As coisas darem certo na vida é o que acontece antes de darem errado.
— Manu
— Então é sério? — perguntou Gizelly, dando os últimos retoques em uma torre de cupcakes que formava a peça central que estavam preparando para um festa de 30 anos só para mulheres. Tinham reservado a cobertura de um hotel-butique em Chelsea. — Você passou cada minuto livre que teve no mês passado com ela e quando estão juntos a química é tão poderosa que poderia fornecer eletricidade à cidade de Nova York.
— Eu... Não, não é sério. E vamos encarar a verdade, não tive tanto tempo livre desde que começamos a empresa. — Bianca manteve a cabeça baixa, conferindo tudo em sua lista. Era o quinto evento que estavam organizando e, até aquele momento, todos tinham transcorrido bem. Ela não queria que fosse diferente com esse. — Rafa e eu estamos nos divertindo, só isso.
— A Rafa não tem o hábito de "se divertir" com a mesma mulher muitas vezes. Vocês duas têm andado por aí disparando todos os alarmes da cidade.
— Não de toda a cidade. E nós éramos amigas antes de ficar, então é diferente. — Pois ela descobrira que as distinções entre uma coisa e outra estavam borradas. Elas riam na cama e com frequência conversavam depois do sexo. Como separar as coisas? Bianca não fazia ideia.
Era por serem amigas que Rafa havia lhe dado a chave. Ela queria deixá-la entrar em seu apartamento.
Gizelly acrescentou uma fina camada de açúcar aos cupcakes.
— Estar apaixonada é diferente. Qual é a sensação, Bianca?
— Não faço ideia. Por que você está me perguntando isso? Não é que ela... Ela não... Quer dizer, nós não... Eu não... — Com o estômago revirando, Bianca olhou para a amiga. — Ah.
— Ah? — Manu ergueu uma das sobrancelhas. — O que isso significa?
— Eu sei o que isso significa. — Gizelly acrescentou o último cupcake e se afastou para ver o conjunto. — Vou perguntar de novo, Bianca. Qual é a sensação?
— Aterrorizante. — Até mesmo de pensar. Ela já havia sentido o mesmo antes e ela a rejeitara. Rafa a magoara. O que ela tinha na cabeça? Achava mesmo que ficaria imune dessa vez? Que conseguiria manter as coisas de pé até as duas... até as duas o quê? — É assustador. Como se estivesse prestes a pular de um avião sem paraquedas.
Tipo, o maior risco de todos.
— Você vai contar a ela?
— Não! — Nunca na vida que teria coragem de se expor daquele jeito de novo.
— Você devia — disse Manu bruscamente. — Devia contar a ela.
— Eu já contei antes. E as coisas não terminaram bem.
— Foi diferente. Isso foi há anos. Você era praticamente menor de idade.
— Eu não era menor de idade! E foi uma catástrofe. É por isso que, desta vez, vou guardar meus sentimentos para mim. — Ela prometera a Rafa, não prometera? Jurara que saberia lidar com a situação. Que estava bem com tudo. Não era justo mudar de ideia de repente. — Eu tenho que... Tenho que pensar em como lidar com isso. Pensar nas opções.
— E a opção mais óbvia não é contar de cara para ela? — Manu olhou exasperada para a amiga. — E vocês ainda se perguntam por que evito me apaixonar? É por isso! É que nem uma daquelas palavras cruzadas criptografadas. Ninguém diz para o outro o que está sentindo de verdade.
— Se eu disser o que sinto, vou perdê-la. O risco é muito grande.
— Mas você sempre diz que quer assumir riscos. Que você quer viver.
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Eventualmente
FanfictionCalma, competente e organizada, Bianca Andrade adora um desafio. Depois de passar a infância pulando de médico em médico, ela decide mudar para Nova York para provar o seu valor e mostrar que sim, ela é capaz de qualquer coisa. Qualquer coisa. Desd...
