Acorde, Hana

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Nota da autora : Desculpem a demora!!

Quando abri os olhos, a claridade branca do quarto quase me cegou. O teto estéril do hospital parecia distante, como se eu ainda estivesse presa entre o sonho e a realidade. Por um instante, não lembrava de nada… até que a dor latejante no meu corpo me trouxe de volta.

Pedro.
O tiro.
O sangue.
O desespero no rosto do Hinata.

Meu peito se apertou e lágrimas involuntárias escorreram.

Virei a cabeça devagar, procurando, e o vi. Hinata estava ali, sentado ao meu lado, a cabeça apoiada nos braços cruzados sobre a beira da cama. Dormia de um jeito inquieto, os ombros tensos, como se até no descanso estivesse pronto para reagir.

Minha mão tremeu, mas ainda assim a estendi até tocar seus cabelos ruivos. Era como um reflexo, algo que eu precisava fazer.

Ele se mexeu, abrindo os olhos devagar. Quando me viu desperta, seus olhos se arregalaram e a tensão explodiu em alívio.

— Hana… — sua voz falhou, e em seguida ele segurou minha mão com firmeza. — Graças a Deus… você acordou.

Eu sorri fraco, a voz rouca.

— Achei que… não ia te ver de novo.

— Não fala isso. — Ele balançou a cabeça, firme, mas seus olhos brilhavam, úmidos. — Eu nunca ia deixar você ir embora. Não importa o que acontecesse, eu ia trazer você de volta.

Meus lábios tremeram, e deixei escapar um riso baixo, quebrado pelas lágrimas.

— Você sempre foi assim… correu atrás de tudo, mesmo quando parecia impossível. E eu… eu nunca te entendi direito, Hinata. Sempre te empurrei pra longe, sempre falhei em ver como você se machucava… por mim.

As lágrimas vieram mais fortes, e ele se inclinou, passando a mão com delicadeza pelo meu rosto.

— Hana… — murmurou, olhando fundo nos meus olhos. — Se eu tivesse que fazer tudo de novo, eu faria. Mil vezes. Porque nunca deixei de amar você. Nunca.

Aquele olhar, tão sincero, me quebrou por dentro. Eu o puxei devagar, até que nossas testas se encostaram.

— Obrigada… por nunca ter desistido de mim.

Por alguns segundos, fiquei só ali, respirando com ele, como se o mundo inteiro tivesse silenciado. Então, sem pensar, minha mão deslizou até sua bochecha. Ele fechou os olhos e sorriu pequeno, deixando escapar um suspiro pesado.

Eu sabia que Pedro ainda estava solto. Que o medo ainda me esperava lá fora. Mas, naquele instante, dentro daquele quarto branco e frio, o calor de Hinata era o bastante para me dar forças de novo.

— Só me promete uma coisa… — sussurrei.

— Qualquer coisa. — ele respondeu sem hesitar.

— Que, aconteça o que acontecer, você não vai soltar minha mão.

Ele apertou meus dedos com firmeza, encostando os lábios na minha testa como resposta.

— Nunca, Hana. Nunca.

A testa dele ainda encostava na minha, e o silêncio parecia mais alto do que qualquer palavra. Senti a respiração quente do Hinata misturada à minha e, por um instante, tudo lá fora. Pedro, a dor no meu corpo, o hospital inteiro, desapareceu.

Ele foi o primeiro a quebrar o silêncio.

— Sabe… — murmurou, com um sorriso de canto — A gente cresceu, mas você continua com essa mania de morder o lábio quando fica nervosa.

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