A caixa preta

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POV: Nina

Tiro o braço do Diego de cima de mim, levanto e resolvo pegar as almofadas para colocar no lugar em que elas ainda deveriam estar, vou olhar a hora, 10 a.m, como eu posso ter dormido tanto assim? Sempre acordo cedo sem dificuldades. Na minha tela aparece 2 chamadas perdidas Mãe, como eu não ouvi? Olho para o Diego, ele ainda está dormindo, vou para o banheiro para retornar as ligações.

-Mãe? Tá tudo bem? Vi suas ligações agora.

-Oi meu bem, eu só queria te falar que está tudo ficando bem, o Ricardo saiu do hospital, mas ainda estamos com aquela enorme dívida... mas ele está finalmente melhorando.

-Ai mãe, é um alívio ouvir isso.

-Sim, meu bem. Eu quis te dar essa notícia, mas preciso dizer que ainda preciso do dinheiro. Ele está a dias internado e o custo ficou muito alto.

-Claro, mãe... -limpo a garganta- Estou trabalhando nisso. -olho para o Diego pela porta.

-Falei com a Gabi hoje, já que não tinha conseguido falar com você, ela me disse que você viajou com o pessoal da escola, uma pena que ela não pôde ir.-Diz ela.

-Ah, claro. Esqueci de te contar, desculpa...

-Não se preocupa, fico feliz se você estiver. Vai ser uma festa grande? Você tem roupa para ir?

-Acho que vai ser, vou procurar algum vestidinho aqui, não se preocupa, não tenho muitas opções mas é o suficiente.-Olho pela porta do banheiro, e vejo o Diego acordando e se sentando na cama. -Mãe agora tenho que desligar, te amo muito, desejo melhoras para Ricardo.

Abro a porta do banheiro e saindo do ambiente, olho para ele e digo: -Bom dia.

Ele olha para mim e depois para cama: -Como eu vim parar aqui?

Sorrio e respondo: -Você me implorou durante a noite.

Ele ri, se levanta e fala: -Eu estava com sono, não bêbado. Acho que me lembro o suficiente.-ele passa por mim para ir ao banheiro e fala: -Bom dia.

-Está de bom humor? -Digo avançando para arrumar a cama, e ele lá do banheiro responde: -Sempre estou. - Me pego rindo novamente, eu achei que seria constrangedor depois de dormirmos na mesma cama, mas o que parece é que nada mudou. Hoje será um bom dia, decido por fim.

......

O dia se passou em um piscar de olhos, o que seria uma festa privada, Dona Luci decidiu fazer uma festa na praia, então, a maioria do planejamento para a festa teve que mudar. Começaram a pega tendas, mesas, panos, cadeiras e tudo possível para a organização. No momento estou ajudando a Cecilia e o Matheus a colocar os doces nas bandejas que ficarão na festa, a Leila está no telefone com o bufê avisando sobre a mudança, a maioria dos homens estão na praia arrumando essa tenda e a organização do lugar, e é claro a Dona Luci está lá também, para que tudo saia como ela quer.

-Mamãe ainda me matará, resolveu mudar tudo no dia da festa. -Diz Cecilia rindo.

-Por que essa mudança repentina? -Pergunto curiosa já que quando levantei já estava tudo decidido.

-Acordou tarde, né? -Diz o Matheus me analisando.

Sua mãe lhe dá um tapa no ombro e sinto meu rosto corar só pelo que ela deve estar pensando. Então responde minha pergunta:

-Ela falou que não queria festa, mas que se fosse para haver, que pelo menos fosse em um lugar que ela gosta muito.

-O bufê falou que não tem problema essa mudança, já que a praia é tão perto da casa. -Diz a Leila se encostando no balcão em que estamos.

A porta se abre e vejo o Diego entrando, depois que tomamos o café da manhã, ele sumiu. -Bom dia- diz ele se dirigindo a todo mundo. Ele olha para o Matheus que está ao meu lado, me olha e fala -Bom dia, meu bem.- aceno com a cabeça.

O Diego se aproxima da mãe e sussurra algo em seu ouvido, ela olha para ele e diz: -Na minha bolsa, em cima da mesa.-sem fazer muito caso de falar baixo.

Ela me olha e diz: -Você definitivamente transformou meu filho.

Não minha querida, ele só está andando na linha, porque ele quer se mostrar maduro, mas é tudo uma grande farsa. Apesar de ter pensado isso, só dou um leve sorriso.

.......
O sol está quase se pondo e estou ao lado da Dona Luci vendo os ajustes finais da tenda. Já consigo ver como vai ficar tudo tão lindo, as tendas brancas, um enorme bolo, bolas espalhadas por todo o lugar, luzes iluminando todo o espaço. Está perfeito!

-Vamos? -Diz D. Luci pegando no meu braço e praticamente me puxando. -Temos que nos arrumar logo.

-Claro- Digo seguindo-a.

Chegando em casa, e a Dona Luci me ocupou mais um pouco me pedindo para ajuda-la a escolher seu vestido da festa, acabamos escolhendo um vestidinho florido para ela.

Toc toc toc. -Entre- diz Dona Luci mesmo sem saber quem é.

Diego bota a cara na fresta da porta, olha para mim e pergunta: -Vocês já quer entregar o negócio?

Aceno que sim, levanto da cama e peço licença a Dona Luci, mas ela resolve me seguir. Entro no quarto e vejo que o Diego arrumou as plantinhas na ordem correta e as deixou em cima da cômoda.

Olho para a Dona Luci que está atrás de mim. -Dona Luci... -aponto para as plantinhas- seu presente.

-Meu?- ela me olha, olha para o Diego. -Ai meu amor, não precisava.-Ela chega perto dos vasos e vê seu nome. Ela me olha e me abraça. -Muito obrigada pelo presente, muito obrigada por ser você, muito obrigada por tudo. - e aperta ainda mais o abraço.

Diego limpa a garganta e nós o olhamos, Dona Luci rapidamente se recompõe. Seu neto vai para a cômoda que estão as plantas, puxa a última gaveta e retira uma caixa relativamente grande, preta.

Pelo que parece, ele comprou algo para a Dona Luci. -Por que você não me levou para escolher seu presente também? -Digo rindo mas querendo mostrar indignação.

Dona Luci me cutuca com o cotovelo e fala: -Dessa vez, é seu. - e dá um piscada.

Olho para o Diego, olho para Dona Luci, o quê???? Ele sorrindo me entrega a caixa, mas fico sem reação, ele me olha e fala: -Abre logoo.

Coloco a caixa, na cama e abro. Tiro a seda que tinha em cima do produto. É um vestido, como assim?? Não, não é qualquer vestido. É o vestido vermelho que eu fiquei apaixonada.

-Quando? Como? -Pergunto sem saber direito o que realmente quero saber.

-Ontem, enquanto você falava com a vovó lá embaixo, eu liguei para a loja e reservei e hoje de manhã busquei -ele dá de ombros e continua: -obrigada vó por manter ela longe do quarto.

Sinto meus olhos se molharem, olho para ele e o abraço dizendo obrigada. Ele me abraça de volta, meio sem jeito. Olho para Dona Luci e ela está com lágrimas em seus olhos.

Namorada de mentirinhaHistórias para pegar e não largar. Descubra agora