O Plano perfeito

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Saí do banheiro tentando disfarçar o turbilhão de emoções que ainda latejavam dentro de mim. As palavras do Hinata ecoavam como uma batida compassada no meu peito, “No momento certo, você só precisa correr.”

E lá estava ele.
Pedro, encostado na parede, braços cruzados e um sorriso que me causava repulsa. Assim que me avistou, descruzou os braços e veio na minha direção, os olhos marrom estreitados em um brilho que eu já conhecia, controle.

— Meu amor… — ele disse arrastando a voz, fingindo afeto. — Finalmente saiu. Eu estava morrendo de saudade nesse pouco tempo sem você.

Engoli em seco. Meus pés hesitaram, mas forcei um passo adiante. O corpo dele colidiu com o meu e a mão dele deslizou firme para a minha cintura, apertando-a como se fosse uma marca de propriedade. Pedro se inclinou até meu ouvido, a respiração dele quente contra minha pele.

— Por que demorou tanto? — o tom era doce demais para esconder a desconfiança.

Forcei um sorriso, respondendo baixo.

— Necessidades femininas, Pedro. Acredite, você não gostaria de ouvir detalhes.

Ele arqueou uma sobrancelha, como se analisasse cada palavra, cada pausa da minha voz. Por um instante, pensei que ele fosse perceber minha mentira. Mas então riu baixo, os lábios quase roçando minha orelha.

— Sempre tão misteriosa, Hana. — ele murmurou, me puxando para mais perto. — Mas não esqueça… eu vejo tudo.

Arrepios cortaram minha pele, mas permaneci firme. Eu precisava parecer natural.

Seguimos juntos até a quadra. O ginásio estava cheio de vozes, passos ecoando, técnicos dando instruções e o som ritmado da bola quicando contra o piso. O cheiro de resina e o calor das arquibancadas me envolveram como uma onda nostálgica.

Pedro parecia satisfeito em desfilar comigo, a mão dele ainda presa na minha cintura. Seu sorriso falso era quase convincente para quem visse de fora.

E então, minutos depois, a porta lateral da quadra se abriu.

Hinata entrou.

O uniforme preto da Karasuno ajustado ao corpo, os olhos faiscando como o sol que parecia sempre acompanhar cada passo dele. Ele caminhava firme, a expressão concentrada, mas havia algo diferente, algo escondido por trás do olhar calmo demais.

Pedro apertou minha cintura mais forte. Ele estreitou os olhos, encarando Hinata de longe, e um sorriso enviesado surgiu em seus lábios.

— Ora, ora… quem diria.  — murmurou baixo para mim, mas eu ouvi nitidamente. — Será que ele sabe mais do que devia?

Meu estômago se revirou. Mantive os olhos no chão, como se não tivesse ouvido nada. Mas dentro de mim, uma chama crescia.

O apito ecoou no ginásio, chamando atenção de todos.
Meu tio Ukai entrou com a prancheta em mãos, a postura séria e o olhar determinado que eu sempre lembrava da época em que a Karasuno estava renascendo.

— Karasuno, venham cá. Agora. — a voz firme dele cortou o burburinho.

Os rapazes pararam o aquecimento e correram para perto, formando um semicírculo em volta dele. Eu, ainda com as pernas trêmulas por tudo que estava acontecendo, me aproximei também.

Ukai olhou para mim por um instante, e eu pensei que fosse me afastar, ou dizer para eu ficar de fora. Mas, para a minha surpresa, ele apontou diretamente para mim com a caneta.

— Hana, você vai entrar.

Arregalei os olhos.

— O quê? — a voz quase não saiu.

𝕊𝕦𝕟 𝕆𝕗 𝕄𝕪 𝕃𝕚𝕗𝕖Onde histórias criam vida. Descubra agora