Entre nós

144 15 6
                                        

A noite já caía e as luzes da quadra criavam um ambiente acolhedor. Eu e Pedro estávamos sentados perto da borda, conversando e rindo, quando Hinata apareceu atrás dele, procurando pelo amigo. Assim que ele chegou, a atmosfera mudou um pouco, ficando mais carregada de pequenas tensões.

Hinata se aproximou, com um sorriso curioso, e logo soltou a pergunta que estava na ponta da língua.

— Então, de onde vocês se conhecem mesmo? — Ele olhou de mim para Pedro, tentando juntar as peças.

— Na verdade, a gente se conheceu bem antes de tudo. Foi no parque, no dia em que tudo aconteceu… — Minha voz ficou mais baixa, como se aquele segredo fosse só nosso. — A gente era tão jovens, foi meio que um acidente do destino.

Pedro riu baixinho, relembrando.

— E depois nos reencontramos no Brasil, na mesma escola. Aí a coisa realmente começou a fazer sentido.

Hinata franziu um pouco o cenho, o rosto ficando um pouco mais sério, embora tentasse disfarçar.

— Ah, então vocês têm um passado… — Ele deu um sorriso meio amarelo, tentando não demonstrar muito.

Pedro percebeu e, de maneira leve, cutucou.

— A Hana é minha amiga, sempre foi. Só que é engraçado como o mundo dá essas voltas, né? Ou talvez muito pequeno.

Eu olhei para Hinata, que desviou o olhar por um instante. Porque ele está se justificando pro Hinata?

— É, o mundo realmente é muito prqudn.— Hinata respondeu, tentando sorrir de novo. — Hana, a gente pode conversar?

Pedro se afastou aos poucos, com um olhar demorado para mim. Ele não disse mais nada, mas seus olhos perguntaram se eu estava bem. Respondi com um sorrisinho sutil, quase imperceptível, e ele entendeu.

Deu dois passos para trás, acenou levemente com a cabeça para Hinata e sumiu na escuridão da escola.

Hinata não disse nada de imediato. Só ficou ali, olhando pra onde o Pedro tinha ido. Havia algo diferente no jeito dele me encarar agora, não era só curiosidade. Era uma dúvida antiga que tinha acabado de acordar dentro dele.

— Você e o Pedro… — Começou ele, com a voz baixa, como se estivesse mais conversando consigo mesmo do que comigo.

— O quê? — perguntei, virando o rosto em sua direção.

— Vocês têm uma história? — os olhos dele buscavam os meus, como se quisesse uma resposta exata.

— A gente se conheceu. Quando eu estava... passando por coisas. Foi alguns dias depois em que... a gente terminou.

Ele piscou devagar.

—Alguns dias depois? — ele perguntou, surpreso.

— Uhum. — confirmei. — Engraçado, né?

Ele respirou fundo. Um suspiro pesado, meio perdido no tempo. Desviou o olhar por um segundo, como se juntasse peças que nem sabia que estavam soltas.

— E depois vocês se encontraram de novo no Brasil… — Concluiu, quase num sussurro.

Assenti.

— E mesmo assim ele nunca me disse nada. — ele riu, sem humor. — Ele sempre foi boa em guardar as próprias histórias.

— E você sempre foi bom em desaparecer delas. Aliás, não tem pra que eu estar te dando justificativa.
— retruquei, num tom leve, mas com algo preso por trás.

𝕊𝕦𝕟 𝕆𝕗 𝕄𝕪 𝕃𝕚𝕗𝕖Onde histórias criam vida. Descubra agora