei como ele cai reagir, mas foi uma mentira que nos colocou nessa posição, não será mentindo que vamos conseguir sair.

—Eu preciso te contar algo, mas preciso que mantenha a cabeça no lugar.

-Ok. -Ele tira as mãos de mim, penso em me virar, mas desisto.

-Continua. -Falo apontando para meus ombros, olho para a parede à minha frente e começo. -O Matheus teve aqui...

-O quê? -Ele me interrompe.

-Por favor, só ouve... -pauso e ele fica em silêncio. -Ontem, antes de eu sair da festa ele me viu meio que chorando, e veio perguntar e tal. Ai depois você sabe, viemos para cá e tudo o que aconteceu depois.

-Lembro bem... -Ele fala.

Reviro os olhos e solto um leve sorriso. -Ele falou que ficou preocupado, e resolveu vir aqui ver como eu tava. -Diego tira as mãos de mim. Me viro para ele e continuo -Ele sabe do acordo, ele ouviu a gente brigar, ele ouviu tudo. - vejo os olhos do Diego se arregalarem de preocupação.

-Ele falou que não vai contar para ninguém. -Percebo a confusão no olhar do Diego. - se hoje à noite eu for lá, no quarto dele- engulo seco- sozinha...

Diego levanta da cama em um acesso de raiva e tento o segurar.

-Como é que é? Ele é louco? Eu vou matar ele -ele olha para a porta - agora.

Corro e fico em frente a porta. -Que porra você está fazendo? - ele me pergunta.

-Evitando você de fazer uma grande burrada. -Digo colocando minhas mãos em seu tórax.

-Nina, eu vou matar ele, é isso que aquele... É isso que ele merece. - ele olha em meus olhos - ele te quis, ele achou que você iria... Que nojo dele. - ele olha para a porta - sai da minha frente.

Como a mão não erguida, giro a chave e tranco a porta, puxo a chave e me afasto. Ele tenta abrir e percebe que está trancada.

-Você ir lá, só vai causar mais problemas. Precisamos tentar resolver isso, de um jeito para calar ele e que ninguém saiba.

......

Depois de um tempo consegui tranquilizar o Diego, mesmo estando uma pilha de nervos, mas sinto que no momento em que ele ver o Matheus, ele vai agarra-lo pelo pescoço e mata-lo. Realmente espero que isso não aconteça.

Nesse momento estou sentada na cama, e o Diego está andando de um lado para o outro, e de vez em quando esmurra a parede. Olho para o relógio e são 18hrs, vamos sair em uma hora e teremos que encarar a situação.

-Nina -Diego pega o celular- aqui o número do Matheus. - ele fala e ouço meu celular apitar. Ele seria capaz mesmo de querer que eu encontre o Matheus só por esse acordo?

-Confirma com ele que você vai hoje. - ele se senta na cama perto de mim e pega na minha mão -Preciso que confie em mim. -Ele pega o meu celular e me entrega. -manda a mensagem, eu cuido do resto...

Ainda nervosa, de certo modo sinto que posso confiar nele. Então o faço, aceno positivamente para ele e mando uma mensagem.

Sua expressão muda completamente e ele salta da cama e diz: — Precisamos nos arrumar, está quase na hora de sair...

O quê? Que ideia ele teve para estar com uma expressão tão serena assim? Eu queria poder ler sua mente garoto...

Namorada de mentirinhaHistórias para pegar e não largar. Descubra agora