Finais felizes não acontecem apenas em contos de fadas.
— Gizelly
Uma das muitas coisas boas em ter a própria empresa, refletiu Bianca, é poder trabalhar quando quiser, inclusive no meio da madrugada e aos sábados.
O trabalho anestesiava a dor em seu coração.
Gizelly estava no andar de cima, testando uma receita e atualizando o blog, e Bianca e Manu escolheram trabalhar na cozinha de Manu em vez de ir ao escritório.
O celular tocou.
Como sabia que não era um cliente, Bianca ignorou a ligação. Manu espichou o pescoço e viu o número.
— É a Rafa. De novo. É a quinta vez. Quer que eu mande ela ir para aquele lugar?
— Não. — Os dedos tremiam sobre o visor. — Deixa cair na caixa postal.
— Tem certeza? Está na cara que ela tem algo a dizer.
— Ela pode dizer para a caixa postal. Vou falar com Rafaella quando estiver pronta. — E isso aconteceria quando soubesse que não faria papel de trouxa.
Desbloqueou o tablet e abriu uma lista de afazeres.
— Você recebeu um pedido de flores para um aniversário de casamento surpresa?
— Sim, recebi. Veio pelo aplicativo que, aliás, está genial. Já encomendei e eles vão ser o casal mais feliz de Manhattan.
O aplicativo era genial, mas não queria pensar nisso, pois a fazia pensar em Rafa, o que também estava evitando.
— Um de nossos clientes fez um pedido de manutenção do jardim de cobertura.
— Vou passar lá na segunda-feira para conversar com ele e vou levar a Poppy, com quem já trabalhei um milhão de vezes.
— Poppy? A Poppy britânica, com o sotaque fofo e o sorriso brilhante como uma lâmpada?
— Ela mesma. Poppy precisa de trabalho e é boa.
— Por que precisa de trabalho?
— Porque quer ficar em Nova York. Acho que quer manter um oceano de distância entre ela e aquele namorado cretino que dormiu com a amiga dela.
— Falou e disse. O trabalho é da Poppy. — Bianca voltou para a lista de afazeres e Manu hesitou.
— Conseguiu dormir um pouco à noite
— Não muito. Fiquei a maior parte do tempo ensaiando o que vou dizer para a Rafa na próxima vez que a encontrar. Preciso encomendar um batom novo para me dar confiança.
— Vou te ajudar com isso. — Manu jogou um pacote no colo de Bianca.
— Comprou um batom para mim?
— Você sempre fica mais animada. — Manu tentou minimizar o próprio gesto. — Não uso batom, mas se funciona para você, quem sou eu para discutir? Gizelly e eu vasculhamos sua gaveta de batons para achar uma cor que você não tivesse ainda. Aliás, a maioria das mulheres se contenta com uma nécessaire com batons. Você e Gizelly são as únicas que conheço que precisam de uma gaveta inteira.
Comovida, Bianca abriu a sacola.
— Quando vocês compraram?
— Eu estava na porta da Saks na hora que abriram.
— Você odeia a Saks.
— Sim, mas eu te amo. — O tom de Manu era firme e Bianca sentiu uma onda de calor percorrer seu corpo.
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Eventualmente
FanficCalma, competente e organizada, Bianca Andrade adora um desafio. Depois de passar a infância pulando de médico em médico, ela decide mudar para Nova York para provar o seu valor e mostrar que sim, ela é capaz de qualquer coisa. Qualquer coisa. Desd...
