Momento a sós

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A noite terminou como uma lembrança boa daquelas que a gente sente que vai guardar com carinho.
Fazia tempo que eu não via todos juntos assim. O riso do Yamaguchi, as provocações do Tsukishima, a implicância do Kageyama com o Hinata… era como se o tempo tivesse voltado por algumas horas, como se a vida adulta não tivesse levado cada um para um canto do mundo.

Mesmo com o sucesso deles, o Hinata com sua fama no Japão, o Kageyama como um dos maiores levantadores da seleção e o Tsukishima um defensor impecável, ali, naquela sala, todos pareciam apenas os garotos que um dia sonharam com a Karasuno de novo no topo.

E eu, a garota que sempre observava tudo com o coração apertado e orgulhoso ao mesmo tempo.

Quando o jogo terminou, as risadas se transformaram em despedidas. A hora passou voando.

— Valeu por hoje, gente — disse Yamaguchi, sonolento. — Eu precisava disso.

— Eu também — respondi, sorrindo. — Foi bom ter todo mundo junto outra vez.

— Da próxima vez, tenta não deixar o Hinata trapacear. — Tsukishima ajeitou os óculos e me olhou por cima das lentes.

— Ei, eu não roubei no jogo. Eu só sou bom nesse jogo, não tenho culpa. — o ruivo protestou.

— Não se preocupa, eu cuido dele.
— Eu ri.

Hinata franziu o cenho, mas o sorriso denunciava que ele gostou do que ouviu.

Depois que todos foram embora, a casa ficou em silêncio. Só o som do vento e o farfalhar das árvores do lado de fora. Meu tio Ukai se espreguiçou no sofá e soltou um suspiro pesado.

— Acho que vou dormir no quarto de hóspedes — disse ele. — Vai subir também, Hana?

— Vou sim, tio. Só depois de tomar um banho.

Ele começou a subir as escadas, mas no meio do caminho parou, virando o rosto pra mim com um olhar pensativo.

— Sabe, eu… ah, deixa pra lá. — Um sorriso ladino surgiu no canto dos lábios dele.

— O que foi? — perguntei, curiosa.

— Nada não — respondeu, dando de ombros. — Boa noite, Hana. Boa noite, Hinata.

— Boa noite, tio

— Boa noite, treinador.

Respondemos juntos, e ele desapareceu no andar de cima, ainda com aquele sorriso misterioso.

Fiquei alguns segundos em silêncio, olhando para a escada, tentando adivinhar o que ele iria dizer.
Hinata se aproximou, colocando as mãos nos bolsos.

— Tá pensando no que ele ia falar?

— Sempre fico curiosa quando ele faz essa cara. — Cruzei os braços, sorrindo. — Mas enfim, vou tomar banho e dormir. Até amanhã, ruivinho.

— Hana. — A voz dele me fez parar.
Virei o rosto devagar, e ele me olhava de um jeito calmo, maduro, mas com aquele mesmo brilho infantil no olhar.

— Você… pode dormir comigo hoje? — perguntou, com um tom baixo e sincero.

Eu arqueei uma sobrancelha um pouco surpresa.

— Posso. Mas com uma condição.

— Qual? — Ele sorriu.

— Que você não roube o cobertor.

Ele riu, aquele riso leve e sincero que sempre derretia qualquer tensão.

— Prometo tentar.

No banheiro, o som da água preencheu o silêncio. O vapor quente embaçava o espelho, e por um instante eu apenas fechei os olhos e respirei fundo. A água descia pelos meus ombros, levando embora o cansaço acumulado das últimas semanas.

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