funeral and immorality

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mais um capítulo, porém mais curto. espero que gostem e me perdoem os erros, estou sem tempo para revisar. :/
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Dayane Limins — Londres, 4 de dezembro de 2021 (a neblina ainda não dava trégua).

Não dormi.

Passei a noite inteira virando de um lado para o outro da cama, esperando um sono que nunca veio. Fechei os olhos incontáveis vezes, mas bastava o silêncio do quarto se instalar para minha mente voltar ao mesmo lugar.

Ao lago.

À água escura.

Ao corpo de Harriet.

Existem dias em que o peso desse trabalho cai sobre você de uma só vez. Não importa quantas horas tenha investigado, quantas pessoas tenha interrogado ou quantas pistas tenha encontrado. No fim, sempre parece pouco. Sempre parece que, se você tivesse feito alguma coisa diferente, alguém ainda estaria vivo.

Harriet era apenas uma garota.

Uma menina inteligente, cheia de planos, cercada por amigos e com uma vida inteira pela frente.

E eu não consegui impedir que ela morresse.

A chuva fina tamborilava contra a porta de vidro da sacada, num ritmo constante, quase hipnótico. Permaneci alguns minutos observando as gotas deslizarem pelo vidro, formando caminhos tortos antes de desaparecerem.

Quando afastei as cortinas, encontrei exatamente o que esperava.

Londres continuava cinza.

A neblina escondia os prédios mais distantes e engolia a cidade pouco a pouco, como se até o céu estivesse de luto.

Tomei um banho demorado, mais quente do que o necessário. A água não lavava a culpa, mas silenciava meus pensamentos por alguns minutos.

Escolhi meu melhor terno preto.

Camisa preta.

Gravata dispensada.

Naquele dia, eu não queria parecer uma detetive.

Queria apenas prestar respeito.

Guardei o distintivo no bolso interno do paletó. Ele continuaria comigo, mas escondido.

Hoje eu não estava ali para investigar.

Estava ali para me despedir.

O cemitério parecia ainda mais frio do que o resto da cidade.

A chuva caía sem pressa, fina o suficiente para atravessar guarda-chuvas distraídos e encharcar barras de calças e sapatos. A terra escura já começava a se transformar em lama ao redor da cova aberta.

Parei na última fileira.

Era onde eu deveria estar.

Os familiares ocupavam as primeiras cadeiras. Alguns amigos da escola permaneciam em silêncio, abraçados uns aos outros, como se qualquer palavra fosse capaz de piorar tudo.

The Lake House (Dayrol)Histórias para pegar e não largar. Descubra agora