Sombras no caminho

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Antes que o Hinata pudesse responder, me levantei do sofá, ajeitando o pijama rapidamente.

— Pedro? — chamei do meio da sala.

Ele desviou o olhar do ruivo para mim, e sua expressão suavizou.

— Você tá bem? Vi suas mensagens de ontem à noite só agora. Vim correndo.

— Eu tô… tô melhor agora. — Falei meio sem graça, arrumando o cabelo com os dedos.

Os olhos de Pedro passaram rapidamente entre mim e Hinata, absorvendo o cenário. Dois travesseiros, dois lençóis, o copo d’água sobre a mesa de centro.

— Ele passou a noite aqui?

— Foi uma emergência — Expliquei antes que qualquer mal-entendido nascesse. — Aconteceu algo estranho ontem. Um cara entrou aqui, e o Hinata ficou comigo até alguém chegar. Mas a Asumi sumiu.

Pedro assentiu devagar, mas o incômodo em seu olhar era evidente.

— Entendi. Desculpa, sei que não temos nada mas, é que… fiquei preocupado.

— Tá tudo bem, sério — dei um sorriso calmo. — Obrigada por vir.

Hinata limpou a garganta e deu um passo para o lado, deixando Pedro entrar.

— Eu já ia embora, na verdade — disse o ruivo, pegando a mochila encostada ao lado do sofá. — Só fiquei porque ela não podia ficar sozinha depois do que aconteceu.

Pedro apenas observava. A distância entre eles dois crescia mais a cada palavra. Se eram amigos, como eu imaginava, havia algo no ar que parecia quebrado ou mal resolvido.

— Certo… — Pedro disse por fim. — Valeu então… por ter ficado com ela.

Hinata assentiu e, antes de sair, olhou pra mim por um segundo a mais. Um segundo silencioso, mas cheio de significado. Ele abriu a porta, passou por Pedro e foi embora.

Pedro fechou a porta devagar e virou-se pra mim, o olhar mais leve agora.

— Sério, tá tudo bem mesmo? Ele não te machucou ou algo assim?

— Claro que não, Pedro. O Hinata jamais faria isso comigo.

— Tá. É que… bom, depois do que aconteceu entre vocês dois no passado, eu não sei o que esperar quando vejo vocês juntos de novo.
— Ele riu sem jeito, coçando a nuca.

— Eu entendo. Mas você não precisa se preocupar, ele só ficou preocupado comigo assim como qualquer um amigo meu do Karasuno faria.

Ele me olhou nos olhos por alguns segundos.

— Certo. Que bom que você tá bem, Hana.

E eu sorri de volta, com um certo peso no peito.

Pedro olhava ao redor como se tentasse decifrar tudo o que havia acontecido ali nas últimas horas. Ajeitei a almofada no sofá e me sentei direito, puxando o lençol até os joelhos, ainda com o pijama de patinhos. Senti o olhar dele pousar em mim de novo.

— É fofo… o pijama. — Ele riu baixo.

— Hoje todos parecem reparar nisso… — revirei os olhos, mas acabei sorrindo.

— Desculpa, é que… eu nunca imaginei você assim. Tipo, tão caseira, tão... — ele pausou, procurando a palavra certa — fofa.

— Bem diferente da Hana modelo que você viu nos outdoors, né?

— É. Mas acho que prefiro essa versão. — ele disse, sincero.

Por um instante, desviamos o olhar. A atmosfera entre nós pareceu amolecer, como se a tensão da porta tivesse se desfeito. O Pedro de agora não era o cara que tentou me conquistar no Japão ou o que apareceu naquela quadra todo confiante. Era só… Pedro. O mesmo cara que estava ali preocupado comigo, às sete da manhã.

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