Cuatro

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22.12.2008 – 8h

Acordei com o barulho insuportável do meu despertador. Minha cabeça parecia que iria explodir a qualquer momento, então comecei a recobrar a consciência. Alguns flashs começaram a vir em minha cabeça e... "MEU DEUS! DORMI COM O UCKER".

Teríamos que conversar a respeito? O que tudo aquilo havia significado? O jeito era enfrentar a situação, não podia fingir dormir para sempre, por mais que essa fosse a minha vontade naquele momento. Meu coração já estava quase saindo pela boca, abri meus olhos tentando manter a calma e... "como assim a cama está vazia". Minha cabeça latejava ainda mais "merda! Nunca mais eu bebo!" pensava enquanto me dava conta de que estava vestida apenas com a camisa que o Ucker havia usado na noite passada "Não estou delirando, então realmente passamos a noite juntos... Mas não entendo, como ele pode ter simplesmente ido sem se despedir... QUE ÓDIO!"

O mau humor tomava conta de mim, enquanto eu percebia a grande merda que havia feito noite passada. Revirava minha bolsa a procura de algum remédio para acabar com aquela dor de cabeça, estava a ponto de matar o primeiro que ousasse olhar em minha direção, a ressaca era grande, mas a ressaca moral essa era maior ainda.

Na falta de um remédio fui para o banho com esperança que a água quente apagasse os efeitos da bebida. A água caía sobre minha cabeça enquanto tentava em vão reconstituir toda a noite anterior. Não adianta, estava muito bêbada... Só lembro de alguns momentos. Mas me lembro que nós dois quisemos muito, me lembro que foi bom... Consigo me lembrar das coisas que ele me disse... "Que desgraçado, só queria me levar pra cama.".

Meu voo era as 10h, então só tive tempo de tomar banho e me vestir, já era hora de deixar Madri. Seguia a caminho do aeroporto e estava perdida em meus pensamentos. Não havia me encontrado com nenhum dos meninos da banda e estava dando graças a Deus a isso. Como o fim do RBD estava sendo a maior noticia dos últimos dias, Pedro (Damian) achou melhor que fossemos embora em voos separados, em diferentes horários, para tentar evitar um tumulto ainda maior e dispersar um pouco a impressa. Estava tão perdida em meus pensamentos que mal me dei conta que já estava adentrando a sala de embarque, eu estava funcionando no modo automático.

- DUL! – ouvi aquela voz que chegou de forma estridente no meu ouvido e fez minha cabeça pulsar ainda mais. Olhei para o lado e vi que Any acenava e vinha em minha direção.

- Any!!! – Disse enquanto a abraçava – Estamos no mesmo voo?

- Não. Vamos em companhia aérea diferente... Acharam melhor pra dividir um pouco a mídia ao chegarmos – Ela falava enquanto me mostrava sua passagem e olhava de novo pra mim – Cara, você está destruída!

- Que gentil!  - forcei um sorriso - Mas é verdade. Minha cabeça tá explodindo. Estou usando esses óculos escuro enorme na tentativa de disfarçar um pouco a ressaca... A última coisa que preciso é uma manchete sensacionalista falando que sou alcóolatra – Ri, mas a vontade era chorar

- iiii... mas não está adiantando não... parece que um caminhão passou em cima de você – ela dizia enquanto revirava sua bolsa – Aqui. Achei! Toma esse remédio e tenta melhorar essa cara. Parece que está com o humor péssimo... - Revirou os olhos - E sabe de uma coisa? Estava louca pra te encontrar. Achei que você estaria mais alegrinha, o que rolou com o Ucker ontem depois que saímos? Porque é óbvio que algo rolou né? - 

Peguei o remédio e me apressei em tomar.

- Nem me fala no nome dele... O que vou te contar não pode sair daqui, sério! – respirei fundo, certifiquei que não havia ninguém por perto e prossegui – Ficamos loucos de bêbados, acabamos indo para o meu quarto no hotel e bebemos praticamente uma garrafa de tequila, acabamos ficando... e – minha voz vacilou, mas prossegui – e, bem... dormindo juntos...

- SABIAAA! Ai que tudo amiga... – comemorava batendo palminhas.

- Não, Any. Você não tá entendendo. Quando acordei hoje cedo o quarto estava vazio, nem um sinal dele, nem um bilhete, nem um sinal de fumaça... A sensação que tenho é que ele simplesmente foi embora depois de conseguir o que queria -

- Puta merda! Não acredito que ele fez isso... Mas deve ter alguma explicação amiga, não é possível. Pior que hoje quando acordei e fui tomar café no restaurante do hotel, cruzei com ele que estava todo feliz. Não dá nem pra falar que ele saiu com pressa do quarto pra não perder o voo porque sei que ele só vai embora de tarde... -

- Nem tenta arranjar explicações porque não tem, Any. É um vacilão e ponto. Mas quer sabe? Vida que segue! Hoje quando entrarmos naquele avião terá de fato chegado o fim de nós seis. -

E assim foi. O retorno para o México consolidou o fim de uma era. Como Anahi e eu aterrissamos praticamente no mesmo horário, em portões diferentes, a imprensa acabou tendo que se dividir, o que facilitou muito a nossa passagem pelos jornalistas. As perguntas eram as mesmas: "Se esse era mesmo o fim de tudo, o que esperávamos para o futuro, o motivo que havíamos nos separado", era de verdade bem doído começar a enxergar que tudo havia mesmo terminado, era como se estivesse alguma parte faltando... Eu teria que me redescobrir, pois já não sabia mais quem eu era. Nos últimos ano respirei RBD, nos últimos anos eu era RBD.

Decidi tirar um tempo sabático na casa dos meus pais. Precisava curtir minha família, descansar a cabeça, voltar as minhas origens para conseguir me reconectar. Tentava no meio disso tudo apagar aquela maldita noite...


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Depois de um tempo decidi voltar a postar, o pior é que meu sumiço não foi falta de criatividade, já que boa parte da história está escrita. Estava desanimada mesmo, me desculpem!
Espero que gostem desse capítulo. Os conflitos estão só começando.

Se possível, votem, comentem e indiquem a outros amigos, isso ajuda muito na minha motivação. Escrevo com muito carinho, espero que seja um bom entretenimento a vocês!

Grande beijo e até logo!

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